O sistema educativo finlandês é frequentemente apontado como um dos melhores do mundo e com razão. Os relatórios PISA colocam consistentemente os alunos finlandeses entre os mais bem preparados, o que leva muitos países a tentar decifrar o “segredo” por detrás deste sucesso. Mas a resposta não é simples nem imediata. Como explica uma espanhola a viver na Finlândia, parte da excelência começa muito antes dos alunos chegarem à sala de aula: começa na seleção rigorosa de quem pode ensinar.
A utilizadora de TikTok @anna.matea, que reside e trabalha no país nórdico, desmistificou algumas ideias sobre o sistema finlandês e revelou uma realidade surpreendente: ser professor na Finlândia não é para qualquer um.
Uma das primeiras ideias a cair é a de que os alunos finlandeses não fazem exames. “Não há testes como em Espanha ou Portugal, em que tens de memorizar um programa inteiro e jogar tudo num dia. Mas existem provas de nível que servem para avaliar o progresso”, explica Anna. A diferença? Essas provas não contam para a nota final. São ferramentas de diagnóstico, não de punição, e ajudam a perceber onde cada aluno precisa de mais apoio.
As avaliações são contínuas, aplicadas de forma mais natural e menos stressante. “A professora não anuncia: ‘na próxima semana temos teste’. Simplesmente chega e entrega a folha”, conta.
Outra ideia recorrente sobre o sistema finlandês é que os alunos só aprendem através de projetos. Mas isso, diz Anna, é mais mito do que realidade. “Em pré-escolar, sim, trabalham por projetos e há um novo todas as semanas. Mas a partir do primeiro ano, há um ou dois projetos por ano que duram uma semana, no máximo duas. O resto do tempo? Trabalham com livros”.
As disciplinas-chave, como o finlandês e a matemática, continuam a ser ensinadas de forma tradicional, com recurso a manuais e metodologias estruturadas.
O ponto mais marcante do testemunho de Anna é, talvez, a exigência para quem quer ser professor. Ao contrário de outros sistemas, na Finlândia apenas os melhores conseguem entrar no curso de Educação. “Cada universidade tem o seu próprio processo de seleção e todos são duros”, explica. Além de exames escritos exigentes, os candidatos passam ainda por uma entrevista pessoal, onde se avalia a sua motivação, perfil e verdadeira vocação para ensinar.
“Mesmo que passes os exames, se não tens vocação, não passas a entrevista”, afirma, referindo que o mesmo se aplica a cursos como Engenharia. “Eu própria passei nos testes para Engenharia, mas digo desde já que não passaria a entrevista”, acrescenta com humor.
No final, a espanhola sublinha que o sucesso do modelo finlandês não depende apenas de metodologias ou exames. “Funciona porque há confiança mútua entre escolas, famílias e instituições. Não há conflito, há cooperação. Toda a sociedade rema na mesma direção.”














