A marca portuguesa Ownever escolheu provocar, em vez de celebrar de forma convencional, o Dia Internacional da Mulher. Através de uma imagem impactante, a insígnia congela simbolicamente o tempo para questionar a persistência da desigualdade salarial e o acesso desigual das mulheres a cargos de liderança.
A fotografia apresenta uma mulher vestida com referências estéticas de outra época — silhueta estruturada, tecidos clássicos e postura contida — rodeada por homens com fatos contemporâneos, associados a um discurso moderno de liderança. O contraste visual é deliberado: apesar da aparência de progresso, a igualdade plena continua distante.
A campanha não recorreu a inteligência artificial. A imagem foi captada pelo fotógrafo internacional Daryan Dornelles, numa composição pensada como um manifesto visual. O objetivo foi criar um espelho da realidade atual, evidenciando que, embora a linguagem e a estética do poder tenham evoluído, as estruturas de desigualdade permanecem.
De acordo com dados recentes do World Economic Forum, ao ritmo atual, a igualdade global de género poderá demorar cerca de 123 anos a ser alcançada. Em 2024, as mulheres representavam 41,2% da força de trabalho mundial, mas apenas 29,5% dos cargos de gestão sénior ocupados por profissionais com formação superior eram desempenhados por mulheres. O desfasamento entre qualificação e acesso à liderança continua a ser um dos principais entraves à paridade.













