À medida que o calendário avança para o final do ano, multiplicam-se as trocas de presentes, um hábito tão familiar que raramente paramos para questionar a sua origem. Contudo, refere a BBC, por trás deste gesto aparentemente simples esconde-se uma longa história de significado social, estudada por antropólogos que veem no presente muito mais do que um objeto embrulhado.
O antropólogo Chip Colwell, citado pela BBC, defende que “oferecer faz parte da própria estrutura das relações humanas. Ao longo da evolução, partilhar bens foi essencial para criar alianças, assegurar apoio mútuo e fortalecer grupos. Assim, aquilo que hoje fazemos em ambiente festivo pode ter raízes muito antigas, ligadas à sobrevivência e à cooperação”.
Refere a noticia que a teoria mais marcante sobre o tema surgiu em 1925, quando Marcel Mauss publicou um ensaio que se tornaria fundamental para a Antropologia moderna. “Ao analisar rituais de várias sociedades, Mauss concluiu que presentear não é apenas um ato de generosidade, mas um mecanismo que cria obrigações recíprocas”. Para ele, cada presente “impõe três movimentos: alguém dá, alguém aceita e, mais cedo ou mais tarde, alguém devolve. Não se trata de uma regra escrita, mas de um entendimento tácito que mantém viva a relação entre as pessoas”.
Esta lógica explica por que razão a troca de presentes permanece tão relevante.
Um presente representa a vontade de manter um vínculo, reconhecer a importância do outro e demonstrar respeito, sublinha. “É também uma forma de reforçar a coesão dentro de uma comunidade, seja ela uma aldeia tradicional, uma família moderna ou um grupo de amigos que se reúne apenas uma vez por ano”.
Hoje, porém, esta prática enfrenta um novo desafio.
O consumismo transformou a troca de presentes num fenómeno de escala industrial, por vezes distante do propósito original. “Muitos compram por obrigação, acumulam sacos e embrulhos sem grande reflexão e acabam por oferecer objetos que pouco dizem a quem os recebe. A pressão para gastar, e para impressionar, obscurece frequentemente o valor simbólico que o presente deveria carregar”.














