Medicação e alimentação: um simples prato de comida possa alterar a forma como um medicamento age no corpo

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02/11/2025
20:52
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A interação entre os alimentos que consumimos e os medicamentos que tomamos pode ter efeitos inesperados e, por vezes, até perigosos. Embora muitos de nós não imagine que um simples prato de comida possa alterar a forma como um medicamento age no nosso corpo, as evidências científicas demonstram que isso pode acontecer de formas surpreendentes.

Um exemplo clássico é o caso do Viagra, um medicamento utilizado para tratar a disfunção erétil. Um homem na Índia tomou a dose recomendada de sildenafil, mas antes disso consumiu uma grande quantidade de sumo de romã. Como resultado, a combinação provocou uma amplificação inesperada do efeito do medicamento, levando a uma ereção prolongada e dolorosa. Este é apenas um caso isolado, mas ilustra bem como certos alimentos podem interferir com os medicamentos de maneiras imprevistas.

Há muito tempo se sabe que certos alimentos podem afetar a ação de medicamentos no organismo. Por exemplo, a toranja (ou grapefruit) é conhecida por interagir com várias medicações, como as estatinas (usadas para reduzir o colesterol) e alguns medicamentos para a hipertensão. A fruta pode aumentar a quantidade do medicamento absorvida pelo corpo, o que, em alguns casos, pode levar a efeitos colaterais graves ou até mesmo tornar as doses normais tóxicas. A toranja age inibindo uma enzima no fígado, que é responsável por metabolizar muitos medicamentos, fazendo com que estes permaneçam no corpo por mais tempo.

Outros alimentos também podem causar interações adversas. Alimentos ricos em fibra, por exemplo, podem reduzir a eficácia de alguns medicamentos, dificultando a absorção dos mesmos. Além disso, produtos lácteos, como leite e queijo, podem interferir com a absorção de antibióticos, como a ciprofloxacina, o que diminui sua eficácia. Esse efeito é muitas vezes referido como “efeito queijo”, dado que a caseína, uma proteína do leite, pode se ligar aos antibióticos no trato gastrointestinal, impedindo que sejam absorvidos corretamente.

Por outro lado, algumas interações entre alimentos e medicamentos podem ser benéficas. Cientistas estão a investigar como a alimentação pode ser usada para potenciar o efeito de certos tratamentos. Estudos têm sugerido, por exemplo, que uma dieta com baixo teor de açúcar pode melhorar a eficácia dos tratamentos contra o câncer, uma vez que o aumento do açúcar no sangue pode interferir com o funcionamento de certos medicamentos.

Ainda assim, a compreensão das interações entre alimentos e medicamentos é um campo em crescimento, e muitos destes efeitos são complexos e difíceis de prever. O metabolismo humano é uma máquina intricada, e as reações entre diferentes substâncias podem ser imprevisíveis. Por isso, é fundamental que os médicos orientem os pacientes sobre o que podem ou não consumir enquanto estão em tratamento.

Em alguns casos, evitar certos alimentos antes ou depois de tomar um medicamento pode ser o suficiente para garantir que o tratamento seja eficaz. A solução, em muitos casos, é simples: tomar os medicamentos em jejum ou depois de uma refeição, mas sem consumir alimentos que possam interferir com a absorção ou a metabolização do medicamento.

 




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