É o grande motor da economia em Portugal. Depois de ter dado a volta e ter colocado o nosso País no mapa-mundo da procura, o Turismo continua a surfar a onda do crescimento. E os números não deixam margem para dúvidas. Se alguma questão houvesse, dados da AICEP indicam que as receitas ao nível de operações turísticas atingiram 27,7 mil milhões de euros nos últimos 12 meses de 2024, o que se traduziu num aumento de 8,8% face ao ano anterior. Por isso, e quando se olha para a sua contribuição – directa e indirecta – para o PIB, a conclusão a que se chega é que já reclama para si uma fatia gorda do bolo, nem mais que 12,7% (2023), num valor de 33,8 mil milhões de euros.
Com aumentos significativos nas receitas e no valor acrescentado bruto (VAB) gerado, o sector turístico tem apresentado um crescimento consistente, ano após ano. E se, por algum tempo, a expansão que se fez no território foi mais ao nível do volume – procurando ter e aumentar a oferta para a procura que se multiplicava –, o facto é que os trabalhos ao nível do reforço de valor são cada vez mais, com um número alargado de players a investir no segmento de luxo, seja na restauração como na hotelaria ou qualquer outro tipo de serviços. Até porque se há clientes para Airbnb, também os há para hotéis que se querem diferenciadores, que se preocupam com o detalhe, que escalaram no patamar de preço por noite, porque o que os hóspedes que os reservam querem vai muito para além disso mesmo, uma noite. Com um número maior de turistas – nomeadamente americanos – que não discute preço na hora de pagar, Portugal responde com um mapa mais preenchido.
Também por isso, a Marketeer foi conhecer alguns destinos diferenciadores da hotelaria que se posiciona, precisamente, no segmento de luxo. São conceitos diferentes uns dos outros mas, em todos, há um denominador comum: a atenção ao serviço, aos colaboradores – ou não fossem estes os maiores embaixadores da marca – e ao bolo final da oferta, que se traduzirá em memória e referência na hora do regresso a casa. De norte a sul, acompanhe o nosso roteiro, entre projectos com dezenas de quartos a conceitos de nicho.
Vender experiências a nichos
Chegou com calmaria, ao mercado português. Agora, o Grupo Torel está em franca fase de expansão e quer ser referência quando se pensa em hotéis boutique de luxo.
Três novas unidades de cinco estrelas, entre o Porto, os Açores e Guimarães, num investimento a chegar perto dos 2 milhões de euros. Assim se escreve o corrente ano para o Grupo Torel Boutiques que, no seu portefólio, tem espaços como o Torel Saboaria e o Torel Avantgarde, no Porto, ou Torel Palace, em Lisboa.
Desde sempre que o grupo se tem vindo a posicionar no segmento da hospitalidade de luxo, naquela que é uma abordagem tailor-made, para um segmento de nicho, com localizações de referência, serviço e conceitos que se querem diferenciadores, e é por aqui que quer continuar, como partilha com a Marketeer o fundador e CEO João Pedro Tavares. Numa tarde a rondar os 40 graus em Lisboa, João Pedro Tavares senta-se à sombra de uma das árvores centenárias que encantam os jardins do Torel Palace. Pede água, fresca, despacha algum trabalho ao computador e, em ritmo calmo e com tempo, fala-nos do percurso até à data. De sonhos e trabalhos feitos, desafios e passos que sabe não querer dar. O que quer, sim, é continuar a crescer em Portugal com unidades boutique de luxo, com espaços que contem histórias, que vendam mais que um quarto e deixem uma mão-cheia de experiências a quem chega e por ali fica.
Quanto a novas parcerias, vai partilhando que, «desde que alinhadas» com a visão e estratégia do grupo, poderão ser sempre alvo de análise. «Continuaremos disponíveis para colaborar com projectos já estabelecidos neste segmento de hotelaria de luxo», destaca.
Este ano, o Grupo Torel tem mais aberturas previstas para o Porto, Guimarães, Açores… Até onde é que pode ir a expansão do grupo?
Não temos nada programado. Já fechados, temos mais três contratos. Será outro em Guimarães, um no Algarve e mais um no Porto.
Ou seja, o foco é a região Norte?
Sim, mas também temos duas operações, que ainda não estão fechadas, em Lisboa. Portanto, vamos ver o que é que o futuro nos vai trazer.
Não temos nada planeado quanto à dimensão. Mas gostava de encontrar na Madeira, no Alentejo… Neste momento, estamos a gerir contactos.
Portanto, não há nenhum plano de crescimento definido em relação ao número de unidades!
Com um número exacto, não. Mas queremos crescer.
Pelo menos duplicar o actual número?
Duplicar já é ambicioso. Vamos fechar o ano com mais estas três unidades. E estamos a ter este ano um crescimento bastante intenso até para a nossa dimensão.
O ano passado tivemos apenas a abertura do Torel Vacaria, no Douro. Para além dos que já referi, temos também outro projecto em Marco de Canaveses…
… e continua a dizer que se mantém sempre aberto a parcerias que surjam?
Sempre.
As parcerias fechadas até à data funcionam exactamente em que moldes?
Antes de mais, só acontecem se estiverem alinhadas com o nosso ADN, ou com aquilo que identificámos como seja a nossa forma de fazer hotelaria… Mas podem passar por muitas formas, sendo que o que tem sido mais usual é nós alugarmos os espaços. Mas também pode passar por assegurarmos a gestão e cobrarmos um fee pelo branding.
Não tem sido essa a solução!
