Influencers e chantagem emocional: o custo oculto do marketing digital

Notícias
Marketeer
19/09/2025
20:33
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No mundo actual do marketing digital, alguns influencers estão a recorrer a estratégias cada vez mais controversas para se manterem relevantes e virais nas redes sociais. Fingir desaparecimentos, dramatizar situações de violência ou simular problemas de saúde mental deixou de ser um deslize isolado para se tornar, em certos casos, numa tática deliberada para atrair atenção e gerar envolvimento com o público. Estas práticas, contudo, levantam sérias questões éticas e estão a comprometer a credibilidade tanto dos criadores de conteúdo como das marcas com quem colaboram.

Apesar da popularidade crescente do marketing de influência, os dados mostram que a confiança dos consumidores nestes criadores é limitada. Apenas uma pequena percentagem das pessoas confia mais nos influencers do que na publicidade tradicional, e muitos profissionais de marketing admitem a dificuldade em encontrar parceiros realmente relevantes e responsáveis.

Casos recentes ilustram esta tendência preocupante. Alguns influencers têm simulado situações graves, como desaparecimentos ou violência doméstica, apenas para revelar depois que se tratava de campanhas ou experiências sociais. Embora essas estratégias possam gerar visibilidade temporária, também resultam em perda de seguidores, críticas generalizadas e danos à reputação. O público, cada vez mais atento e exigente, tende a reagir negativamente quando percebe manipulação emocional ou exploração de temas sensíveis com fins comerciais.

As marcas que escolhem colaborar com estes criadores enfrentam igualmente riscos significativos. Numa tentativa de se diferenciarem num mercado saturado, podem associar-se a campanhas que, em vez de trazerem benefícios, acabam por gerar polémica e afetar negativamente a sua imagem. A aposta em táticas chocantes pode ser eficaz a curto prazo, mas, a longo prazo, mina a confiança dos consumidores e pode prejudicar a relação com o público-alvo.

Para além das consequências reputacionais, estas práticas têm também impacto na saúde mental dos próprios influencers. A pressão constante para criar conteúdos virais, manter a relevância e satisfazer expectativas externas pode levar a níveis elevados de stress, ansiedade e exaustão emocional. A exposição a críticas, ameaças e ataques nas redes sociais intensifica ainda mais esse desgaste.

A crescente sensibilidade do público perante estes temas é evidente. Muitos utilizadores de redes sociais consideram que os influencers estão a ultrapassar limites éticos ao tratar assuntos delicados como instrumentos de marketing. Esta perceção reflete uma mudança importante na forma como o público consome e avalia conteúdos digitais, e exige uma resposta mais consciente por parte dos criadores e das marcas.

 




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