O confronto na segunda volta entre a surpresa socialista, António José Seguro e o “radical Ventura” merece destaque esta segunda-feira na imprensa internacional, que salienta ainda a derrota de Luís Marques Mendes.
A derrota de Luís Marques Mendes, que ficou em quinto, é classificada pelo periódico como “um grande revés” para o candidato apoiado pelo primeiro-ministro, com o também espanhol La Vanguardia a falar mesmo num “duro golpe” para Luís Montenegro, explicável, entre outros aspetos, pela “debilidade do candidato”, em virtude do “seu papel obscuro de lobista de altos voos”.
Para o periódico, António José Seguro é, “a não ser que surja uma catástrofe”, “o virtual novo presidente de Portugal”, ao fim de “20 anos de mandatos conservadores” e num país virado “mais à direita de sempre”.
O jornal recorda que a direita “controla o governo central, os governos regionais da Madeira e dos Açores, as principais cidades e a associação de municípios e esperavam eleger um novo presidente mais alinhado com o primeiro-ministro do que o cessante Marcelo Rebelo de Sousa”.
O também espanhol El Mundo antecipa igualmente que o candidato apoiado pelo PS será o próximo presidente de Portugal, ao concentrar o voto contra a extrema-direita, sem deixar de destacar as palavras de André Ventura de que “a luta agora será entre o socialismo e o não socialismo”.
Em França, o Le Monde realça também o confronto da segunda volta entre o socialista e o candidato da extrema-direita, enquanto o belga Le Soir assinala que esta última não foi, afinal, “a grande vencedora da noite eleitoral”.
Já o Le Fígaro titula “Eleições presidenciais em Portugal: o candidato socialista lidera à primeira volta, o candidato de extrema-direita fica em segundo lugar”.
O Politico, dedicado à cobertura dos assuntos da União Europeia, fala numa “vitória surpresa” do centro-esquerda na primeira ronda das eleições presidenciais de domingo, ressalvando que a capacidade de André Ventura “de assegurar quase um quarto” dos votos é reveladora de “quão extraordinário” tem sido o crescimento do Chega em Portugal que é atualmente o “principal partido da oposição”.
O jornal frisa ainda que, “embora Ventura tenha tido um bom desempenho, poucos acreditam que tenha hipóteses reais de vencer a segunda volta”.
Por sua vez, o britânico The Guardian escreve “Eleições presidenciais em Portugal: Seguro, do Partido Socialista, vai defrontar líder da extrema-direita na segunda volta”.
Segundo o jornal, “nas cinco décadas desde que Portugal se libertou da ditadura fascista, uma eleição presidencial apenas necessitou de uma segunda volta uma vez – em 1986 – o que evidencia a fragmentação do panorama político com a ascensão da extrema-direita e o desencanto dos eleitores com os partidos tradicionais”.
O The Guardian recorda ainda que o Chega, um partido antissistema e anti-imigração fundado há apenas sete anos, tornou-se o principal partido da oposição nas eleições parlamentares, conquistando 22,8% dos votos. Tal como em grande parte da Europa, a ascensão da extrema-direita influenciou as políticas governamentais, particularmente em matéria de imigração, para uma postura mais restritiva.
No Brasil, O Globo destaca “Socialista e ultradireitista vão disputar segundo turno nas eleições presidenciais de Portugal”, referindo que com mais de 99% das urnas apuradas, António José Seguro alcançou 31,14% dos votos, contra 23,48% de André Ventura.
O Folha de São Paulo realça também “Socialista e ultradireitista avançam ao 2.º turno na eleição presidencial em Portugal”.