Não. Normalmente o risco passa para nós, sendo que pode assumir várias figuras. Depende muito também de quem está do outro lado e do que se pretende. Até à data, o mais comum tem passado por alugarmos um espaço durante 21 anos e desenvolvermos a nossa marca.
Diz que pelo menos têm que estar alinhados com o ADN do grupo. Que ADN é esse?
Toda a gente hoje fala muito de luxo, mas o luxo pode passar por muita coisa. Depende muito do mercado onde nos queremos posicionar. Temos tentado trazer muita autenticidade, trazer muito do que é nosso, tanto a nível dos espaços gastronómicos como a nível do alojamento.
E estamos a fazer isso cada vez mais. Ou seja, não queremos vender um quarto, queremos vender acima de tudo uma experiência e memórias que as pessoas vão levar com elas. Nos Açores, por exemplo, estamos a construir uma base fortíssima a esse nível, até porque acho que os Açores serão talvez o local mais brilhante para o fazer.
Aquele destino é onde encontrámos a matéria-prima mais pura e mais autêntica, genuína. Ali, a nível da gastronomia, queremos fazer um espaço muito de partilha, muito autêntico. É um hotel que está instalado num antigo solar e que já estava em funcionamento. Criámos uma interpretação do espaço diferente e mudámos a marca para Terra Brava.
A sua ambição passa por levar esta marca além-fronteiras? Ou é uma marca portuguesa para ficar aqui em Portugal?
Não sei. Não temos essa porta fechada e já tivemos alguns convites, mas não era o momento, na altura, porque ainda não tínhamos desenvolvido a marca em Portugal. Se forem projectos interessantes, porque não? Fazer aqui ou fazer em Espanha é praticamente igual. Estamos agora com o projecto dos Açores a mais de 2000 km que é a mesma distância de Paris. Temos contactos de investidores estrangeiros, mas entendo que não era o momento. Nós não temos pressa de crescer.
O que nos motiva é ter uma linha: Douro é Património da Humanidade, Guimarães é Património da Humanidade, Angra é Património da Humanidade, Porto é Património da Humanidade, Lisboa não o é na totalidade, mas tem muitos locais que o são. Queremos procurar um pouco isso. Ou seja, a nossa identidade. O que temos de melhor para contar as histórias.
Experiências e histórias… há outras marcas hoteleiras também a trabalhar nesse patamar. O que é que diferencia os Torel?
Nunca vamos ter unidades com mais de 60-70 quartos. E as experiências passam muito por isso, por vender o hotel não pelos quartos, ou pelo seu preço, mas pelo que se pode adicionar à estadia.
É isso que vai distinguir a marca Torel neste segmento de hotelaria de cinco estrelas?
De nicho, não costumo falar de hotéis de cinco estrelas. Prefiro chamar hotelaria de nicho… O que procuramos é tentar fechar parcerias e perceber de que forma é que podemos ir envolvendo os clientes nesta viagem que propomos. Procuramos que o trabalho que fazemos seja muito mais personalizado, até pela própria dimensão das nossas propriedades, pela diferenciação, pelo facto de serem propriedades muito icónicas, com muito conceito. Foi isso que agora fizemos no Torel Saboria (Porto), em que reforçámos muito a identidade e onde cada quarto tem uma história para contar.
O facto de terem unidades com um número mais pequeno de quartos é uma vantagem, um dos pontos que vos diferencia?
É a forma como posicionamos as nossas unidades face aos nossos concorrentes. Há muitos turistas que não querem só um quarto e nós temos essa consciência. Por isso digo que trabalhamos um nicho de mercado, dos turistas ou viajantes que querem ter algo diferente, ou uma experiência… Para além disso, damos muita importância à gastronomia. Nunca vamos ter pizzarias e vamos sempre tentar ter um chef.
Antes da Covid, mais de 90% dos vossos clientes eram estrangeiros. Depois tentaram alterar um pouco esse perfil…
Sim, mas não conseguimos. Durante a Covid, o cliente português ajudou-nos muito. Tivemos sempre uma unidade aberta. Na altura só tínhamos uma no Porto e uma em Lisboa. E no final de 2020 já tínhamos três unidades abertas.
Como é que está agora?
No Douro temos mais clientes portugueses do que em Lisboa, por exemplo. Aliás, no Douro temos conseguido praticar um valor muito elevado – mais alto do que nos restantes hotéis –, e mantendo uma ocupação na ordem dos 70%. E isso também se ficou a dever à nossa estratégia inicial, de não encher logo o hotel. Começar por fazer preço, esperar… Nós, no Douro, ocupámos um espaço neste segmento da hotelaria em Portugal e apostámos verdadeiramente. Posicionámo-nos nos 600-700 euros por noite e estamos a ter sucesso.
Para as três unidades a abrir em 2025, estava previsto um investimento de 1,6 milhões de euros. Mantém?
Já é mais. Só nos Açores já foi 1,2 milhões de euros. Portanto, ronda 1,9 milhões nas três unidades.
Quando é que acredita que terá o retorno de todo este investimento?
São realidades diferentes. Os Açores irá ser a muito longo prazo e temos consciência disso. O Porto é uma garantia imediata, pelo que a dois-três anos conseguimos. E Guimarães também vai ser mais lento, porque ainda não é um destino tão sólido como é o Porto.
Qual é o investimento, em média, numa unidade?
Depende muito. Depende da unidade e do modelo com o investidor, se implica mais ou menos renda. Entre nós e o investidor, uma unidade cinco estrelas, sem a propriedade, sem a terra, e sem obra de edifício, andará sempre à volta de 35-40 mil euros por quarto.
Quando pegam num edifício, como é o caso do Torel Lisboa, por exemplo, já sabem à partida que conceito vão trabalhar?
