A Moda nunca mais será a mesma: o que muda com a “quarentena de consumo”?

Cerca de 80% das empresas de moda da Europa e da América do Norte enfrentará dificuldades se as lojas ficarem fechadas durantes dois meses. A estimativa é apontada por um estudo elaborado pela The Business of Fashion e a consultora McKinsey, segundo o qual milhões de postos de trabalho estão em risco.

O mesmo estudo indica que os problema desta indústria começaram ainda antes da pandemia de COVID-19, embora o vírus tenha vindo adensar as adversidades já sentidas. Antes do surto, mais de metade dos retalhistas de moda presentes no índice global da McKinsey já apresentava dificuldades em termos de resultados financeiros. São descritas como “destruidoras de valor”, ou seja, o lucro registado não excede os custos de capital.

Segundo o estudo, “a pandemia é pior para este grupo [de empresas], que inclui grandes armazéns, marcas de massas e startups apoiadas por investimento de risco”. Além de dependerem muito do canal offline – que neste momento está vedado – estão a sofrer com uma mudança de prioridades por parte dos consumidores, que dão primazia ao bens essenciais.

Com o novo coronavírus, as previsões apontam para uma queda de até 30% nas vendas globais este ano. Olhando apenas para o mercado de luxo, o impacto deve ser ainda mais severo, com as vendas a cair até 40%. “Esperamos que um número significativo de empresas globais de moda entre em falência nos próximos 12 a 18 meses”, indica ainda o relatório.

Para 2021, a The Business of Fashion e a McKinsey estimam um crescimento de 2 a 4% em termos gerais. No segmento de luxo, a subida nas vendas deverá situar-se entre 1 e 4%. O regresso ao normal deverá ser lento ou poderá nunca vir a acontecer: os consumidores já davam sinais de alterações de comportamento antes da pandemia e a “quarentena de consumo” poderá acelerar essas tendências.

O estudo aponta para uma possível antipatia crescente face a modelos de negócio que resultem em desperdício, por exemplo, e maior exigência relativamente ao propósito e sustentabilidade das marcas.

Também deverá ser inevitável a digitalização das marcas e dos processos e o desenvolvimento de colecções sem estação, entre outros. “Coisas que teriam acontecido mais adiante se a pandemia não as tivesse ajudado a ganhar velocidade e urgência agora”.

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