A urgência da poupança com propósito

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30/01/2026
11:15
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Texto: Ana Paulo, Head of Life na Zurich

As previsões para os próximos anos apontam para uma redução das pensões públicas – estima-se, segundo a Comissão Europeia, que o rendimento da reforma poderá cair para apenas 38,5% do último salário em 2050. Já o Executive Opinion Survey, lançado em Dezembro de 2025, identificava a insuficiência dos serviços públicos e da protecção social como o segundo maior risco a curto prazo para os líderes empresariais do G20.

Este cenário exige que cada um adopte uma postura activa no planeamento da reforma. Hoje, a maioria dos portugueses depende da pensão da Segurança Social para garantir o sustento na idade da reforma, numa altura em que o rácio entre pensionistas e trabalhadores vai crescer para níveis que desafiam a sustentabilidade do sistema.

Neste contexto, reforçar soluções de poupança complementar, diversificar investimentos e promover a literacia financeira são imperativos nacionais. Na Zurich, acreditamos que o caminho começa na educação, desde cedo, e passa por um aconselhamento acessível, transparente e ajustado à realidade de cada cliente.

Apesar do aumento da taxa de poupança das famílias portuguesas, que atingiu 12,5% do rendimento disponível no terceiro trimestre de 2025, segundo o INE – o valor mais alto em mais de duas décadas –, continuamos abaixo da média da Zona Euro e ainda muito dependentes de depósitos bancários. Esta preferência por soluções de menor risco limita o potencial de valorização das poupanças e reduz a capacidade de resposta face à inflação, que já aumentou aproximadamente 40% nos últimos 20 anos.

O contexto fiscal português prevê benefícios para quem investe em produtos como PPR, incluindo deduções entre 300 euros e 400 euros, e taxas reduzidas sobre ganhos de investimento, mas estes incentivos estão praticamente inalterados há mais de duas décadas. É tempo de repensar e modernizar o enquadramento fiscal, tal como recomenda a Associação Portuguesa de Seguradores, propondo um aumento de 40% nas deduções dos PPR.

Além disso, é fundamental que, além do pilar público assegurado pela Segurança Social, Portugal aposte no desenvolvimento do segundo e terceiro pilares de poupança para a reforma, criando alternativas que envolvam empresas e trabalhadores na constituição de fundos privados de pensões, bem como soluções individuais como os PPR e outros produtos de investimento a longo prazo. Estes mecanismos permitem que cada cidadão complemente o rendimento futuro, ajustando o planeamento da reforma às suas necessidades e expectativas. A articulação dos três pilares torna o sistema mais resiliente e capaz de enfrentar desafios como o envelhecimento demográfico e a sustentabilidade financeira das pensões.

A experiência dos países europeus demonstra que a diversificação das fontes de rendimento na reforma contribui para maior estabilidade e qualidade de vida dos pensionistas, reforçando também a sustentabilidade do sistema. Por isso, é urgente que Portugal promova esta complementaridade entre os pilares público, privado e individual, estimulando uma cultura de poupança e responsabilidade financeira, mas sem perder de vista o papel central do Estado na protecção social. Mas o maior desafio reside na literacia financeira: Portugal ocupa o último lugar entre os 27 países da UE. O reforço da literacia deve ser uma prioridade, permitindo aos portugueses conhecerem melhor as opções de investimento, diversificarem as suas poupanças e planificarem o futuro com confiança. Neste contexto de incerteza e transformação, torna-se urgente apoiar as famílias portuguesas no planeamento do seu futuro financeiro. Garantir a poupança com propósito não só fortalece a estabilidade intergeracional e a segurança das famílias, como também contribui para o financiamento da economia e a resiliência financeira do País.

Este artigo faz parte da edição de Janeiro (n.º 354) da Marketeer.




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