Universidade Portucalense: Capacitar para competir: um grande desafio dos profissionais

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22/07/2025
08:40
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Texto: Margarita Carvalho, Coordenadora do MBA Executivo, Universidade Portucalense

É evidente o esforço que Portugal tem vindo a desenvolver para reforçar a sua competitividade, bem como a crescente orientação do país para a transformação tecnológica e a promoção da inovação.

O policy paper da Fundação Francisco Manuel dos Santos sobre os impactos da inteligência artificial (IA) e da automação no mercado de trabalho português oferece uma perspectiva abrangente sobre como estas forças estão a reconfigurar o tecido empresarial. A principal conclusão? A inovação não é apenas necessária, mas urgente!

A digitalização apresenta contornos destrutivos, mas também de criação e transformação. Esta ideia remete-nos para o conceito de “destruição criativa”, de Joseph Schumpeter, segundo o qual a introdução de uma inovação substitui as existentes, destruindo assim empresas e modelos de negócios antigos e ultrapassados.

Se, por um lado, a digitalização poderá estar associada à substituição do trabalho humano por máquinas, por outro lado, a mesma permitirá melhorar a produtividade e contribuir para a transformação dos empregos e aparecimento de novas profissões.

Segundo os dados do estudo, cerca de um quarto da força de trabalho nacional beneficiará dos efeitos positivos da inovação digital, enquanto uma proporção semelhante encontra-se em profissões com risco elevado de obsolescência.

EMPRESAS NO CENTRO DA MUDANÇA

O impacto da digitalização não se limita ao mercado de trabalho. As empresas estão no centro desta transformação e as que tiverem capacidade para inovar nos seus processos, na sua cultura e na sua estrutura organizativa estarão melhor posicionadas para fazer face aos desafios que vão enfrentar na próxima década.

O estudo sublinha que as profissões com melhores remunerações e com maior nível de qualificações estão associadas a elevados níveis de exposição à IA.

Por exemplo, os trabalhadores nas “profissões em ascensão”, ou seja, associadas a competências avançadas e tecnológicas, auferem em média 1.987 euros mensais, contrastando com os 827 euros nas “profissões em colapso”, sendo estas as mais vulneráveis aos impactos negativos.

O mesmo estudo destaca ainda que 63% dos trabalhadores nas profissões em ascensão têm ensino superior, enquanto nas profissões em colapso esse valor fica apenas nos 5,4%.

A INOVAÇÃO COMO ESTRATÉGIA DE REQUALIFICAÇÃO

Inovar não significa apenas adoptar tecnologia, mas sim repensar modelos de negócio, reorganizar equipas e investir em competências humanas fundamentais. O estudo destaca a importância crescente de competências interpessoais como comunicação, criatividade, capacidade de resolução de problemas e gestão de informação.

Nas profissões em ascensão, cerca de 36% das competências valorizadas estão relacionadas com comunicação e criatividade, seguindo-se as competências de gestão (20%) e competências em informação (22%). Por sua vez, nas profissões em colapso predominam o trabalho físico e com máquinas, áreas com maior probabilidade de serem automatizadas.

Este facto torna evidente que a verdadeira inovação empresarial passa não só pela transformação tecnológica, mas também pela capacitação dos seus recursos humanos, promovendo a criatividade e a adaptabilidade.

REPENSAR MODELOS DE NEGÓCIO NA ERA DA INOVAÇÃO

A inovação já não é uma opção estratégica, mas sim um factor- chave para as empresas, tornando-se um imperativo estratégico de competitividade transversal a todo o tecido empresarial. As empresas que se souberem posicionar neste novo ecossistema, investindo na capacitação dos seus trabalhadores, adoptando tecnologias com visão estratégica e promovendo culturas organizacionais ágeis, não só sobreviverão como estarão mais capazes de competir num mercado global.

Mais do que uma destruição criativa, podemos falar hoje de uma verdadeira transformação criativa, entendida como um processo contínuo de adaptação e visão estratégica. A inovação assume-se, assim, como uma necessidade para as empresas redefinirem os seus modelos de negócio, desenvolverem estratégias que as capacitem e dotem de flexibilidade.

CAPACITAR PARA COMPETIR: O PAPEL DA FORMAÇÃO EXECUTIVA

Revela-se, assim, de especial importância o reforço das parcerias entre as instituições de ensino e as empresas, ajustando metodologias e conteúdos curriculares e disponibilizando também uma oferta formativa que se ajuste às necessidades do mercado.

Para este fim, a Universidade Portucalense tem-se posicionado no sentido de preparar e formar gestores que estejam aptos para fazer frente aos desafios com que as empresas se deparam actualmente, apostando na concepção de um MBA Executivo com forte ligação ao tecido empresarial e que privilegia uma abordagem prática e orientada para a obtenção de resultados concretos.

As parcerias com empresas e instituições reforçam esta conexão, assegurando a relevância e aplicabilidade do programa. Esta proximidade com a realidade empresarial é complementada com a realização de experiências imersivas em contextos empresariais globais, potenciando uma perspectiva internacional sobre os desafios de gestão em ambiente internacional.

Neste contexto, destaca-se a Semana Internacional em Paris, organizada em colaboração com a ICN Creative Business School, uma instituição com tripla acreditação internacional (AACSB, AMBA e EQUIS). Com o lema “From Heritage to Innovation”, esta semana oferece aos participantes uma experiência multicultural única, combinando sessões práticas em sala de aula, visitas a empresas multinacionais e contacto com organismos públicos de referência, todos com sede na capital francesa.

Esta componente internacional do MBA permite reforçar as competências criativas e estratégicas dos gestores, confrontando-os com contextos de inovação global e promovendo uma aprendizagem intensiva sobre práticas de gestão em ambientes multiculturais.

Além disso, o programa do MBA Executivo da Portucalense Business School inclui uma parceria com a AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, que proporciona aos participantes a oportunidade de trabalharem directamente com desafios concretos do tecido económico nacional e internacional.

Com um corpo docente especializado, projectos aplicados e metodologias inovadoras, o MBA promove a criação de redes de contacto e colaboração entre profissionais e instituições, contribuindo para a consolidação de uma nova geração de líderes preparados para a transformação criativa e tecnológica das suas organizações.

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Negócios 100% digitais”, publicado na edição de Junho (n.º 347) da Marketeer.




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