Uma intervenção inesperada no Museu Nacional de Cardiff, no Reino Unido, surpreendeu visitantes e especialistas em arte: uma obra gerada por inteligência artificial (IA) foi pendurada nas galerias sem qualquer autorização. Intitulada “Prato Vazio”, a imagem mostra um menino de uniforme escolar segurando um prato de comida vazio e permaneceu exposta durante várias horas antes de ser identificada como não pertencente ao acervo oficial.
A peça foi criada a partir da combinação de desenhos manuais com retoques digitais feitos por IA. A instalação foi pendurada cuidadosamente e acompanhada de uma etiqueta que aparentava ser oficial, indicando que se tratava de uma impressão digital em papel, moldura personalizada e edição limitada. Muitos visitantes acreditaram tratar-se de uma nova aquisição ou exposição temporária. Mais tarde, os funcionários perceberam que a obra não constava nos registos internos e removeram-na do espaço. O museu confirmou o incidente, mas não revelou o número de pessoas que terão visto a peça nem a duração da exposição.
Episódios como este destacam o debate sobre o uso da inteligência artificial na arte contemporânea. Enquanto alguns críticos defendem que estas criações podem ser consideradas uma extensão legítima da expressão humana, outros questionam a autoria e o papel tradicional do artista.
A obra “Prato Vazio” tornou-se, mais do que uma simples imagem, um reflexo do momento atual, em que a fronteira entre humano e máquina, criador e algoritmo, se torna cada vez mais ténue. O incidente evidencia a necessidade de museus e galerias definirem estratégias claras sobre a exposição de obras criadas ou “assinadas” por IA, reforçando a discussão sobre autenticidade artística na era digital.
Enquanto o Museu Nacional de Cardiff ajusta as suas medidas de segurança, o caso junta-se a outros exemplos que mostram como arte e tecnologia estão a convergir, provocando novas formas de interação e reflexão no público.














