A transição climática deixou de ser um desafio longínquo para se tornar uma exigência diária na indústria dos materiais de construção.
Com a transição climática no centro da sua estratégia, a SECIL tem reforçado o seu compromisso com a sustentabilidade e responsabilidade social, investindo de forma contínua em tecnologia, eficiência, circularidade e no envolvimento da comunidade onde opera. Para Pedro de Goulart Mendes, director de Marketing e Comunicação da SECIL, esta abordagem não se limita a responder às exigências ambientais; constitui também um compromisso de longo prazo com a inovação e a criação de valor partilhado.
Como é que a SECIL define a sua política de sustentabilidade e quais são as áreas prioritárias de actuação?
A sustentabilidade é um eixo central da SECIL, estando integrada na gestão dos seus processos de fabrico de cimento, betão e outros materiais de construção e na relação com as pessoas e os territórios. A nossa política procura equilibrar competitividade, responsabilidade social e protecção ambiental, alinhando-se com os compromissos nacionais e internacionais para a transição climática.
No plano ambiental, a prioridade é reduzir a intensidade carbónica do processo produtivo, modernizando fábricas, aumentando a eficiência energética e substituindo progressivamente os combustíveis fósseis. A economia circular e a valorização de resíduos são essenciais, assim como a preservação da biodiversidade, através da aplicação de planos de recuperação ecológica das pedreiras e restauração de habitats. A dimensão social completa esta visão, garantindo segurança, desenvolvimento das equipas e impacto positivo nas comunidades.
No âmbito dos compromissos de sustentabilidade 2020-2030, quais são as principais metas para a redução das emissões e promoção da economia circular?
A década 2020-2030 é determinante para o sector e para a SECIL. Assumimos um compromisso para este período com a SBTi (Science Based Target Initiative), alinhado com a trajectória europeia rumo à neutralidade carbónica. As metas passam por uma redução significativa das emissões de CO₂, através da modernização tecnológica das unidades, da eficiência energética e da substituição progressiva de combustíveis fósseis por alternativas limpas.
Em paralelo, reforçámos a economia circular, aumentando a integração de matérias-primas secundárias, valorizando subprodutos de outras indústrias e resíduos de construção e demolição, e promovendo o co-processamento como fonte alternativa de energia e matéria-prima. Estamos também a desenvolver cimentos e betões de baixo carbono, que garantem desempenho técnico com menor pegada ambiental.
Que estratégias e acções estão a ser implementadas para atingir a neutralidade carbónica até 2050?
A neutralidade carbónica orienta toda a nossa transformação industrial. Os projectos CCL e ProFuture são a base deste percurso, modernizando as fábricas e reduzindo de forma significativa as emissões. Estes investimentos ganham impacto quando combinados com a adopção crescente de combustíveis alternativos e a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis. Estamos também a estudar a próxima etapa: a implementação de tecnologias de captura e utilização de CO₂, que serão decisivas para alcançar a neutralidade carbónica.
Paralelamente, estamos a intensificar novos métodos de construção, como a construção modular em betão e a impressão 3D, que reduzem desperdícios, aceleram prazos e permitem edifícios mais resistentes e com melhor desempenho ambiental. O progresso é acompanhado com rigor através de relatórios de sustentabilidade, auditorias externas, certificações e Declarações Ambientais de Produto, garantindo transparência em cada etapa do caminho até 2050.
Como a SECIL integra os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nas suas operações e projectos?
A integração dos ODS acontece de forma prática e alinhada com a nossa realidade industrial. Cada projecto, seja uma modernização tecnológica, uma melhoria ambiental ou uma iniciativa social, é avaliado para garantir que contribui para metas como acção climática, uso eficiente dos recursos, energia limpa, protecção da biodiversidade, desenvolvimento das pessoas e impacto positivo no território.
Que abordagem a SECIL adopta para gerir a sua cadeia de valor, garantindo a colaboração eficaz com os stakeholders?
Gerimos a cadeia de valor com um foco claro em transparência e colaboração. Com fornecedores, privilegiamos relações estáveis e critérios que promovem ética, qualidade e responsabilidade ambiental. Com clientes e projectistas, fomentamos uma relação de parceria: disponibilizamos apoio técnico desde o projecto até à obra, garantimos informação clara sobre desempenho ambiental através das DAP, e reforçamos a proximidade com iniciativas como o SECIL Elevate.
Em que medida as certificações ISO podem contribuir para melhorar a qualidade, eficiência e sustentabilidade?
