Como não gastar dinheiro em formação

Por João Vitória, docente Fast-Track MBA em Marketing, Estratégia & Criatividade da Flag e Chief Creative Officer no Braver Media Group

Sempre que eu perguntava “Quanto é que o nosso cliente gasta em media?”, o meu amigo José Manuel Cardoso respondia-me sempre com a mesma frase. “Não gasta. Investe.” Esta mudança de discurso, e de raciocínio, pode parecer um pormenor entre colegas. Mas muda dramaticamente a atitude com que avaliamos muitas situações. E quando nos questionamos sobre progressão de carreira, aplica-se na perfeição.

Neste tema, a formação é um dos instrumentos a que mais se recorre. Inevitavelmente, e ainda mais nos tempos que vivemos, o custo é um factor de ponderação ou até mesmo um impedimento. Mas outro factor igualmente importante é o tempo. Não só pela duração da formação, mas também pelo hiato entre o final do programa e o resultado esperado. A conjugação destes dois factores pode tornar a análise de uma decisão sobre formação mais complexa e demorada. Mas gera, inevitavelmente, maior clareza sobre o seu impacto. E é aqui que a diferença entre gastar e investir se torna evidente.

Há três níveis de valor que me parecem merecer consideração quando avaliamos uma formação: a aplicabilidade, qualidade e profundidade da formação; a forma como o mercado valoriza a entidade formadora; e o corpo docente, não só pelos conhecimentos que nos vai transmitir, mas também pela experiência que tem a aplicar as matérias. E, nem que seja para desempatar, importa ter em consideração que o corpo docente, bem como os nossos colegas, são, potencialmente, parte integrante da nossa rede de contactos profissionais.

Quando estes três factores estão alinhados com os nossos objectivos de curto, médio, ou de longo prazo, provavelmente estamos perante uma opção que é um bom investimento. E o nosso investimento terá ainda mais retorno quando estamos investidos no nosso futuro. Em 2018 e 2019, estive entre São Francisco e Tóquio num programa global de formação que avaliado como gasto seria, no mínimo, insano. Como investimento, foi a melhor decisão profissional dos últimos ano.

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