A Adagietto sugere oferecer o que ninguém deveria (nunca) receber

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A campanha dos packs “Anti-Experiência”, para ajudar os refugiados de Cabo Delgado, tem a mão da Adagietto. A agência criativa desafiou os clientes a arriscar, a fazer diferente, e o resultado é, no mínimo, original e impactante.

Comprar uma experiência que não queremos viver. Este é o mote da nova campanha da Adagietto que tem o objetivo de alertar para a situação dos refugiados de Cabo Delgado, em Moçambique.

Existem agora mais de 800 mil deslocados internos em Pemba e nos arredores, mas também mais a sul, na província de Nampula. Mais de 1,3 milhões de pessoas foram afectadas pela violência, e quase três mil morreram vítimas deste conflito. Uma grave crise humanitária, para a qual a Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) quis alertar.

De mãos dadas com a FNAC, e em parceria com o Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS), a UNICEF e a Caritas, coube à Adagietto criar uma campanha “fora da caixa”. A missão da agência criativa era clara: «Procurar uma ideia desformatada, em que a mensagem não passasse despercebida como tantas vezes acontece», nas palavras do director criativo, Giba Barros.

«Para um tema tão urgente quanto o de Cabo Delgado, tínhamos de apanhar as pessoas desprevenidas e criar uma mecânica onde a ajuda pudesse materializar-se rapidamente. A partir dessa decisão estratégica, chegámos aos packs de experiência, mas de experiências que ninguém quer viver», explicou o responsável à Marketeer.

 

Tendo alcançado bem mais do que o briefing inicial propunha, a irreverência (e a humanidade) dos produtos, packs, filmes e o próprio site do projecto tiveram a assinatura da equipa da Adagietto, que tenta «sempre desafiar os clientes a fazer mais e diferente. A arriscar», destaca Gilberto Barros.

Esta é, aliás, a chave do sucesso da agência, que, aliada a uma equipa multidisciplinar, faz toda a diferença nas campanhas que cria. «O caminho que temos feito tem uma particularidade, todos se envolvem na criatividade. Criamos grupos onde todos participam para chegar à estratégia e ao conceito criativo, e depois cada área desenvolve a sua especialidade», adianta o responsável.

Analisando o perfil e o trabalho criativo sobre campanhas solidárias e comerciais, é na operacionalização da estratégia e no budget disponível que residem as grandes diferenças, principalmente quando há literalmente vidas em jogo.

«Os temas sociais são sempre mais difíceis, porque as verbas são reduzidas e a criatividade tem que suprir a falta de verba. Acaba, por isso, por ser um exercício importante, que pode (e deve) ser levado às marcas comerciais», sublinha o director criativo da Adagietto, deixando claro que o único limite de uma marca se associar a uma causa deve ser apenas o da «actuação directa em resolver problemas». «Esse tipo de actuação acaba por gerar goodwill e ser benéfico, tanto para as instituições, quanto para a marca que apoiam», conclui Gilberto Barros.

Criar uma experiência que não se quer viver, chama-se ajudar

Colocar no mercado os packs “Anti-Experiência” foi tão chocante quanto era a necessidade de ajudar. Era esse, aliás, o propósito da Adagietto: Alertar os portugueses para a situação vivida em Cabo Delgado e apelar a que comprassem simbolicamente aquilo que não se deseja a ninguém – “Fome”, “Sede”, “Medo” ou “Exílio” –, contribuindo para um bem maior, o de ajudar as vítimas dos ataques terroristas naquela região do País.

Uma prova de que as marcas podem ter também um papel a dizer em causas solidárias como esta. «Contar histórias de vida assim faz com que nos coloquemos nos lugares delas, e ninguém quer passar por uma coisa destas. Se pudermos contribuir de alguma forma para que as pessoas pensem uns minutos nisso, já fizemos algo importante», defende o director criativo, que destaca ter de haver, para um resultado assim, uma «relação próxima e de confiança entre a agência e o cliente», mais um ingrediente para esta que tem sido uma receita de sucesso.

Os packs estão disponíveis, desde o início de Setembro, em 12 lojas físicas e online da FNAC e também no site oficial do projecto. O preço de cada “Anti-Experiência” varia consoante a ajuda que cada um quiser dar – entre 20 a 50 euros –, sendo o valor revertido na totalidade para a causa de Cabo Delgado.

André Costa Jorge, coordenador da Plataforma de Apoio aos Refugiados, lembra que «estamos a falar de milhares de pessoas que perderam tudo o que tinham e que agora se vêem forçadas a começar a sua vida do zero. Não podemos ficar indiferentes ao seu desespero, são precisos gestos concretos de solidariedade que dêem esperança a quem passa por tanto sofrimento».

«Os packs pretendem, por um lado, sensibilizar para a vulnerabilidade do percurso migratório de quem foge da guerra, mas também dar aos portugueses a oportunidade de contribuírem para o futuro de muitas crianças e famílias deslocadas», reforçou o responsável pela PAR, que tanto tem contribuído para a missão de acolher em Portugal mais refugiados.

Independentemente do quão longe possa estar fisicamente a crise humanitária em Moçambique, ao adquirir qualquer um dos packs “Anti-Experiência” todas as pessoas poderão facilmente fazer a diferença.

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