Alguma vez imaginou que táxis e TVDE se poderiam tornar amigos?

Já foram inimigos declarados, mas parece que a necessidade de responder aos desafios de mobilidade dos clientes está a mudar o panorama. A Free Now reúne a partir de hoje, numa mesma plataforma e sob o mesmo chapéu, táxis, TVDE, trotinetas e bicicletas.

A app Kapten de mobilidade TVDE migrou para a Free Now, antiga MyTaxi. Ou seja, a marca Kapten desaparece e ficam táxis e TVDE todos juntos e amigos. Dentro da oferta de serviços da Free Now junta-se ainda a app de trotinetas eléctricas Hive (tudo dentro da mesma plataforma), ainda que o serviço de trotinetas continue independente. Numa só app, a Free Now dá a liberdade ao utilizador «de escolher o serviço que mais precisa, consoante as necessidades de mobilidade no seu dia-a-dia», explica André Amaro, head of Marketing da Free Now.

Uma vez mais, Portugal é o primeiro dos nove países a fazer esta migração total. André Amaro explana que se trata de um «mercado muito interessante, consolidado e aberto às novas tecnologias – características que determinaram que fosse eleito para implementar, de forma pioneira, esta agregação de diversos meios de transporte na mesma aplicação». Portugal foi também o país escolhido para acolher o centro de apoio ao cliente internacional da Free Now, uma decisão que não terá sido alheia ao facto de os portugueses terem a mais-valia de falar várias línguas.

Acompanhe a conversa com André Amaro que explica à Marketeer todos os detalhes desta operação.

Quais as vantagens para o cliente de juntar os serviços de TVDE e de táxis na mesma aplicação?

A grande vantagem de termos não só serviços de TVDE e táxi, mas também trotinetes e bicicleta eléctricas, numa só app é possibilitar ao utilizador a liberdade de escolher o serviço que mais precisa, consoante as necessidades de mobilidade no seu dia-a-dia. Esta liberdade de escolha dos nossos utilizadores faz com que a mobilidade esteja cada vez mais disponível para um maior número de pessoas. Há caminhos mais longos em que precisamos de um veículo e, dependendo de outras variantes como tempo e local de recolha, o táxi ou TVDE são soluções mais convenientes, mas para complementar a viagem ou mesmo para pequenas distâncias podem perfeitamente ser feitas com uma trotineta ou bicicleta eléctrica. É tendo em conta este comportamento dos utilizadores que queremos apresentar cada vez mais soluções adaptadas às necessidades do dia-a-dia.

Como é que os clientes encaram esta junção dos dois serviços na mesma aplicação de mobilidade?

O feedback que temos recebido tem sido bastante positivo. O facto de poderem ter várias alternativas – na verdade são quatro serviços – numa só app, é bastante vantajoso, uma vez que, basta fazer apenas um download, um registo e inserir apenas um método de pagamento, que funciona para qualquer um dos serviços seleccionados, seja TVDE, seja táxi, trotineta ou bicicleta. Estamos a contribuir para a tão desejada simplificação do dia-a-dia dos nossos utilizadores, que naturalmente agradecem.

Quais os motivos que justificam que passe a existir apenas uma marca?

Estando todas as marcas dentro da mesma aplicação, sendo todas do mesmo Grupo e oferecendo serviços de mobilidade complementares, faz todo o sentido, em termos estratégicos para a empresa, existir apenas a marca Free Now. Com o forte crescimento de todas as plataformas, as sinergias de fusão tornaram-se claras. Queremos oferecer opções de mobilidade mais abrangentes a todos os utilizadores em Portugal, bem como a todos os utilizadores da Free Now pela Europa fora, quando visitarem Portugal. No entanto mantemos a marca hive, no mercado da micromobilidade que, pela sua tipologia, merece uma marca com um posicionamento mais irreverente e jovem, convivendo na perfeição debaixo do ecossistema Free Now.

Não será confuso para o cliente no momento de pedir um veículo?

De modo algum. O cliente tem uma lista com as várias possibilidades de escolha e selecciona a que preferir. Em cada um dos veículos apresentados existe uma breve descrição e a escolha é feita desta forma, quando clica na opção de veículo. De qualquer forma é sempre uma boa ajuda conhecer os vários serviços e como cada um se complementa.

Como se distinguem os serviços?

Os quatro serviços (TVDE, táxi, trotinetes e bicicletas eléctricas) distinguem-se não só pelo próprio nome, como ainda pelo ícone associado a cada um deles, assim como a própria descrição de cada serviço. Além destas categorias oferecemos ainda a solução XL, Eco e transporte adaptado. Desta forma queremos cobrir a maior parte das necessidades dos nossos utilizadores, sendo, assim, a experiência muito mais orgânica e intuitiva.

