A corrida global pela supremacia em inteligência artificial está a provocar uma verdadeira guerra pelo talento e os salários milionários são agora a principal arma. Gigantes como a Meta, Microsoft e Google estão a oferecer valores sem precedentes para atrair os poucos especialistas capazes de desenvolver os sistemas mais avançados do mundo.
De acordo com a CNBC, o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, chegou a oferecer bónus de assinatura na ordem dos 93 milhões de euros a engenheiros da OpenAI, numa tentativa de reforçar a sua nova divisão AI Superintelligence Labs. Também o Google atraiu talentos com pacotes milionários, enquanto a Microsoft tem contratado silenciosamente dezenas de profissionais da DeepMind.
Os montantes elevados justificam-se pelos custos massivos do desenvolvimento de modelos de IA generativa. Por exemplo, o GPT-4 da OpenAI custou cerca de 74 milhões de euros, enquanto o Llama 3 da Meta ultrapassou os 158 milhões, segundo um estudo da Universidade de Stanford citado pela CNBC.
Esta concentração de talento nas mãos das Big Tech está a deixar startups e indústrias tradicionais para trás. O sector dos seguros, saúde ou logística precisa de inovação, mas não consegue competir nestes níveis salariais. O resultado? Uma lacuna de oportunidades e risco de estagnação tecnológica noutros sectores.
Enquanto os custos para treinar modelos de IA se mantiverem elevados, os salários de elite deverão continuar a subir. Se amanhã o custo de construir um modelo de IA descer dez vezes, os salários também deverão acompanhar. Mas, até lá, esta guerra pelos cérebros da IA veio para ficar.