Não. Nos Açores, primeiro pensámos no conceito e depois fomos à procura da marca. Em Guimarães a mesma coisa, mas foi mais fácil porque tínhamos o tenista João Sousa associado ao projecto… Depende muito de cada caso!
Desde 2021 – ou seja, pós-Covid –, qual tem sido o crescimento ao ano?
À volta de 60%. O melhor ano foi 2024, com 25 milhões de euros. Este ano, estimamos chegar aos 32 milhões.
Pelo meio, continuam a investir muito em formação interna para que todos os colaboradores vistam esse vosso ADN!
Claro. São eles os contadores das histórias, os embaixadores. Neste tipo de oferta, de nicho, tudo se faz do detalhe.
Ganhar no luxo sustentável!
Autenticidade local feita de experiências. No Praia do Canal há yoga, sim, mas há caminhadas, workshops de cerâmica ou visitas a produtores locais. Para que o hotel ajude, também, a manter a região.
Está ali, bem discreto, já no final do litoral alentejano e a abrir portas para aquele Algarve das praias mais selvagens e sem intervenção. Está ali, entre o campo e as dunas. Entre sabores autênticos e experiências únicas. No meio do silêncio que se conquista depois de uns minutos em estrada de terra que, nunca, o vai deixar de ser.
O Praia do Canal Nature Retreat é tudo isto e é mais. É luz e azul durante o dia, e sombras que nos remetem para destinos como Marrocos, à noite. É, como diz o CEO da Leacock Investimentos, SGPS, Afonso Tavares da Silva, um refúgio de luxo consciente, inserido na paisagem intocada do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. «Aqui, o verdadeiro luxo manifesta-se na simplicidade cuidada, sóbria, discreta, na ligação profunda à natureza e na atenção ao detalhe. Alinhados com o conceito de slow living, convidamos os nossos hóspedes a abrandar, a respirar e viver cada momento com intenção», continua.
E é tudo isso que ali acontece, com a sustentabilidade a estar desde sempre, e muito, no centro da sua filosofia, entre a arquitectura integrada no território, até à valorização dos produtores e saberes locais, num trabalho que se tem vindo a aprofundar e a esmerar nos últimos anos.
«Mais do que uma estadia, oferecemos uma experiência autêntica e transformadora, onde o conforto, o silêncio e a natureza se unem para criar memórias duradouras», assegura o responsável, explicando, assim, porque é que o Praia do Canal está a investir numa oferta mais alargada de experiências para os seus hóspedes. «Hoje, mais do que nunca, os viajantes procuram experiências com significado, transformadoras, marcantes – algo que vá além do alojamento e que lhes permita sentir verdadeiramente o lugar. É por isso que, no Praia do Canal, temos vindo a investir numa oferta cada vez mais rica e imersiva. Desde caminhadas guiadas pela natureza, sessões de bem-estar e reconexão, gastronomia local com produtos sazonais, até workshops com artesãos da região, cada experiência é pensada para criar memórias únicas e autênticas. São momentos que despertam os sentidos, que ligam os hóspedes ao território e que tornam cada estadia verdadeiramente pessoal. Este tipo de proposta é, sem dúvida, um factor de diferenciação. Atrai um público que valoriza a autenticidade, a simplicidade com sofisticação, e o impacto positivo – e que escolhe o destino não só pelo conforto, mas pela história que vai poder viver e levar consigo.»
Até à data, a aposta parece vencedora, com uma taxa de adesão positiva e uma procura crescente por parte dos hóspedes pelas experiências oferecidas, em particular as ligadas à natureza e bem-estar. Ou não se acreditasse, por ali, que viajar é mais do que visitar – é sentir, descobrir e conectar. E é essa visão que tem desenhado a oferta que procura proporcionar experiências verdadeiras, que liguem os hóspedes à natureza, à cultura e às pessoas que dão corpo e alma à região.
Há caminhadas guiadas pelo Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, partilha de histórias do território ou passeios por trilhos, sessões de yoga e meditação, provas de vinhos ou workshops de cerâmica. «Tudo isto com um compromisso claro: respeitar o lugar que nos acolhe. Trabalhamos com base em princípios de responsabilidade social e economia circular, apoiando a comunidade local e promovendo um turismo que deixa uma pegada positiva – no território e em quem nos visita», declara.
Até porque, por terras da Carrapateira, aliás, pelo Praia do Canal, o público continua a ser maioritariamente internacional, com destaque para mercados como Alemanha, Reino Unido, França e EUA. Viajantes com poder de compra, que valorizam o luxo sustentável, a privacidade e a autenticidade. E é muito a olhar a este perfil que o leque de experiências tem vindo a ser desenhado. Se bem que o mercado nacional continua a crescer, com cada vez mais portugueses a procurarem este tipo de propostas, assim como casais e famílias que valorizam o turismo feito com tempo, segundo o responsável. «Este público reconhece no nosso projecto uma alternativa ao turismo massificado.»
O que explica por que é que, por ali, se advoga e pratica ser-se uma força positiva no território, sendo que trabalhar com produtores, artesãos e pequenos negócios locais não é uma escolha, mas parte da identidade. «Ao privilegiarmos quem vive e trabalha na região, estamos a contribuir para a preservação de saberes tradicionais, para a valorização da cultura local e para a dinamização da economia de proximidade. Cada peça de cerâmica, cada ingrediente servido, cada vinho partilhado, carrega uma história, uma ligação real ao lugar. Essa proximidade permite oferecer uma experiência mais autêntica e humana, onde o luxo se traduz em significado. E, ao mesmo tempo, cria uma rede de relações sustentáveis que beneficia todos», vai desfiando Afonso Tavares da Silva.
