Marcas felizes vendem mais: Quando a felicidade deixa de ser um chavão e passa a ser uma estratégia de negócio

OpiniãoNotícias
Marketeer
12/11/2025
15:05
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Opinião de Paula Delgado, especialista em Felicidade, Bem-Estar e Gestão da Mudança

Durante anos, as empresas mediram tudo nas redes sociais: vendas, produtividade, market share e engagement. Mas esqueceram-se de medir o essencial, o bem-estar das pessoas que fazem tudo isso acontecer.

Nos últimos anos, tenho acompanhado equipas e líderes em diferentes setores e países. E há um padrão que se repete: onde existe uma cultura humana, o desempenho é maior. Onde existe escuta, há inovação. Onde existe confiança, há compromisso. A felicidade, afinal, não é um luxo corporativo, é uma vantagem competitiva.

A ciência confirma o que a prática mostra todos os dias. Investigadores da Saïd Business School, da Universidade de Oxford, demonstraram que colaboradores felizes são 13% mais produtivos. Outros estudos, publicados na Harvard Business Review por Shawn Achor, mostram que, emoções positivas aumentam a energia, a resiliência e o tempo de dedicação a um projeto, influenciando diretamente a performance e o clima nas equipas. A Gallup reforça esta ligação ao demonstrar que colaboradores altamente engajados geram 10% mais fidelização de clientes. A felicidade, quando é vivida e não apenas comunicada, cria um efeito em cadeia. O clima interno contagia o cliente e o cliente devolve esse sentimento na forma mais tangível possível: fidelização, recomendação e resultados sustentáveis.

No trabalho de consultoria que tenho desenvolvido em organizações, em que capacitei embaixadores de bem-estar e felicidade, foi possível observar que estes agentes de mudança positiva transformam o ambiente interno. São pessoas preparadas para dinamizar ações que reforçam emoções positivas, promovem relacionamentos saudáveis e estimulam o sentido de pertença.

A cultura é o novo marketing

Durante muito tempo, acreditou-se que bastava investir em campanhas para fortalecer uma marca. Mas a verdade é que a marca começa por dentro, na forma como as pessoas são tratadas, reconhecidas e ouvidas. Não há storytelling que sobreviva a um ambiente tóxico. Não há propósito que floresça num local onde as pessoas se sentem exaustas ou sem voz. A cultura interna é o primeiro canal de marketing de uma empresa. É nela que nascem as emoções que os clientes percebem e valorizam. Hoje, a coerência é o ativo mais valioso de qualquer marca: o que se vive dentro é o que se transmite fora. Quando as pessoas reconhecem o significado do seu trabalho e sentem que fazem parte de um propósito maior, o seu impacto vai além das fronteiras da organização. Esse alinhamento entre propósito e ação cria equipas mais comprometidas, clientes mais fiéis e marcas felizes.

Liderar é um ato de humanidade

Liderar em tempos de mudança exige mais do que competência técnica. Exige presença, empatia e propósito. Nas mentorias que facilito, com líderes de diferentes países, o desafio é sempre o mesmo: lidar com as suas pessoas. Sim, os líderes também precisam de ajuda! Com eles, partilho estratégias para que possam criar culturas de segurança psicológica positiva, nas quais as equipas se sentem livres para falar, contribuir e crescer. Mostro-lhes como podem cuidar das suas pessoas, ouvi-las com intenção e implementar programas de reconhecimento e valorização. Estas estratégias são exequíveis sem custos financeiros, exigem apenas uma mudança de mindset, a coragem de atuar em conformidade, e os resultados são extraordinários. Afinal, pequenos gestos de humanidade constroem ambientes de confiança e transformam equipas em comunidades de alto desempenho. Não há marcas felizes com líderes infelizes. A energia de uma equipa é o reflexo direto da energia de quem a lidera.

Do conceito à estratégia

Integrar a felicidade na gestão não é sobre benefícios pontuais ou slogans inspiradores. É sobre criar sistemas que medem e promovem a harmonia física, emocional, relacional, intelectual e financeira das pessoas, desde a estrutura ao topo da organização. É desenhar planos de felicidade alinhados com o propósito da organização. É investir em segurança psicológica, reconhecimento e desenvolvimento humano como parte da estratégia de crescimento. Em cada projeto, começo sempre por analisar os dados internos e criar focus groups para escutar as pessoas, incluí-las e fazê-las sentir que são ouvidas. Acredito que tudo começa nelas: em dar voz, compreender as suas experiências e, a partir daí, co-criar estratégias personalizadas à cultura e aos objetivos da organização.

O ROI da felicidade

Marcas felizes vendem mais porque são coerentes. Porque geram emoções positivas, confiança e sentido de pertença. Porque entendem que o lucro é o eco de uma cultura saudável. O futuro das marcas não está apenas no digital ou na inovação tecnológica, está na capacidade de gerar felicidade genuína. No fim, o que faz uma marca crescer não é apenas o que vende, mas a forma como coloca as pessoas no centro, cuida delas e cria experiências positivas, dentro e fora da organização. E é essa cultura que se reflete em stakeholders mais envolvidos, clientes mais satisfeitos e resultados sustentáveis no negócio. E esse é o marketing mais poderoso de todos.

Quando a felicidade deixa de ser tendência e passa a ser estratégia, torna-se o maior ativo das marcas e a base de relações sólidas com todos os que fazem parte do seu ecossistema.

 




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