A final do Mundial de Futebol confirmou que, mesmo sem Portugal em campo, o interesse dos portugueses pela competição se manteve em níveis elevados. O duelo entre Espanha e Argentina, transmitido pela RTP1, tornou-se o jogo mais visto do torneio sem participação da Seleção Nacional e terminou inclusive com audiências superiores a alguns jogos da equipa das quinas e como a quarta transmissão com maior audiência de todo o Mundial em sinal aberto, apenas atrás de três encontros de Portugal.
Refira-se, no entanto, que as duas partidas da seleção que reuniram menos portugueses em frente à televisão decorreram em períodos mais tardios (madrugada), nomeadamente o Portugal x Croácia (00h00) e o Portugal x Colômbia (0h30).
Ao mesmo tempo, o balanço global da competição mostra que o percurso da equipa portuguesa foi determinante para a evolução das audiências, que caíram após a eliminação nos quartos de final, mas recuperaram nas meias-finais e voltaram a atingir um pico na decisão do título.
Transmitida este domingo, a final entre Espanha e Argentina reuniu uma audiência média de 27,8%, correspondente a 2,760 milhões de espectadores, e um share de 53,9%. No total, a transmissão chegou a 5,519 milhões de portugueses e cada espectador acompanhou, em média, 50,6% do encontro.
Os dados são da WPP Media Intelligence, que revelam ainda que a audiência da final foi cerca de 4,2 vezes superior ao desempenho habitual da RTP1, confirmando o forte poder mobilizador do jogo decisivo do torneio.

O resultado colocou o duelo entre a Espanha e Argentina na quarta posição do ranking acumulado das transmissões mais vistas do Mundial em Portugal. À sua frente ficaram apenas Portugal x Espanha, Portugal x Uzbequistão e Portugal x RD Congo, evidenciando que apenas alguns dos jogos da Seleção Nacional conseguiram reunir mais espectadores do que a final da competição.
Bem diferente foi o comportamento da audiência na disputa do terceiro lugar. O encontro entre França e Inglaterra, transmitido exclusivamente na Sport TV 5, registou uma audiência média de apenas 1,5%, correspondente a 146 mil espectadores, e um share de 4%. Um resultado explicado, em grande parte, pelo facto de a partida não ter sido emitida em sinal aberto.
A análise minuto a minuto demonstra ainda que o interesse pela final foi crescendo à medida que o jogo avançava. A primeira parte registou uma audiência média de 28%, valor que subiu para 32,7% durante a segunda metade. Já o prolongamento concentrou o maior nível de atenção dos espectadores, atingindo uma audiência média de 33,7%, impulsionado por momentos decisivos como o golo da Espanha e a expulsão de Enzo Fernández. Mesmo o intervalo, preenchido pelo Halftime Show, que contou com atuações de artistas como Shakira, reteve o interesse do público, alcançando uma audiência média de 29,4%, praticamente ao nível da própria partida.
Também no digital, a final dominou o interesse dos portugueses. No Google, o jogo Espanha x Argentina ultrapassou as 165 mil pesquisas, impulsionado por nomes como Ferran Torres, Lionel Messi, Dani Olmo, Luis de la Fuente e Rodri. Já a disputa do terceiro lugar somou mais de 135 mil pesquisas, com destaque para termos como “onde ver”, Bukayo Saka e Jude Bellingham.
Na rede social X, os dois últimos jogos do Mundial monopolizaram as conversas, tendo a final colocado os dez temas mais comentados relacionados com a competição no Top 10 nacional, com Espanha, Messi, Rodri, Paredes e Shakira entre os principais destaques. Também a disputa do terceiro lugar conseguiu ocupar integralmente o Top 10 durante o período da partida, refletindo o elevado interesse gerado pelo desfecho do torneio.
No balanço global, o Mundial de 2026 alcançou 90,1% dos telespectadores portugueses, impactando cerca de 8,9 milhões de indivíduos. Os dados mostram ainda um índice médio de fidelidade de 50,1%, o que significa que, em média, os espectadores acompanharam pelo menos metade da duração dos jogos. A evolução das audiências acompanhou de perto o percurso da Seleção Nacional: os encontros de Portugal concentraram os maiores valores da competição, verificou-se uma quebra após a eliminação frente à Espanha e uma recuperação gradual nas meias-finais, culminando numa final que voltou a mobilizar milhões de portugueses em frente ao ecrã.
Os dados são da WPP Media Intelligence, a partir de dados da YUMI, Media Monitor, GFK CAEM TV, Google Trends e Trends24.












