Sair da zona de conforto, é desconfortável!

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Marketeer
23/10/2025
20:03
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Opinião de Livia Gameiro, Marketing & Communication Specialist na LTPlabs

Há pouco mais de um século, meu avô saía de Vila do Conde rumo ao Rio de Janeiro, sozinho e sem saber o que esperar. Hoje, sou eu que faço o caminho inverso e comprovo que mudar permanece um desafio.

A adaptação a uma nova cultura, a novos costumes, a palavras iguais mas com significados diferentes exige flexibilidade mas foco e humildade. E os desafios são válidos quer para pessoas, quer para organizações.

Será, então, que o mercado B2B acaba por ser um espelho da nossa vida pessoal? Quando se quer expandir – seja por desejo ou sobrevivência, vai-se em busca de algo mais além, rompe-se a barreira do conhecido e é imperativo, a partir daí, adaptar-se. Vale para ambos.

Sair da zona de conforto, é desconfortável! Empresas portuguesas que desejam ou estão no processo de expandir-se estrategicamente para o Brasil, assim como as empresas brasileiras que almejam entrar no mercado português, precisam perceber que, apesar do mesmo idioma, é necessário conhecerem-se bem e adaptarem-se.

Por exemplo, a palavra retalho existe em ambos os países, mas com significados diferentes. E este exemplo comprova que falar a mesma língua, pode não ser suficiente.

A curiosidade e o interesse genuíno pelo mercado de destino são essenciais ao longo do processo, de forma que o marketing-mix seja elaborado a partir do conhecimento do mercado que se quer atingir, e não do mercado de origem. A bagagem que se traz é importante, porém torna-se crucial ter a consciência e a humildade de que se vai adquirir novas e que, apesar de desafiador, será também uma jornada recompensadora.

A cultura também precisa ser levada em consideração no processo de internacionalização. É preciso uma autorreflexão profunda acerca do discurso, do tom, da narrativa, do uso de vocabulário, até de timings de contactos, agendamento de reuniões, entregas de propostas. O mercado brasileiro, por exemplo, mostra-se bem dinâmico e valoriza a questão relacional ao longo do processo comercial, enquanto outros mercados podem valorizar um processo mais formal e ponderado.

Seja nos negócios ou na vida pessoal, no caminho da adaptação, não há certos ou errados. E torna-se imprescindível dissociar o “outro” do “eu”, – mesmo falando a mesma língua. Expandir-se precisa de ser, antes de tudo, um exercício de humildade e aceitação – olhar para o outro não com olhos de julgamento, mas reconhecer que ele é diferente e não uma extensão de nós.




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