AUTENTICIDADE COM EXPERIÊNCIAS
Num tabuleiro com cada vez maior número de jogadores, no Praia do Canal Nature Retreat uma das principais peças que se joga é a autenticidade, preenchida então com uma mão-cheia de parcerias com artesãos, produtores e entidades locais para criar experiências sustentáveis e ligadas à cultura da região, entre visitas a quintas biológicas e oficinas de saberes tradicionais, até momentos de partilha com a comunidade.
«A nossa visão para o futuro passa por aprofundar ainda mais esta ligação ao território – criar residências artísticas, apoiar projectos de regeneração ecológica e promover iniciativas culturais que envolvam tanto visitantes como a comunidade local», acrescenta Afonso Tavares da Silva.
Até à data, a taxa de ocupação média anual ronda os 70%, com picos nos meses de Verão e uma procura crescente nos períodos de shoulder season (Primavera e Outono), acreditando, contudo, o CEO que este posicionamento é uma das chaves para combater a sazonalidade: «Ao criarmos uma oferta que vai muito além do sol e praia, conseguimos atrair um perfil de viajante que valoriza o destino em todas as estações do ano. A nossa aposta em experiências ligadas ao bem-estar, à gastronomia, à natureza e à cultura local permite-nos manter uma proposta de valor relevante mesmo fora da época alta. Os retiros de yoga e meditação, os passeios interpretativos, os jantares temáticos com produtos sazonais e as oficinas com artesãos locais são apenas alguns exemplos de actividades que ganham ainda mais significado na Primavera ou Outono. Além disso, temos vindo a trabalhar em programação sazonal e parcerias locais que mantêm o destino vivo e interessante ao longo de todo o ano. Esta abordagem não só prolonga a estada média como distribui melhor a procura.»
Ou seja, para esbater a percepção de que Algarve é só praia e Verão, o Praia do Canal tem vindo a investir numa série de campanhas de comunicação específicas para as estações mais calmas e em conteúdos que mostram o lado mais sereno e autêntico da região.
Discreto, mas já com resultados bem palpáveis nestes poucos anos, as expectativas de crescimento, por ali, estão bem definidas mas sustentadas. E é o próprio responsável que o diz: «Não procuramos crescer em quantidade, mas sim em qualidade, aprofundando a experiência que oferecemos, reforçando a ligação ao território e consolidando a nossa posição como referência no segmento do luxo sustentável em Portugal. Queremos continuar a atrair um público que valoriza autenticidade, bem-estar e consciência ambiental, e que reconhece no Praia do Canal um lugar onde o luxo se vive de forma simples, natural e verdadeira. O nosso foco está em evoluir com coerência, mantendo o compromisso com a preservação da paisagem, o envolvimento com a comunidade local e a criação de experiências com impacto positivo. O crescimento que ambicionamos é aquele que respeita o ritmo do lugar!»
No caminho de excelência…. também De Wellness
Serviço, atenção, gastronomia e… wellness. No Vila Vita Parc o caminho é de mimo ao cliente e entrega, num trabalho que continua em crescendo.
Sempre foi referência no luxo hoteleiro em Portugal. O Vila Vita Parc é serviço, é casa, é atenção ao pormenor, é resposta ao cliente, é gastronomia e é, cada vez mais, destino de wellness. Num mercado cada vez mais pulverizado em termos de ofertas, por ali percebeu-se que o target que procura respostas de bem-estar não só existe como se tem alargado. Por isso, e na linha de tudo o resto onde tem investido, no Vila Vita a resposta tem sido não só consistente como diferenciadora. Porque o princípio da qualidade não pode, também aqui, ser equacionado.
No último ano, e em paralelo com um trabalho contínuo e profundo ao nível da oferta gastronómica – que se estende do Michelin Ocean a uma carta japonesa exímia, a um italiano dos melhores em Portugal ou um mediterrânico que procura levar à mesa o melhor que a região tem para oferecer – houve procura para ter o que mais ninguém tem em termos de wellness, traduzido num conjunto de serviços que, verdadeiramente, fazem a diferença.
A resposta essa, está a chegar, seja de clientes do hotel como de residentes na zona. Daí que Rita Gonçalves, a responsável de Comunicação e RP, que é rosto, sorriso e alma da marca, não tenha grandes dúvidas em afirmar que será por aqui que querem continuar. Numa calma que é tão sua, Rita conta que todo o trabalho até à data tem sido consistente e que todos os investimentos têm um propósito claro: dar ao mercado o que este procura, mas, sempre, nivelando por cima. Porque, quem procura o Vila Vita sabe, sempre, que o cuidado é muito. E assim continuará!
Num mercado com cada vez mais players no segmento de luxo, o que leva um cliente a optar pelo Vila Vita em vez de um outro destino?
O cliente que opta pelo Vila Vita Parc procura uma experiência autêntica, exclusiva e com um standard de qualidade elevado. Neste cantinho especial no Algarve, é o trato profissional e caloroso da equipa que muito faz a diferença. Parte da “The Leading Hotels of the World” e, este ano, com a distinção das três chaves pelo Guia Michelin (apenas dois estabelecimentos receberam em todo o País), o Vila Vita destaca-se pela excelência culinária, que tanto oferece refeições casuais à beira-mar, cozinha japonesa, francesa, ou até italiana, a acrescentar a experiência do restaurante de duas estrelas Michelin, o Ocean, pela mão do chef Hans Neuner. A combinação entre gastronomia, acesso a produtos que muitas vezes são difíceis de encontrar no mercado, como é a variedade de alojamento e privacidade, reconhecimento internacional e no mercado português, e a localização no topo da falésia com acesso directo à praia, faz com que seja um espaço inigualável imbuído de essência algarvia, para o qual os hóspedes voltam ano após ano.
