Mateus Hotel: Viver o Chiado pelos olhos de quem o visita

Na cama deGood Living
Maria João Lima
13/08/2025
15:56
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Maria Joao Lima
13/08/2025
15:56


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Bem perto da rua cor-de-rosa, em Lisboa, há um outro espaço que veste essas cores e que merece uma visita por todos aqueles que são apaixonados por marcas com história, como nós.

O Mateus Hotel ocupa os dois últimos pisos do Independente Lisboa-Bica, uma antiga pensão erguida em 1849, no coração da Rua de São Paulo, uma animada artéria da vida criativa de Lisboa. O Mateus Hotel é um “hotel dentro de um hotel” que oferece vistas panorâmicas sobre os telhados da Bica e do Chiado, fundindo a herança histórica do edifício com a energia cosmopolita da zona.

Chegámos ao final da tarde, num destes dias em que a temperatura exterior convida a explorar os recantos da cidade. Depois do check-in feito na recepção comum aos dois conceitos existentes no edifício, o elevador levar-nos-ia aos pisos superiores. E é quando as portas do elevador se abrem que o cor-de-rosa, característico da marca da Sogrape, nos envolve num abraço acolhedor. Alumiados pelas luzes de baixa intensidade, nas paredes vemos cartazes, fotografias antigas e documentação histórica da marca Mateus. Percebemos que cada detalhe foi pensado para homenagear a herança Mateus.

Cada um dos 13 quartos é inspirado nas tonalidades rosé e no espírito irreverente da marca Mateus. O nosso não destoa com mobiliário de madeira sustentável e detalhes de design minimalista onde o pequeno frigorífico Smeg convida a servirmo-nos das garrafas que nele se encontram refrescadas. Avançamos sem receio para nos refrescar da temperatura exterior e enquanto na pequena varanda nos deliciamos com a vista do rio Tejo e dos telhados dos edifícios nas imediações.

Saímos para jantar no By The Wine, também do universo Sogrape e que fica a pouco mais de cinco minutos a pé, pelas estreitas ruas entre a Bica e o Chiado. E assim que entramos sentimos a energia que o espaço emana com o seu tecto alto e toda uma decoração que usa e abusa das madeiras, seja nas mesas, nas prateleiras ou mesmo nas barricas que ao fundo lembram, a cada instante, que nesta casa o vinho tem sempre lugar à mesa.

E aquilo que à mesa vai chegando não deixa créditos por mãos alheias. Entregando-nos nas mãos do chefe de sala, que apenas nos perguntou se havia algo que não apreciássemos ou ao qual fossemos intolerantes/alérgicos, a cada momento ficámos mais rendidos e a querer volta.

Começámos com um Ceviche Teriyaki de salmão (13 euros) que estava delicioso com o seu apontamento de chili. Seguiram-se-lhe as Patacones com Atum Picante (18 euros) que, com a sua banana-pão frita, estavam de comer e chorar por mais. Fomos a medo com a descrição de “picante”, mas deixa-se ir à confiança que é bem suave. Deixando as entradas e passando aos principais entregámo-nos com indisfarçável prazer à Presa de Porco Ibérico de Bellota (36 euros) acompanhado das suas batatas fritas. E a tradição ainda é o que era, por isso, seguindo ensinamentos antigos que de ditam que numa boa casa portuguesa há sempre pão e vinho sobre a mesa, chegaria o Queijo Alentejano Meia Cura (8 euros) com compota de figo e uma selecção de pão e tostas a acompanhar. Para rematar, houve ainda tempo (estômago e gula!) para a sobremesa: Bolo de chocolate com gelado (8,5 euros).

Depois de uma boa caminhada pelas ruas do Chiado e da Baixa, retornámos aos aposentos cor-de-rosa, onde a cama nos acolheu, toda a noite, como velhos conhecidos amatar saudades. Connosco trouxemos a memória de uma estadia onde cada objecto conta a história Mateus.

Texto de Maria João Lima

*A jornalista escreve segundo o Antigo Acordo Ortográfico




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