Como as redes sociais estão a influenciar a percepção da beleza da Geração Z

Por Sandra Alvarez, Managing director da PHD

Em Portugal, as raparigas entre os 10 e os 17 anos estão a passar bem mais de duas horas por dia nas redes sociais. Estas plataformas têm ajudado, nomeadamente nos últimos tempos por causa da pandemia, a manter o contacto com amigos e família, contudo têm as suas contrapartidas.

Está provado que o tempo que os jovens despendem nas redes sociais tem contribuído para a baixa auto-estima e uma baixa confiança corporal. Contudo, por que é que isto acontece? Um relatório da marca Dove refere que 73% das raparigas afirmam que comparam a sua aparência em fotografias com a de outras pessoas nas redes sociais. Esta é uma das questões mais relevantes nos tempos que correm, particularmente na era digital e conectada em que vivemos.

É natural envolvermo-nos activamente com outras pessoas, partilhar o nosso conteúdo e ver o de outros, no entanto, está a assistir-se a uma total desconexão e solidão, sobretudo no caso dos adolescentes, a chamada Geração Z. Esta faixa etária está ainda a desenvolver a sua personalidade e é influenciada, não pelos pais, mas pelas celebridades, figuras públicas e influenciadores.

Não é de estranhar que haja uma associação clara entre a auto-estima corporal e as redes sociais, na medida em que é neste seio que esta geração busca a validação, seja através de likes ou de comentários. Verifica-se uma constante comparação com outras pessoas e mesmo os influenciadores não ajudam a amenizar o panorama. Uma das principais causas para isto estar a acontecer é o facto de muitas das fotografias que se vêem online estarem manipuladas e não representarem, de todo, a vida real.

Esta problemática é mais visível nas raparigas do que nos rapazes. Segundo o mesmo relatório da Dove, três em cada quatro raparigas comparam a sua aparência em fotografias com a de outras pessoas nas redes sociais. Mas olhemos de fora, para o que se anda a passar nas redes sociais com as fotografias.

As fotografias servem para retratar a nossa realidade, mas existem outras particularidades associadas à captação de fotografias que podem ser prejudiciais para a baixa confiança corporal. É o caso dos filtros, que permitem alterar a aparência, iluminar a pele, remover manchas e sinais, colocar pestanas, entre muitas outras hipóteses. Estes filtros são espelho de uma beleza irreal, perpetuada pelas redes sociais e por muitos criadores de conteúdos digitais.

Estes criadores de conteúdos, influenciadores, celebridades, são um dos grandes veículos por onde pode passar a informação fidedigna e a tomada de consciência, uma vez que é neles que a Geração Z deposita a sua confiança. Este tema é um autêntico paradoxo, uma vez que são estas pessoas que influenciam negativamente a usar filtros nas fotografias nas redes sociais e deveriam estar a influenciar para o contrário. Razão pela qual a marca Dove criou uma campanha completa para jovens, pais e professores, a chamar a atenção para esta realidade, mas onde a colaboração dos influenciadores será também fundamental para o seu sucesso. Razão também pela qual a Holanda criou uma lei que obriga a publicidade a indicar sempre que a forma, tamanho ou pele de um corpo tenha sido alterada através da edição, mesmo que apenas retoques. Esta lei estende-se a influenciadores, que também devem marcar imagens editadas, se estas forem pagas ou existir algum tipo de benefício.

A percepção da beleza, a saúde mental dos jovens e o isolamento social são temas que estão cada vez mais na ordem do dia, nomeadamente no âmbito das redes sociais e da forma como determinados assuntos são expostos. Se antigamente já era importante alertar para os perigos das redes sociais, hoje é essencial informar e dar a conhecer o outro lado do uso comum e diário destas plataformas.

Artigo publicado na Revista Marketeer n.º 301 de Agosto de 2021

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