Com uma forte componente gastronómica, o Vila Vita está a trabalhar cada vez mais o segmento de wellness e saúde. Porquê? Será factor de diferenciação e angariação de outros e mais clientes?
O Algarve reúne uma série de características muito propícias para ser um destino de wellness e o Vila Vita também. Se aliarmos ambas as realidades ainda mais. As temperaturas amenas e dias de sol que a região oferece durante todo o ano, com o mar muito perto e, ao mesmo tempo, as serras do interior, tornam diversificada a natureza que pode ser usufruída. O Algarve é já na verdade considerado como um dos destinos no mundo de nível alto no turismo de saúde. No Vila Vita, não temos, nem pretendemos ter, a versão médica, somos wellness. Há um público muito interessante, tanto podemos falar de hóspedes como da grande comunidade de expats, que está actualmente a viver no Algarve, que procura essa versão mais descontraída de bem-estar, onde possam desfrutar, descansar e sobretudo renovar energias. O Vila Vita pode ser o sítio ideal para isso acontecer, com os tratamentos oferecidos no Spa, a variedade gastronómica, toda a envolvente dos jardins e beira-mar, os espaços de desporto e descontracção. A pessoa pode vir de férias, trazer a família e aliar essa vontade de cuidar do seu bem-estar sem comprometer o tempo de descanso em família. E, por seu lado, os familiares podem usufruir das férias sem necessariamente terem o mesmo interesse. Quase como se de um retiro da vida activa se tratasse, mas sem abdicar da companhia da família.
Que tipo de tratamentos oferece?
De forma a colocarmo-nos num novo patamar, assim de estilo de vida de Spa, acrescentámos, à oferta diversificada já existente no Vila Vita Spa by Sisley Paris, uma nova gama de tratamentos que combina técnicas avançadas com produtos naturais de alta qualidade. Estão disponíveis agora o Icoone, um novo tratamento indolor e não invasivo para rosto e corpo, que ajuda a melhorar o aspecto da pele e reduz o aparecimento de celulite. E o Indiba, uma técnica regenerativa, que acelera a recuperação de lesões e que é igualmente usada nas áreas de estética, beleza e saúde íntima. Estes dois tratamentos, juntamente com o Hypoxi, um método que usa o exercício de baixo impacto certeiro aos depósitos de gordura localizada, são combinados de acordo com as necessidades personalizadas de cada indivíduo que nos procura.
A dinâmica dos tratamentos integrados de bem-estar tem como ponto de partida uma conversa inicial com uma das terapeutas, que resulta num plano personalizado e a marcação dos respectivos tratamentos. E que pode igualmente ser acompanhado nos vários restaurantes do resort. Para além de poder ainda ser alinhado com uma rotina de exercício físico, com os PT da equipa no ginásio, e prática de meditações a acontecer também no Spa. Não faltam recursos para alinhar a mente e o corpo durante umas férias merecidas.
Como é que os está a comunicar?
Através de divulgação nos meios de comunicação, acções com a imprensa e campanhas nas redes sociais sobretudo.
E quem é que já os procura? Qual a taxa de clientes do hotel que reserva em função desta oferta?
Neste momento, a procura tanto é de hóspedes do hotel, como também de pessoas que vivem no Algarve e não necessariamente apenas da zona que rodeia o resort, mas também de outras partes da região algarvia.
Há um target que se destaque?
Sobretudo um público entre os 40 e 60 anos, diria, e na maioria, casais. O perfil é muito parecido, pessoas muito activas, com cargos profissionais altos, que, cada vez mais, estão conscientes da importância de ter práticas que diminuam o impacto na saúde mental e física de um estilo de vida acelerado e com altos níveis de stress.
Mas de algum mercado em particular?
Europa, sobretudo França, Alemanha, Reino Unido e Portugal – 70% público feminino e 30% masculino.
É suposto que o Vila Vita venha a ter mais investimentos a este nível?
Acreditamos que sim, até porque é um estilo de vida que tem cada vez mais aderentes.
Se olharmos à actual taxa média de ocupação do hotel ao ano, quais os valores?
Este ano, a taxa anual média é de 66%.
Até que ponto este tipo de oferta pode ajudar a esbater ainda mais a sazonalidade?
O Algarve é muito agradável fora dos meses de férias de Verão. A região é muito mais do que praia e golfe, fora da temporada alta, é mais tranquilo, o tempo continua bom, é o cenário perfeito para se estar em contacto com a natureza sem o rebuliço do Verão e fazer um reset.
Perante isso, que perspectivas de crescimento… E que ambição para a marca a este nível?
A nova gama de tratamentos tem sido muito bem recebida desde o lançamento no início do ano e a ideia é continuar a investir em novas adições que complementem a oferta existente, de forma a proporcionar uma experiência mais rica e variada também. E assim estabelecer a marca como um exemplo bem sucedido no lifestyle de Spa.
O Vila Vita é fortíssimo em gastronomia e tem todos os recursos para o ser nesta área também, e conseguir dar, desta forma, outro tipo de visibilidade à região. Planos para o futuro: estamos a fazer novo investimento em consultoria de nutrição wellness em todos os outlets no resort. É a continuação refrescada de um trabalho que tinha começado em 2019. Também estará para breve a abertura do estúdio profissional de pilates, a juntar ao Health Club com ginásio, banho turco, steam bath, ice cave e piscina interior. E estão ainda previstas as aulas de meditação outdoor imersiva, entre outras, cuja particularidade é serem feitas com auscultadores para uma concentração plena.
