A moda do futuro tem menos lojas e mais compras em segunda mão

Já é sabido que o comércio electrónico cresceu com a pandemia de COVID-19, uma vez que as pessoas limitaram as saídas de casa ao essencial. Se precisavam de uma televisão nova, de um livro ou de uma peça de roupa, as lojas online tornaram-se a opção mais conveniente e segura. Mas o que talvez não fosse tão óbvio era a ascensão do mercado de compra e venda em segunda mão.

«O COVID-19 contribuiu para uma maior responsabilidade individual. Creio que, pela primeira vez, vimo-nos realmente obrigados a uma maior consciência dos nossos actos», afirma Carmen Saenz Varona, responsável pela plataforma digital Best for Less. Em entrevista ao espanhol Status, sublinha como a reponsabilidade social não deve ser algo exclusivo das empresas e como a pandemia veio mostrar que cada pessoa pode fazer a diferença.

Segundo a também professora no Instituto de Empresa e na Universidad Carlos III, o mercado de segunda mão é a melhor maneira de consumir moda sustentável. Carmen Saenz Varona considera que se fala muito de sustentabilidade relativamente aos processos de produção e aos materiais utilizados, mas que o consumo em si fica de fora da conversa.

«Há estudos que confirmam que usamos apenas entre 30 e 50% do nosso armário e que vestimos as peças uma média de três a cinco vezes antes de as descartarmos», indica a especialista. Isto significa que há também um longo caminho a fazer no que concerne a optimização do consumo daquilo que é produzido pelas marcas.

A resposta poderá passar pelo mercado de segunda mão, historicamente ligado a períodos de crise. Segundo Carmen Saenz Varona, o início do boom deste tipo de compra e venda aconteceu durante a crise de 2009. Entretanto, a preocupação crescente com a sustentabilidade veio reforçar a tendência, que agora volta a estar na ordem do dia devido à crise sanitária provocada pelo novo coronavírus – e que resulta também numa crise económica.

Outra tendência será a diminuição do número de lojas físicas. Com a aceleração da transformação digital dos negócios e a quebra nas vendas, é natural que mais lojas se vejam obrigadas a fechar portas. Contudo, questões económicas à parte, a experiência física tem valor e a customer journey deve ser encarada no seu todo (online e offline).

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