6 desejos criativos para 2018

Por Rodrigo Rodrigues, partner e Strategic Ideator na TorkeCC

Não sendo uma pessoa de grandes resoluções – fruto de um optimismo crónico já famoso e vítima de gozo entre os amigos – fui desafiado para pensar no que seriam os desejos criativos que gostaria de ver realizados em 2018.

Ficam, portanto, aqui provocações. Porque acho que é esse o papel de um estratega criativo que já entra em 2018 a fazer 10 anos de empreendedor nesta área e com 18 anos de projectos, desafios e afins.

Que arrisquemos

Deixemo-nos de medo e arrisquemos. A crise custou mas saímos todos dela mais fortes. A saber tomar melhores decisões e a fazer mais com menos. A discutir ROI de forma apaixonada e a conversar sobre emoção de maneira mais comedida. Somos de brandos costumes mas temos de ter mais auto-confiança para pôr em causa a forma de fazer as coisas para que sejam feitas coisas novas.

Ao termos marcas como LeasePlan, que se reinventam após anos de líder de mercado em B2B e se lança no B2C de forma audaz, temos um exemplo de uma marca que arriscou e que pode querer mais em 2018.

Que o digital seja mais… emocional

Não sou nada fã de lhe chamar “digital”, mas para aqui faz sentido. Parece redutor e antiquado considerando a forma como nos comportamos com o virtual e como ele tão bem (ou será mal?) se mistura com o real.

Mas aqui o desejo é que as marcas percebam que digital não é apenas conversão. Funis. CPCs e CPAs. Que um consumidor, uma pessoa, seja no Facebook ou no Instagram, procura uma conversa, um engagement que não deverá ser tão diferente como quando entra numa loja porque quer ver sapatos ou num stand porque quer ver carros.

Lembro-me de uma conversa com o fundador de Undandy, Rafic Daud, quando se criou um livro de etiqueta chamado Ways of the Undandy e que se transformaram em posts semanais para uma comunidade que privilegia o comportamento de um gentleman dos tempos modernos. Criaram-se conversas, trocaram-se piropos, viveram-se experiências divertidas e ao fim de tudo isso é que se sugere uma acção de compra. Tudo isto num post de Facebook. Parece vida real (pun intended) e é.

Que as marcas tenham um maior propósito

Antes de tudo mais, que “propósito” não seja apenas uma buzzword ou se use de forma tão promíscua que perca o seu real sentido.

Depois disso, que as marcas parem um pouco e relembrem o que de mais autêntico têm e se conseguem responder à questão fundamental que todos os consumidores parecem querer que tenha resposta: “What’s in it for me?”. E, cada vez mais, por detrás dessa pergunta fundamentalmente egoísta existe um crescente sentimento altruísta. Procuramos que as marcas representem algo, e porquê? Porque ao escolhê-las e ao “usá-las” esse algo diz algo sobre mim. Lá está o altruísmo egoísta.

De qualquer forma, lembramo-nos de projectos em que Rexona encontrou no seu propósito da superação a causa de criar a primeira escola de atletismo adaptado em Portugal. E com isso levou milhares de portugueses a se superarem e a querer de forma transpirada partilhar isso nas redes contaminando pessoas à sua volta.

Não tenhamos medo dos Millennials

A sério. Eles são pessoas como outras quaisquer. Apenas nasceram mais tarde e mexem melhor em tecnologia. O resto? Tudo igual. Apenas potenciado. Ou como dizia o poeta contemporâneo Lionel Ritchie: “Take away religion and politics and we are all quite the same”. Aqui não vou mencionar marcas. Elas andam aí.

Que se co-crie

Mudem o modelo convencional, obsoleto, ineficiente e irresponsável de trabalhar entre agência e cliente. Passem a colaborar mais, a criar coisas que são reais e que trazem resultados. Que não existam apenas para alimentar egos mas que façam a diferença para o tal propósito (ver ponto anterior). Que demonstrem que acreditam que o melhor trabalho é aquele em que todos foram envolvidos e puderam participar com a sua criatividade. Porque as melhores ideias são as que foram para a frente e aconteceram. Não as que teriam sido épicas se… Essas não têm valor. Não foram criadas. Apenas pensadas. Confiem na metodologia.

Que ganhem o Mundial

Não podia perder a oportunidade, já que estou numa de pedir algo para o ano. Mas num contexto mais adequado. É que a marca Portugal nunca foi tão pouco trabalhada mas nunca valeu tanto. É o que dá quando o produto é bom. E sem entrar em fundamentalismos sobre o valor do futebol (ou do futebol sem valores) a verdade é que ganhar um Mundial faz bem à marca. E ao País. E consequentemente ao “produto”. O interno bruto e o que leva turistas a virem conhecer-nos e pessoas a virem para cá viver.

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