Tudo em Grand
Na Quinta do Lago, o Wyndham Grand Algarve é um cinco estrelas onde o luxo quer ir além da satisfação dos desejos mais extravagantes e envolve o acesso a experiências locais autênticas. Como “bónus”, tem um XXL by Olivier
Diferente é a aura que se sente na Quinta do Lago. Neste empreendimento de luxo imaginado por André Jordan nos anos 70, que ali haveria de inventar um futuro para o turismo qualificado no Algarve, a sensação que fica, ao entrar, é que não apetece sair tão cedo. Ali, entre a praia tão perto, os campos de golfe verdejantes a perder de vista e o ar do Parque Natural da Ria Formosa, que refresca e renova, fica o Wyndham Grand Algarve, um dos resorts mais exclusivos da região.
Integrado no grupo norte-americano Wyndham Hotels & Resorts, o Wyndham Grand Algarve é um resort de cinco estrelas composto apenas por suítes de um a três quartos (no caso das penthouses), com dimensões generosas e cozinha totalmente equipada, além de residências de luxo com serviço de hotel e concierge dedicado. Ao todo, são 132 apartamentos distribuídos por quatro alas e dois andares.
«Pensado para quem procura um hotel que mistura a exclusividade de um serviço de excelência personalizado com a oferta de experiências autênticas integradas com o meio envolvente, aliadas a um conforto sofisticado, que o torna um refúgio perfeito integrado na natureza», conforme apresenta Ana Camões, directora comercial do Wyndham Grand Algarve.
Aqui, nada foi deixado ao acaso e todos os serviços, facilidades e detalhes foram pensados para proporcionar uma estadia de luxo a quem opta por ficar na Quinta do Lago, desde o Grand Spa com massagens junto à piscina no Verão e um programa completo de tratamentos com assinatura da prestigiada Cinq Mondes, passando pelo Hazel’s Kids Club, que disponibiliza actividades infantis todo o ano, pelo transporte gratuito para as praias do Ancão e da Quinta do Lago e por uma experiência gastronómica de requinte no XXL by Olivier.
Ciente de que o luxo vai muito além do serviço e do conforto das infra-estruturas, o Wyndham Grand Algarve conta com uma equipa de Front Office e de Guest Experience, responsável por «bem receber todos os hóspedes e tornar todos os seus desejos possíveis», sublinha Ana Camões.
«Desde o momento em que o cliente faz a sua reserva, internamente todos os detalhes são tidos em conta: o número de pessoas, se inclui ou não crianças, as suas preferências, hora de chegada… tudo é analisado de forma a manter o cliente satisfeito, mesmo antes da sua vinda. Durante a estadia, o foco das equipas do hotel é satisfazer todos os seus desejos, sejam eles fazer um passeio em família pela Ria Formosa, uma reserva para jantar na sua mesa favorita, ou até mesmo o aluguer de um iate ou de um jacto privado. É a atenção ao detalhe e o cuidado genuíno que transformam cada estadia no Wyndham Grand Algarve numa experiência memorável e que faz os nossos hóspedes quererem voltar», salienta a responsável.
Além disso, os hóspedes são convidados a vivenciarem experiências autênticas na região.
O Wyndham Grand Algarve conta com uma parceria com o município de Loulé no âmbito do programa Loulé Criativo, que permite o acesso dos visitantes a workshops, cursos de curta duração e experiências que permitem mergulhar na cultura local, através da rede de oficinas de artesanato da região. Através deste projecto, é possível aprender a trabalhar a palma com as artesãs da Casa da Empreita para fazer pequenas peças à mão, como cestas ou malas, ou acompanhar a arte do fabrico de cataplanas com os mestres Analide do Carmo e Jurgen Cramer, da Oficina dos Caldeireiros. Estas foram apenas duas das experiências a que a Marketeer teve acesso durante a estadia, havendo ainda muito mais por descobrir, como é o caso de uma visita pelo Mercado Municipal de Loulé, que junta as valências de mercado tradicional e de um moderno espaço de restauração e eventos locais.
«O que nos diferencia é a forma como olhamos para cada hóspede como único, tentando sempre antecipar as suas necessidades e exceder as suas expectativas. Valorizamos cada interacção como uma oportunidade de criar experiências acolhedoras e memoráveis, sempre atentos às necessidades individuais de quem nos escolhe», frisa Ana Camões.
XXL BY OLIVIER
O Wyndham Grand Algarve é também a casa do primeiro restaurante XXL by Olivier na região.
Inaugurado em 2023, este foi apenas o segundo espaço com o conceito XXL a abrir no País – entretanto expandiu também para o Porto –, apresentando uma carta inspirada nas gastronomias portuguesa e francesa, em homenagem às raízes do antigo XL, em Lisboa. No resort da Quinta do Lago, posiciona-se como um bistrô e é muito mais do que um complemento, afirmando-se como um dos principais pontos de atracção para hóspedes e não hóspedes.
A carta do XXL by Olivier da Quinta do Lago apresenta muitos dos clássicos do histórico XL, combinados com novas criações contemporâneas do chefpreneur Olivier da Costa. Começando pelas entradas, é difícil resistir a clássicos como cocktail de camarão (15 euros), ou folhado de queijo de cabra (9 euros), mas também a opções mais diferenciadas, como os croquetes de espinafres com molho de parmesão e manjericão (9 euros).
