Jovens exigem mais da comunicação dos políticos: presença nas redes sociais já não basta para mobilizar, diz IPAM

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09/01/2026
09:46
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A simples presença de partidos e candidatos nas redes sociais já não é suficiente para mobilizar os jovens eleitores, conclui um estudo recente realizado pelo IPAM Porto.

A pesquisa, que analisou a relação entre a comunicação política digital e o envolvimento cívico dos jovens, revela que fatores como a clareza, a transparência e a qualidade das mensagens estão a ganhar cada vez mais importância.

O estudo foi realizado em 2024 e replicado em 2025, em períodos próximos de atos eleitorais, com um público-alvo composto principalmente por jovens. De acordo com os resultados, 67,2% dos jovens consideram que a informação política digital é essencial para o seu envolvimento cívico. No entanto, a confiança nessa mesma informação é baixa: apenas 27,6% afirmam confiar na informação política que circula nas plataformas digitais. Este dado evidencia um crescente descompasso entre a exposição a conteúdos políticos e a credibilidade percebida dos mesmos.

A perceção de desinformação é um fator importante.
A pesquisa revela que 58,5% dos jovens reconhecem que as plataformas digitais contribuem significativamente para a disseminação de conteúdo duvidoso e pouco credível. No entanto, essa consciência crítica não parece afastar os jovens da política. Pelo contrário, o estudo do IPAM destaca uma maturidade crescente na forma como a juventude lida com as informações políticas, demonstrando que, ao contrário de se afastarem, os jovens estão mais atentos e exigentes na forma como consomem conteúdo político.
Outro dado relevante do estudo diz respeito à comunicação dos programas eleitorais. Apenas 35% dos jovens consideram que os partidos conseguem comunicar os seus programas de forma clara e objetiva. Curiosamente, esse grupo que considera os programas bem comunicados também tende a confiar mais nas informações políticas que circulam nas redes, reforçando a ideia de que a clareza nas mensagens tem um impacto direto no envolvimento cívico.

A transparência também se mostra um fator essencial.
Mais de metade dos jovens (51,1%) acredita que a comunicação política digital aumenta a transparência dos partidos e candidatos, uma percepção que está fortemente associada a níveis mais elevados de interesse e participação política. Esta tendência foi observada tanto em 2024 como em 2025, sugerindo que a clareza e a transparência são características cada vez mais valorizadas pelos eleitores jovens.

Apesar do olhar crítico em relação à comunicação digital, o estudo revela uma forte predisposição dos jovens para a participação eleitoral. 88,9% dos jovens inquiridos afirmaram ter votado nas últimas eleições legislativas, desafiando a ideia comum de apatia juvenil.

Catarina Domingos, professora do IPAM e uma das autoras do estudo, alerta que o principal risco para candidatos e partidos nas eleições presidenciais de 2026 não é a ausência nas redes sociais, mas sim uma presença sem clareza. “Num contexto de aproximação das eleições presidenciais, o principal risco para candidatos e partidos não é a ausência nas redes sociais, mas uma presença pouco esclarecedora. Estratégias centradas apenas no volume de conteúdos ou na multiplicação de plataformas tendem a ter efeitos limitados junto de um eleitorado jovem atento, informado e exigente. Para mobilizar este segmento, não basta estar online: é decisivo comunicar com clareza, consistência e transparência”, afirma.

O estudo do IPAM Porto, portanto, coloca em evidência uma juventude politicamente ativa, crítica e exigente, que não se deixa levar apenas pela quantidade de conteúdo digital, mas busca, sobretudo, informações claras, transparentes e bem estruturadas. Para conquistar esse eleitorado, a comunicação política digital terá de evoluir e adaptar-se a um novo cenário, mais exigente e mais consciente.




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