Opinião de Hugo Silva, CEO United Creative e Curador da Exposição BPI AI Innovation Garden
Há uma sensação silenciosa que se espalha pelas empresas. Olhamos para a agenda, respiramos fundo e percebemos que é difícil chegar a todo o lado. Reuniões que se multiplicam, entregas urgentes que se estendem, projetos que prometem ser rápidos, mas consomem horas. Trabalhamos mais, mas sentimos que construímos menos.
A verdade é que não nos falta capacidade, falta-nos alavancagem. Durante anos tentámos vencer o tempo com esforço, quando o verdadeiro salto acontece ao mudarmos a forma como o tempo se comporta. A física já tinha dado a pista, o tempo pode ser vivido de forma diferente consoante a velocidade a que nos movemos. O mesmo, está a acontecer agora no nosso trabalho, impulsionado pela inteligência artificial.
Estudos recentes tornam esta mudança impossível de ignorar. A Harvard Business School em parceria com a BCG mostrou que equipas a usar GPT trabalharam cerca de 25% mais rápido e produziram resultados com mais 40% de qualidade, uma diferença que até há pouco seria impensável. Não é magia, é compressão de tempo aplicada ao trabalho real.
A Stanford com o MIT revelam que num grande call center com mais de 5 mil agentes, o acesso a um assistente de IA generativa aumentou a produtividade em cerca de 14 a 15%, medida pelo número de questões resolvidas por hora. O ganho foi ainda maior para trabalhadores menos experientes
O Federal Reserve Bank de St. Louis analisou o impacto da IA generativa e concluiu que os utilizadores poupam em média 5,4 % das horas de trabalho por semana, o que equivale a cerca de 2,2 horas numa semana de 40 horas.
Ainda assim, muitos continuam presos ao ritmo antigo, a operar como se a velocidade padrão fosse a única velocidade possível. A IA não é apenas um atalho para escrever e-mails, é uma alteração estrutural na forma como pensamos, planeamos e executamos. É uma nova unidade de medida do trabalho, em que o impacto deixa de depender apenas de horas acumuladas e passa a refletir a inteligência com que ampliamos o nosso alcance.
O futuro não vai distinguir quem trabalha mais, mas quem aprende a comprimir tempo, a multiplicar impacto e a construir sistemas que trabalham conosco. As empresas terão que valorizar menos a agenda cheia e mais a clareza em decidir o que merece atenção humana e o que pode ser acelerado por tecnologia.
Se há quinze anos tentávamos sobreviver a uma passadeira rolante, hoje podemos escolher sair dela. A questão já não é como gerir melhor o calendário, mas como criar velocidade profissional. E isso começa com uma decisão simples, experimentar, aprender e integrar a IA como o nosso braço direito.
O tempo não é fixo, é uma ferramenta. E quem aprender a moldá-lo vai liderar o futuro do trabalho.
Esta nova unidade de medida tem de entrar na equação de quem gere empresas privadas ou públicas, não a usar é como abrir uma loja em 2025 sem e-commerce, ficamos limitados ao que cabe dentro de quatro paredes enquanto o resto do mundo escala sem limite.












