Babu: entre o bambu e os plásticos reciclados

Foi há três anos que a marca Babu nasceu com o intuito de apresentar uma alternativa ecológica a um produto não reciclável: as escovas de dentes.

Lançava, assim, escovas de dentes em bambu. «Estima-se que anual- mente sejam utilizadas no mundo inteiro vários milhares de milhões de escovas, cujo plástico não é reaproveitado», explica João Jerónimo, fundador da Babu.
Agora, a Babu conta com uma gama que abrange não apenas artigos de higiene. Após as escovas, lançou canas de transporte para as escovas de dentes, seguiram-se os cotonetes – «artigo bastante importante como substituição aos tradicionais em plástico», sublinha o fundador – e um fio dentário com extracto de carvão activado numa caixa totalmente reciclável e biodegradável, cujo produto está alojado na própria embalagem, de modo a reduzir o desperdício.

As palhinhas em bambu são outra alternativa disponibilizada, como «forma de abolir a utilização de plástico num artigo que tem uma vida útil tão curta, como beber sumo ou chá, mas que, por seu turno, tem um grande impacto quando abordado na larga escala em que é consumido». E, há cerca de um mês, introduziu colheres, facas e garfos em bambu, disponíveis em vários kits, assim como esponjas konjac para cuidar da pele.

Tudo «produtos utilizados frequentemente e que agora podem ser substituídos por alternativas». A oferta da Babu começa nos 1,99 euros (o preço de cotonetes, palhinhas ou escovilhões de limpeza para estas últimas) e termina em 14,99 euros (por um conjunto de vários utensílios de refeição em bambu, que inclui estojo em algodão para os transportar, colher de café, colher, faca, garfo, palhinha, escovilhão de limpeza e pauzinhos). Mas, apesar da diversificação, as mais vendidas continuam a ser as escovas de dentes.

A Babu conta com seis tipos diferentes de escovas, em que existe uma oferta alargada de tipos de cerdas. E não esqueçamos o fenómeno desgaste: «É recomendável para uma boa higiene oral substituir a escova de três em três meses, ou quando aparenta notório desgaste.» Por todas estas razões e talvez mais, as escovas de dentes representam actualmente cerca de 50% da facturação, contudo, o responsável prevê que diminua a sua preponderância, fruto do aumento constante da gama de produtos.

Apesar de notar um aumento da presença da marca por via da crescente tomada de conhecimento e preocupação por novos hábitos mais ecológicos dos consumidores e da 2019crescente mediatização do problema ambiental, não foi isso que influenciou a criação da marca, garante: «A preocupação ambiental já existe em mim desde bastante novo.»

Daí que a marca tenha visto a luz do dia com a utilização de uma das plantas com maior crescimento do mundo, o bambu. Foi precisamente esta característica a razão para a escolha, já que a sua reprodução é tão rápida que permite a utilização para vários produtos. «Existem várias espécies de bambu no mundo inteiro, sendo que utilizamos uma originária da Ásia, o phyllostachys edulis, que, além de partilhar a característica de elevado crescimento, tem como outras vantagens o facto de não ser comestível para muitas espécies, como é o caso do panda, bem como propriedades antibacterianas», explica João Jerónimo.

E, uma vez que a produção da matéria-prima é na Ásia, foi escolhida esta região como local de produção dos produtos em bambu. «Acreditamos que a proximidade entre as plantações e posterior transformação representam uma menor pegada ecológica, ao ser transportado até nós só o produto já acabado e não a matéria em bruto», refere.

Ainda que não esteja nos planos abrir loja física, a porta não se fecha totalmente. «Não podemos responder pelo futuro, pois em última instância o nosso foco é entregar valor aos consumidores. Caso sintamos que poderia beneficiar da nossa presença numa loja, poderíamos considerar tal caminho.» O fundador não tem dúvidas de que na Babu vão continuar a registar um aumento do volume de negócios, até pela presença em noFoi vos mercados, especialmente europeus, bem como pela introdução de produtos que, acredita, terão boa aceitação.

Os mercados mais representativos fora de portas são o espanhol e o grego. Mas João Jerónimo acredita que o mercado brasileiro tem condições para superar estes dois mercados. Marcas próprias de distribuição Também as marcas da distribuição já deram conta deste tipo de mudanças. O Pingo Doce – que tem na sua missão a preocupação com o tema da reciclabilidade e reutilização dos materiais – fez recentemente uma campanha sobre produtos mais sustentáveis, em que comercializou escovas de dentes em bambu, loiças e palhinhas reutilizáveis, sacos para fruta e vegetais em algodão biológico, entre outros.