No entanto, a proposta mais “fora da caixa” e que se tem vindo a assumir como um dos principais pratos de assinatura da casa chama-se simplesmente O Ovo (18 euros), que não é menos do que um ovo em cama de puré trufado com quatro variedades de cogumelos. Os diferentes elementos são misturados já na mesa, resultando num prato complexo (muito mais do que o nome dá a entender) e surpreendente pela explosão de sabores e texturas.
Já nos pratos principais, não faltam opções para todos os gostos, como o entrecôte com molho café de Paris (27 euros) ou com molho chimichurri (68 euros), bife tártaro (30 euros), bacalhau à lagareiro (46 euros), rigatoni com molho de champanhe e camarão, ou o inevitável bife XXL, do lombo (37 euros). Se tivéssemos que destacar um dos pratos, escolheríamos, ainda assim, a picanha wagyu com linguini trufado, que se desfaz simplesmente na boca – ficando claro por que é que é um dos pratos mais caros da carta (79 euros).
Por fim, nas sobremesas o desafio será escolher entre opções variadas como torta de laranja (8 euros), mousse de Kit Kat (9 euros), profiteroles (18 euros para duas pessoas) e soufflé de doce de leite (13 euros). Independemente da escolha, não há como falhar aqui.
Quanto ao espaço, é acolhedor, com o bom-gosto e o requinte a imperarem na decoração e o serviço é ágil e eficiente, havendo inclusive uma sala mais privada para grupos.
Além do XXL by Olivier, o Wyndham Grand Algarve dispõe de outros dois conceitos de restauração: o Oasis Pool Bar, junto à piscina; e o The Grand Bar, com opções mais descontraídas para o almoço ou o final da tarde.
UM LUXO NO DESPORTO
Mas não é só na gastronomia que o resort se destaca. Estando enquadrado no chamado “Triângulo Dourado” do Algarve, composto pela Quinta do Lago, Vale do Lobo e Almancil, o Wyndham Grand Algarve faz também do desporto, em particular o golfe, uma das suas principais valências e fontes de receita, sobretudo durante a época baixa.
Dispondo de sete campos de golfe que distam a pouco mais de 10 minutos, três dos quais localizados dentro do empreendimento da Quinta do Lago (North Course, South Course e Laranjal), o resort proporciona condições especiais para os amantes deste desporto, tais como uma sala privada para guardar e lavar os tacos, tratamentos de Spa focados nos golfistas, ou acesso à Academia de Golfe da Quinta do Lago. E, neste território, o hotel já tem organizado, ainda, um torneio solidário, o The Grand Cup, que este ano decorrerá nos dias 6 e 7 de Dezembro.
De igual modo, o futebol tem sido uma «aposta contínua do hotel num segmento que traz receita e notoriedade», adianta Ana Camões. A proximidade a dois centros de treinos (incluindo o The Campus, o centro desportivo de alto rendimento da Quinta do Lago) e ao Estádio do Algarve, a cerca de 15 minutos de distância, aliada à oferta de pacotes exclusivos para este segmento, tornam o Wyndham Grand Algarve num hotel «muito procurado por equipas de futebol e para férias dos jogadores com as suas famílias». «Não podemos divulgar nomes por uma questão de sigilo profissional e de protecção de dados, mas posso adiantar que recebemos, só nos últimos dois anos, quatro Selecções Nacionais de países europeus e oito equipas femininas e masculinas das primeiras ligas de vários países europeus e da Arábia Saudita», revela a directora comercial do resort.
O MELHOR ANO DE SEMPRE
O desporto é, assim, um dos principais segmentos do Wyndham Grand Algarve, que se posiciona ainda como um hotel para famílias, casais e eventos, ou não contasse com um centro de conferências com capacidade para 400 pessoas.
Actualmente, o principal mercado é o Reino Unido, seguido de perto pela Irlanda e pelo mercado nacional. «O Algarve – e principalmente a Quinta do Lago – é tradicionalmente um destino de eleição para o mercado britânico. Temos feito, nos últimos anos, um investimento em promoção junto do mercado nacional e também dos mercados norte-americano, francês e alemão com resultados positivos, mas ainda longe de qualquer um deles atingir os números do Reino Unido», frisa Ana Camões.
Estando aberto o ano inteiro, é durante os períodos de Verão, Páscoa, Natal e Passagem de Ano que o hotel regista um incremento da procura do mercado nacional. Com o fim das férias escolares, passa a receber mais eventos nacionais e internacionais e a ser frequentado essencialmente por golfistas, na sua maioria provenientes do Norte da Europa, e por casais que querem passar fins-de-semana prolongados.
De acordo com a directora comercial do Wyndham Grand Algarve, 2025 tem sido um ano «desafiante, com a conjuntura mundial a deixar o nosso público-alvo por vezes em suspenso quanto a decisões de férias», notando-se um maior volume de reservas de última hora. Apesar de tudo, o resort registou o seu melhor mês de Junho de sempre e Julho «já se encontra praticamente completo», com as projecções para Agosto e Setembro a serem «igualmente muito positivas». Contas feitas, o resort de luxo deverá caminhar para o seu melhor ano de sempre: «Neste momento, prevemos para 2025 um crescimento de 12% acima do ano passado, que já foi o melhor ano de sempre e, portanto, difícil de superar», refere Ana Camões.
Já sobre o crescimento da hotelaria de luxo no Algarve, a responsável encara como uma «evolução estratégica da região, o que não significa necessariamente deixar perder a sua essência». «Actualmente, o que se verifica é que o cliente deste segmento já não quer apenas ir a um novo destino e ficar num hotel de luxo. Quer serviço personalizado, conhecer o destino e viver experiências locais. O Algarve tem muito para oferecer neste aspecto e não só o sol e praia», conclui.
