A inteligência artificial (IA) deixou de ser apenas uma promessa tecnológica e passou a ser um fator determinante para a rentabilidade do comércio retalhista e dos bens de consumo. Em 2026, a discussão já não é se vale a pena investir em IA, mas sim com que rapidez e profundidade estas soluções podem ser implementadas nas operações.
As empresas de retalho recorrem à IA para otimizar inventários, personalizar a experiência de compra e reduzir custos, num contexto marcado pela inflação, pela instabilidade da procura e por cadeias de abastecimento cada vez mais complexas.
O ponto de viragem surge quando os projetos de IA deixam a fase experimental e entram em produção. É aí que os resultados deixam de ser hipotéticos e começam a refletir-se em métricas financeiras, produtividade interna e eficiência logística.
O terceiro relatório anual da NVIDIA sobre o estado da IA no retalho e nos bens de consumo reúne centenas de respostas de executivos e líderes tecnológicos a nível mundial, revelando tendências claras sobre o impacto real da IA no sector.
O estudo mostra que 91% das empresas já utilizam ou estão a avaliar ativamente soluções de IA, e 90% planeia aumentar o investimento em 2026, muitas vezes com acréscimos superiores a 10% ao ano.
Os efeitos financeiros são evidentes: 89% afirma que a IA contribuiu para o aumento das receitas, enquanto 95% indica que reduziu os custos operacionais. Para quase um terço das empresas, o crescimento de receitas associado à IA ultrapassa os 10%.
No plano operativo, 54% das empresas reporta melhorias na produtividade dos colaboradores, e 52% regista ganhos de eficiência. Além disso, 41% nota progressos na experiência do cliente, através de assistentes digitais e catálogos inteligentes.
O estudo destaca ainda a relevância do software de código aberto: 79% das empresas considera que modelos e aplicações abertos são fundamentais para manter controlo sobre os dados e reduzir dependências externas.
IA agente e cadeia de abastecimento no centro da estratégia
Quase metade das empresas (47%) já utiliza ou avalia IA agente, capaz de tomar decisões autónomas em tempo real — desde ajustar inventários a recomendar produtos e otimizar preços de acordo com o comportamento do consumidor.
A cadeia de abastecimento continua a ser um desafio crescente: 64% das empresas sente maior pressão devido a fatores geopolíticos, laborais e regulatórios. Para responder, 51% recorre à IA para melhorar a eficiência operacional, 45% para cumprir expectativas do cliente e 38% para garantir rastreabilidade.
A IA física, ainda numa fase inicial, já é utilizada por 17% das empresas, sobretudo em robótica aplicada a armazéns e lojas, trazendo melhorias na gestão de inventários e na resiliência logística.