As certificações ISO são uma base estruturante para a melhoria contínua e que permitem sistematizar processos, reforçar a eficiência operacional e garantir que cada unidade cumpre padrões internacionais exigentes. A certificação ISO 50001 (Gestão de Energia) nas nossas fábricas de cimento ou a ISO 14001 (Gestão Ambiental) nas operações de cimento, betão e argamassas são um exemplo claro dessa abordagem, ao permitir uma gestão mais rigorosa dos recursos e uma redução consistente de consumos. Estas certificações reforçam a confiança de clientes e parceiros e sustentam a nossa estratégia de descarbonização e economia circular.
Que papel têm a inovação e a investigação no desenvolvimento de processos e produtos cada vez mais sustentáveis?
A inovação é o motor da transformação do sector e um dos pilares da nossa estratégia. Estamos a integrar inteligência artificial e machine learning para optimizar processos produtivos, melhorar o controlo de qualidade e aumentar a eficiência energética. Projectos como o SlumPro, o betão sensorizado, a impressão 3D e a construção modular, com a KREAR, demonstram como estamos a transformar a forma como se constrói: com menos desperdício, maior durabilidade e mais previsibilidade. Em paralelo, trabalhamos com universidades e centros tecnológicos para desenvolver cimentos e betões de baixo carbono que respondam às exigências da transição climática.
Como a SECIL capacita os seus colaboradores tendo em vista as metas de sustentabilidade e responsabilidade social?
A capacitação dos colaboradores é um eixo fundamental da nossa estratégia. Investimos em programas de formação contínua, tanto em áreas técnicas, como processos industriais, sustentabilidade, energia, digitalização e IA, como em temas ligados à segurança, à saúde e à cultura organizacional. A nossa ambição é simples: garantir que todos, independentemente da função, se sentem parte activa deste caminho rumo à neutralidade carbónica e ao impacto social positivo.
Quais são os projectos ou as iniciativas de responsabilidade social da SECIL para apoiar as comunidades locais?
A SECIL tem uma relação muito próxima com as comunidades onde opera e assume um papel activo na criação de valor local. Em várias regiões, somos um dos principais motores de desenvolvimento económico, garantindo emprego qualificado, estabilidade e oportunidades de crescimento profissional.
A par desta contribuição económica, desenvolvemos um conjunto de iniciativas sociais que reforçam o nosso compromisso com as pessoas. Trabalhamos com instituições locais em áreas como a educação, cultura, inclusão social e desporto, apoiamos projectos que promovem a qualidade de vida e investimos na valorização dos territórios, através de programas de recuperação ecológica das pedreiras e acções dedicadas à preservação da biodiversidade. Promovemos também a ligação ao talento nacional através dos Prémios SECIL, que há mais de 30 anos aproximam a indústria da academia e incentivam a excelência na engenharia e na arquitectura portuguesas.
De que forma promovem o voluntariado entre os colaboradores e como estes projectos reflectem o compromisso do grupo com a comunidade?
O voluntariado corporativo é uma extensão natural da cultura da SECIL, baseada na responsabilidade, na colaboração e no contributo para o bem comum. Incentivamos os colaboradores a participar activamente em iniciativas sociais e ambientais, criando oportunidades para que cada equipa possa envolver-se em acções de reflorestação, limpeza e recuperação de espaços naturais, apoio a instituições locais ou actividades de educação ambiental junto de escolas e associações. Para além das acções colectivas, a SECIL dá até 2 horas, por semana, a cada colaborador, por acções de voluntariado individuais.
Como é que a participação da SECIL em associações e redes internacionais de sustentabilidade contribui para promover as melhores práticas no sector?
Participar em redes internacionais permite-nos antecipar tendências, acelerar a inovação e adoptar as melhores práticas globais em descarbonização, economia circular, digitalização e tecnologias emergentes. Estas plataformas de colaboração reforçam a nossa posição como referência nacional na transição climática e asseguram que o que fazemos em Portugal está alinhado com o que de mais avançado se desenvolve no sector a nível mundial.
Que visão a SECIL tem para o futuro da sustentabilidade?
Com o futuro do sector marcado por soluções de baixo carbono, processos digitalizados e ciclos produtivos cada vez mais circulares, o nosso papel passa por contribuir activamente para uma indústria mais sustentável e para comunidades mais resilientes, mostrando que o futuro do sector está, de facto, a ser construído hoje. A SECIL quer estar na vanguarda desta transformação, desenvolvendo produtos e tecnologias que combinem desempenho, menor impacto ambiental e inteligência construtiva. A meta de neutralidade carbónica em 2050 orienta todas as nossas decisões e reforça o objectivo de demonstrar que é possível crescer com responsabilidade, eficiência e inovação.
Este artigo faz parte do Caderno Especial “Sustentabilidade e Responsabilidade Social”, publicado na edição de Dezembro (n.º 353) da Marketeer.














