Quando o cliente chega…pelo ChatGPT

OpiniãoNotícias
Diana Moreira
10/11/2025
17:57
OpiniãoNotícias
10/11/2025
17:57
Quando o cliente chega…pelo ChatGPT

Partilhar

Opinião de Diana Moreira, Project Manager da Shift

Escolha a Marketeer como fonte preferida no Google Escolher ›

Durante anos, a fórmula para dominar o universo digital parecia clara. A nossa missão era atrair, converter e fidelizar. Simples. O caminho começava quase sempre no Google com uma pesquisa, depois um clique, um website, um contacto. Mas, nos últimos tempos, tenho reparado em algo novo, assim que começam a chegar clientes que dizem: “Encontrei-vos porque o ChatGPT me recomendou.” Não pesquisaram, não seguiram um link, não receberam uma recomendação humana. Foram orientados por um texto de Inteligência Artificial (IA). E isto muda o jogo.

O próprio Google, ao integrar respostas geradas por IA generativa diretamente nos resultados de pesquisa, está a reduzir o número de cliques que direcionam para os websites. Por isso, as pessoas estão agora a ler conteúdo sem ter sequer de entrar numa página, o que não pode ser ignorado. Segundo um estudo da BrightEdge, a taxa média de cliques em websites de terceiros caiu cerca de 30% desde maio de 2024, altura em que o AI Overviews da Google foi expandido globalmente.

Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade

Quando a mediação passa dos motores de busca para os modelos de linguagem, a relação que tínhamos criado entre marcas, conteúdos e audiência reconfigura-se. Por isso, sim, o conteúdo até pode continuar a ser o Rei, mas o trono parece que mudou de lugar. E o que é que isto implica para as empresas que têm investido em Search Engine Optimization (SEO), blogs, artigos e redes sociais?

O investimento continua a fazer sentido, mas não da mesma forma, seguramente. Já não basta escrever para humanos, porque agora é preciso escrever igualmente para “máquinas”. O objetivo não é apenas atrair cliques, mas também alimentar o ecossistema de conhecimento que a IA generativa usa para responder com autoridade. Ou seja, o website passa a ser tanto vitrine como fonte de treino. E importa refletir sobre se queremos ser apenas dados num modelo, ou se queremos garantir que, quando a IA fala sobre o nosso setor, fala com a nossa voz.

Há aqui uma ironia interessante. Durante décadas, investimos em User Experience (UX)/User Interface (UI), em design, em experiência e em narrativa para conquistar a atenção humana, mas, agora, percebemos que uma boa parte do que criámos até pode ser “lido”, mas já não vai ser “visto” por pessoas.

Continue a ler após a publicidade

As recomendações automáticas não se vão deixar influenciar por layouts, paletas de cores ou animações de menu. Vão basear-se nos conteúdos, na consistência, na relevância semântica, nas reviews e nos backlinks. Mas, felizmente para o mundo dos criativos, este é apenas o primeiro lado da moeda. Quando o utilizador, humano e real, quiser confirmar a recomendação que recebeu, volta a ser necessário dar uma boa resposta às emoções, aos sentidos e às expectativas. E é aí que o design, a experiência e o detalhe voltam a ser decisivos, já não para atrair algoritmos, mas para conseguir conquistar as pessoas.

Por isso, não se trata de abandonar o humano. As redes sociais, a publicidade e a experiência visual continuam a ser essenciais. E até podem não ser para a tecnologia, mas são para a confirmação emocional que as pessoas procuram depois de uma recomendação. A IA generativa pode sugerir a marca certa, mas é nas redes, no website e no contacto direto que o cliente decide confiar ou não, pelo menos por enquanto. Talvez a nova função das plataformas sociais passe menos pela fase da descoberta e mais pela validação das marcas e das empresas.

O SEO tradicional dá lugar ao Large Language Model (LLM) Optimization, uma nova disciplina que junta branding, conteúdo e semântica. E também o investimento em anúncios muda de forma, com a possibilidade do Search Engine Marketing (SEM) se tornar um luxo obsoleto. Se a IA for o novo “primeiro resultado”, não há espaço pago que garanta o destaque. As marcas terão de competir por relevância cognitiva e não pelo top do rank de página. Assim, o desafio está lançado. Vamos garantir que o utilizador nos encontra, mesmo quando já não é o próprio que procura, mas a máquina que recomenda?






Notícias Relacionadas

Ver Mais