Findo o período, está a preparar a entrada em sortido permanente de alguns dos produtos que tiveram mais aceitação, como as escovas em bambu e os sacos reutilizáveis para a fruta e legumes, segundo fonte oficial: «Esta aceitação revela uma alteração de hábitos de consumo, resultante das preocupações com o ambiente, que vai demorar algum tempo até ser adoptado nas rotinas. O Pingo Doce acompanhará sempre os consumidores nesta mudança de comportamentos/ hábitos», garante.

Também os fabricantes estão a fazer este caminho de incorporar novos materiais e formas de fabrico, pelo que o Pingo Doce vai trabalhar em conjunto com os seus fornecedores tentando impactar o menos possível o consumidor final (em termos de preço). «Procuramos reduzir o impacto ambiental de produtos e serviços percorrendo lado a lado o caminho de um futuro mais sustentável com os nossos clientes.

Há já vários anos que procuramos ser mais sustentáveis», sublinha a mesma fonte. Um exemplo é o programa de Ecodesign de Embalagens, através do qual, garante, já reduziram «mais de 20 mil toneladas de materiais, como plástico, cartão e vidro». Assumindo também o compromisso de combater o desperdício e alertar o cliente para um consumo mais responsável, desde 2008 que a Auchan tem procurado alternativas aos tradicionais sacos de plástico. «Neste momento, temos disponíveis várias alternativas.

Desde sacos de pano, alcofa, papel, até sacos feitos de material 80% reciclado e 100% reciclável. E em Julho deste ano pusemos à disposição dos nossos clientes sacos de rede reutilizáveis para compra de frutas e verduras, uma alternativa sustentável aos sacos de plástico tradicionais. Também começámos a vender sacos de pano para o pão nos balcões de venda a granel de pão. Neste momento, estamos a implementar a possibilidade do cliente levar a sua caixa para levar os produtos de gastronomia, charcutaria, queijaria, peixaria e talho», conta Rita Cruz, gestora de Sustentabilidade e Ambiente da Auchan.

A par disso, na oferta de produtos destaca alguns mais sustentáveis. Em higiene, têm o copo menstrual, que pode durar até 10 anos, cotonetes com cabo de papel de origem sustentável e escovas de dentes de bambu. Na alimentação, a Auchan tem uma gama de descartáveis de pratos, tigelas, copos e talheres mais ecológicos.

Os pratos e tigelas são feitos de bagaço de cana-de-açúcar e os talheres de madeira de florestas geridas de forma sustentável. Aumentaram também a gama de produtos avulso e, neste momento, têm cerca de 600 referências entre especiarias ou comida para animais. Ao nível dos serviços há uma atenção especial à redução do desperdício.

«Nos nossos balcões de gastronomia e cafetarias, deixámos de ter palhinhas de plástico, e nos nossos MyCafés a loiça é toda reutilizável.» Rita Cruz deixa claro que a sustentabilidade e a promoção da economia circular são uma prioridade, na linha do seu compromisso com o Bom, o São e o Local. A empresa baseia-se numa estratégia que passa pela aplicação de 6Rs: Reduzir, Reciclar, Reutilizar, Recomendar, Repensar e Recusar.

«A nossa preocupação é gerar valor e passar parte desse valor para clientes e colaboradores. Queremos conti- nuar a inovar e a trazer alternativas mais sustentáveis para todos», assume. Todas estas ofertas e medidas que a Auchan tem vindo a implementar estão alinhadas com a sua estratégia de acabar com os plásticos de uso único.

E a responsável dá alguns exemplos da redução do impacto que conseguem medir: o saco de compras com 80% de material reciclado evitou 327 toneladas de plástico virgem; o do pão terá uma redução de cerca de 150 kg de plástico; o da fruta reduzirá cerca de nove toneladas de plástico; o fim da palhinha nas cafetarias evitará 100 kg de plástico; e os cotonetes não usarão 11 toneladas de plástico (comparando com 2017).

A preocupação, sempre, é de que qualquer custo adicional, que advenha da produção ou utilização mais sustentável dos produtos, não seja passado para o cliente, ou seja, que o preço final não seja maior.

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