O que significa a manutenção da independência da hive? É apenas uma questão de tempo até assumir também a designação Free Now?

A hive disponibiliza não só trotinetas, como também bicicletas eléctricas em algumas cidades europeias, como Lisboa, sendo o Porto a cidade que se segue após vitória no tender aí realizado. O serviço de micromobilidade começou em Novembro de 2018, precisamente em Lisboa, sendo posteriormente seguido por mais nove cidades europeias, estando agora disponível em três países. Desde Fevereiro de 2019, a hive passou a fazer parte do grupo Free Now, uma joint venture entre a BMW e a Daimler, um projecto que agora estará disponível na app Free Now para todos os utilizadores, seguindo a estratégia do grupo de ter uma app multimodal. A marca tem objectivos ambiciosos de inovação neste mercado de micromobilidade, como tal faz todo o sentido manter a marca como uma bandeira de futuro e com uma “atitude” dinâmica.

Ao nível tecnológico, o que é que esta migração implicou?

Em termos de tecnologia houve um enorme esforço de várias equipas de produto da empresa, espalhadas por Berlim, Hamburgo e Barcelona, onde se encontram os maiores centros de programadores. Claro que a equipa portuguesa teve também um papel fulcral durante todo o processo, adaptando o produto às especificidades locais. Como portugueses, esta é uma mudança que nos enche de orgulho já que lideramos este processo de integração de vários serviços, numa aplicação, e que permitirá à restante Europa seguir os nossos passos. É um exemplo perfeito da capacidade dos portugueses inovarem, mesmo em contextos difíceis como o actual.

E ao nível operacional, que implicações terá para as equipas?

Houve, obviamente, uma reorganização da estrutura e das equipas em Portugal, mantendo todos os recursos que tínhamos disponíveis. Adicionalmente o Customer Service Hub está implementado em Portugal e em fase de crescimento, sendo este mais um exemplo da aposta da Free Now em Portugal e nos portugueses.

Uma vez mais, Portugal vai ser o primeiro dos nove países a fazer a migração. O que é que faz de Portugal um bom mercado para esta introdução de alterações nas marcas?

Portugal é o primeiro dos nove países europeus em que a Free Now está presente a realizar esta integração. Temos um mercado muito interessante, consolidado e aberto às novas tecnologias – características que determinaram que fosse eleito para implementar, de forma pioneira, esta agregação de diversos meios de transporte na mesma aplicação. É um grande desafio, que reflecte o compromisso do grupo com o mercado português.

Portugal foi ainda escolhido para acolher o centro de apoio ao cliente internacional da Free Now. Quais as características de Portugal que o justificam?

Ter um centro especificamente dedicado a um determinado assunto, no nosso caso de apoio ao cliente, é sempre uma mais valia, uma vez que conseguimos reunir num só lugar os melhores profissionais da área. Portugal acabou por ser escolhido, pela mais-valia que os portugueses têm em falar várias línguas, nomeadamente os idiomas dos vários países onde a Free Now está presente. Estes países possuem também um alto nível de conhecimento, o que permite assim oferecer o apoio de excelência que pretendemos.

Em termos de recursos, o que é que esta decisão implica? Quantas pessoas e quais as valências que terão de ter estão a contratar?

No que toca a recursos, o número depende do ritmo de crescimento nos vários mercados, mas obviamente precisamos de um espaço maior e com as melhores condições, que permitam a este grande número de pessoas entregar o seu trabalho da melhor forma. Paralelamente estamos a estudar a melhor forma de implementar o teletrabalho facilitando o dia-a-dia a quem o pretender.

De que maneira está o negócio da Free Now a ser impactado com a pandemia e de que forma a mesma alterou os prazos de migração para a marca?

A pandemia obrigou-nos a adaptar o planeamento desta migração, enquanto em paralelo nos focámos na protecção dos motoristas e passageiros, que é e sempre foi, a nossa maior prioridade, principalmente agora no regresso à nova normalidade. Começámos por colocar 1500 divisórias de protecção nos veículos TVDE e táxi, bem como a desinfecção de 700 veículos e, neste momento, a colocação de divisórias físicas engloba já toda a frota da Free Now, garantimos que todas as viagens serão viagens mais seguras.

Também disponibilizamos máscaras e álcool gel a motoristas e passageiros. No que toca às trotinetes e bicicletas eléctricas da hive, foram reforçados os procedimentos de desinfecção com um aumento da frequência, sendo os equipamentos higienizados todas as manhãs. Consideramos que estamos muito bem preparados para liderar, no mercado da mobilidade, este regresso à normalidade. A Kapten agora é Free Now e sabemos como todos nós estamos ansiosos por liberdade.

Texto de Maria João Lima

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