As moscas que revelam segredos da morte: como a ciência está a usar insetos para resolver crimes

NotíciasSustentabilidade
Marketeer
06/09/2025
17:00
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Pode parecer macabro, mas os insetos que invadem um cadáver são, hoje, aliados valiosos da investigação criminal. A entomologia forense, o estudo da fauna cadavérica, permite estimar o momento e até as circunstâncias da morte com uma precisão surpreendente, especialmente em casos em que os métodos tradicionais falham.

As primeiras a chegar?

As Calliphoridae, moscas metálicas de cor verde ou azul, atraídas por compostos químicos libertados pelo corpo segundos após a morte ou até antes. Essas moscas depositam os seus ovos nas cavidades corporais e, a partir do desenvolvimento das larvas, os peritos conseguem calcular o intervalo post mortem (IPM), ou seja, quanto tempo passou desde a morte.

A ciência forense está a tornar-se mais sofisticada: os investigadores conseguem hoje identificar se o corpo esteve exposto, enterrado ou até se foi movido de lugar, com base na presença ou ausência de certas espécies. Casos reais na Argentina mostram como a análise de larvas ajudou a reconstruir a sequência de eventos num homicídio, inclusive determinando que a morte ocorreu na primavera, graças às condições ambientais favoráveis à presença de uma espécie específica de mosca.

Mais surpreendente ainda: certas espécies atacam tecidos vivos. Quando encontradas em cadáveres, podem indicar que a vítima ainda estava viva quando os insetos começaram a alimentarem-se, ajudando a identificar situações de negligência, abandono ou violência.

Neste cruzamento entre biologia, medicina legal e justiça, os insetos transformam-se em testemunhas silenciosas, mas incrivelmente precisas, daquilo que aconteceu. O que, para muitos, é apenas repugnante, para os cientistas forenses pode ser a chave para dar voz aos mortos.




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