O fismuler de Lisboa tem salero e muito, muito mais que o escalope

Good LivingNotícias
Maria João Vieira Pinto
31/10/2025
12:43
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31/10/2025
12:43


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Confesso: nunca tinha ido ao fismuler a Madrid e nem tão pouco ao de Barcelona. Sim, no nosso vizinho há dois espaços da marca.

Por M.ª João Vieira Pinto

Por isso, quando me convidaram a experimentar o fismuler que este Verão chegou a Lisboa e se instalou no rés-do-chão do hotel ME Lisbon by Meliá, bem na esquina da Avenida Augusto Aguiar com a Fontes Pereira de Melo, achei por bem ir, claro, mas também bem acompanhada. Se assim o pensei, melhor o fiz e levei uma amiga que de cor conhece a carta, ou não tivesse já ido, voltado e repetido o fismuler.

Claro que por mais ignorante que eu estivesse naquele momento, sabia pelo menos que há um prato que é ex-libris e jóia da coroa por terras espanholas. Espame-se: o escalope panado. Nem mais. Nada de porções reduzidas e enfeitadas. O escalope panado, isso mesmo.

Só que como tenho alguma dificuldade em lidar com essa carne vermelha, entre conselhos de quem nos recebeu (com uma simpatia de aplaudir) e sugestões da minha querida amiga – sábia do Fismuler -, lá nos aconchegamos com muito salero por umas horas.

Mas já lá vamos, a esse desfile.

Antes disso, dizer que este é um espaço que desde sempre foi pensado para a partilha. Quer-se sem vaidades, desempoeirado, com boa comida e liberto de tendências ou modas gastronómicas. Em Madrid, abriu em 2016 sob os comandos do chef Nino Redruello – chef de cozinha e quarta geração da família La Ancha -, a que se seguiu Barcelona dois anos mais tarde. Nesta que é a primeira saída de Espanha, o espaço quis manter ambiente e carta, mas com jeitos e produtos de cá, entre vegetais ou peixes frescos que casam e se combinam de forma intensa com uma mão cheia de temperos e ingredientes que fazem receitas por lá, como as fermentações que o chef não dispensa!

A ideia de trazer a marca para Lisboa surgiu pela parte da equipa do ME Lisbon by Meliá, com a família La Ancha a dizer que sim desde logo. «A vida foi-nos mostrando que é possível expressar qualidade e ter liberdade num ambiente informal. Sei que este é o melhor momento para o fismuler», declara Nino Redruello.

Então vamos lá. Para começar, como disse, o ambiente é descontraído e faz apetecer querer ficar, com a cozinha aberta para a sala a ajudar.

Sentando-se à mesa, a carta desenhada tem uma espinha dorsal fixa, composta por clássicos de Espanha que chegaram até cá, mas pode ser ajustada, literalmente, todos os dias, como nos garante o chef residente Nuno Dinis – sendo que em Lisboa está ainda o chef executivo da família La Ancha, Manuel Villalba. Resumindo, há todo um best of dos pratos mais populares do fismuler de Madrid, técnicas que são já uma marca da casa, como o arroz, as leguminosas ou as omeletes, com um certo código de serviço, e, depois, ajustes e produtos locais.

Dizem-nos que os que mais procura têm são a bocata de orelha crocante com salsa brava, a dourada de esteiro, amêndoa e uva tinta, a tarte tatin de alho francês com mortadela trufada, o pregado grelhado com alface roxa, vagens e algas, o bife tártaro fismuler com torrada de massa mãe e, claro, o mais que famosíssimo escalope san román, com ovo e trufa, finalizado à frente do cliente – e que deu origem a uma marca de delivery em Madrid chamada Armando.

Pois, não fomos por aí e quisemos desbravar terreno – até porque, lá está, a minha amiga já sabe de cor e salteado sabor e temperos do dito escalope. Por isso, iniciámo-nos com umas belas ostras da Ria Formosa. É que se as ostras são boas, já é meio caminho andado para que tudo o resto corra bem! E eram, de facto.

De seguida, chegaria à mesa um belíssimo prato de atum rabillo com laranja sanguínea e tamarilhos, que não deixou espinhas para contar história. E, em jeito de aconchego, fechámos com um arroz malandro de choco e caranguejo frito que nos fez rapar o tacho…

Ainda nos tentámos com a tarte de queijo. Mas, aqui, a receita pede três queijos, o que a faz mais forte do que é habitual encontrar. Como já estávamos mais que felizes, uma colher para o café chegou… até uma próxima viagem, que esta carta tem muito para explorar, digo-lhe eu!

Horários e informações Avenida Fontes Pereira de Melo, 7F +351 218 386 096 Almoço Segunda a quinta: 12h30-15h00 Sexta a domingo: 13h00-15h00

 

NOTA

Quem é o chef Nino Redruello?

Faz parte da quarta geração de uma família de restauradores que remonta ao ano de 1919, quando o seu bisavô abriu a primeira taberna, em Madrid. A paixão pela cozinha chegou cedo, nos verões passados no La Ancha, o primeiro restaurante da família, onde aperfeiçoou habilidades, técnicas, gostos e desenvolveu um profundo interesse pela culinária, que viria a definir a sua vida. Formou-se na escola de Luis Irízar, em San Sebastián, e trabalhou em restaurantes como o Arzak, o El Bulli e o Lindsay House, entre outros. Observador, curioso e humilde, Nino valoriza, acima de tudo, os detalhes meticulosos – pois acredita que o sucesso de qualquer plano depende deles.

 




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