Perpetuar o legado
Naquela que foi das quintas agrícolas mais relevantes do Sotavento, instala-se hoje um boutique hotel recuperado com calma para perpetuar legado e não estragar a autenticidade
Manter o legado. A frase é dita e repetida por Susana Ribeiro, a general manager das Casas da Quinta de Cima. Ali, aquela que já foi das quintas agrícolas mais relevantes do Sotavento Algarvio, há tempo com tempo, calmaria e genuinidade. Centenária, quis manter traça do passado e traçado para o futuro. Quis que quem chegasse percebesse o lugar e a sua alma. Por isso, em 50 hectares, a reconversão recente para turismo foi feita com jeito e cuidado, sem pretensões, mas com mimos.
E tudo isso se percebe ainda antes de chegar – ou de partir para lá –, com cuidado sério em saber previamente o que o cliente procura e gosta, para entregar, o mais possível, o que o mesmo cliente quer. Já lá, a atenção mantém-se: no jeito de receber, na decoração dos espaços e quartos que nos tornam como que pertença do lugar, na atenção ao serviço, na gentileza e sorrisos.
As Casas da Quinta de Cima são um retiro rural com estilo de vida algarvio, numa quinta recheada de laranjeiras, limoeiros e abacateiros, de resto, frutas servidas e usadas nas refeições que por ali se fazem.
«É um projecto com o propósito de partilhar o legado de uma família já com várias gerações. E é um projecto único e raro, junto à Ria Formosa, que junta o campo e a praia», diz a responsável que vive, também ela, com alma todo o trabalho que por ali se faz. «A história desta quinta é tão rica que não faria sentido não a perpetuar», sublinha.
Uma história que se percebe, entre outros espaços, na enorme eira com 25 metros quadrados de diâmetro, que já foi das mais relevantes da região, que recebeu trigo da própria quinta e de muitos produtores locais, e que hoje serve de palco a eventos ou abriga sessões de yoga ao amanhecer ou quando o sol se põe.
A dois passos da praia de Cacela Velha, manteve-se a traça original do monte quando se apresentou como boutique hotel Casas da Quinta de Cima, com nove casas transformadas em suítes de grandes dimensões, numa média de 70 m2, com sala de estar, kitchenette e uma casa de banho com chuveiro generoso e banheira independente. Todas com grandes terraços nas traseiras – com chuveiro exterior –, sendo que os interiores se quiseram simples num recurso a materiais tradicionais em tons calmos.
E a pensar em famílias com crianças abaixo dos 12 anos, há, bem ao lado, duas casas (com dois e três quartos) que recebem o pequeno-almoço à porta e onde animais de estimação são bem-vindos.
Os espaços públicos, esses ocupam os tradicionais armazéns agrícolas da Quinta de Cima, depois de terem sido recuperados com cuidado.
Mas há mais: há duas piscinas, salões comuns, um ginásio apetrechado com todas as máquinas que se possa precisar, menu de snacks para o dia e para quem se quiser deixar ficar por ali e há, acima de tudo, capacidade e vontade de responder a pedidos que os clientes possam fazer. Aliás, a grande piscina de 25 metros – inaugurada apenas no final de Março passado – e as espreguiçadeiras, essas integram-se nos jardins, em pequenos nichos que permitem conforto e recato.
Pelo meio, e para quem gosta de caminhar ou se deixar ir, há caminhos de buganvílias que acompanham até ao mar junto a pomares de citrinos. E uma mão-cheia de momentos vários, entre passeios a cavalo, passeios de barco na Ria Formosa, de bicicleta ou, simplesmente, massagens – nas duas salas de tratamento entretanto criadas. De resto, para os hóspedes que não são dados a andar a pé, há um Tuk Tuk preparado para levar, em poucos minutos, até ao ancoradouro onde se apanha o barco para a praia da Fábrica. No regresso, basta enviar uma mensagem que não tarda muito a recolher quem quiser regressar a “casa”.
«O que leva os hóspedes a ficarem cá é a simplicidade da oferta, o facto de ser um espaço com história de gente real e um legado de 100 anos, com uma arquitectura algarvia que se manteve. O cliente que nos procura quer descansar, desligar, ter experiências locais longe de destinos de multidões, quer o Algarve ainda genuíno», confere Susana Ribeiro.
De resto, tudo o que as Casas da Quinta de Cima se comprometem a oferecer.
SOBRE A QUINTA DE CIMA
Propriedade da mesma família já há cinco gerações, o projecto do boutique hotel Casas da Quinta de Cima foi pensado com tempo, acrescentando valor e sustentabilidade ao seu legado de 100 anos.
Adquirida em 1925 por Frederico Ramirez, uma figura política proeminente no Algarve e um dos herdeiros de Sebastian Ramirez – fundador da icónica empresa de conservas de peixe, a Quinta de Cima continua a ser uma propriedade agrícola única no Algarve.
Com os seus 50 hectares, produz citrinos, laranjas, tangerinas, limões e toranjas, figos e abacates. Há também um pomar de nêsperas, maçãs, pêras, amoras e sobretudo medronheiros em plena produção.
Ao integrar na sua propriedade o novo boutique hotel Casas da Quinta de Cima, cujas obras se iniciaram em 2020 e que, desde Fevereiro de 2024, é gerido pelos proprietários, a família procurou manter viva a ligação à natureza e à comunidade local.
O projecto de arquitectura, assinado por João Pedro Falcão de Campos, respeita a autenticidade sem comprometer o património agrícola que está na base da sua identidade.














