Hermès vence ação coletiva nos EUA e mantém intocada a aura de exclusividade da Birkin

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Marketeer
18/09/2025
11:19
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A Hermès voltou a sair vitoriosa numa ação judicial nos Estados Unidos que colocava em causa uma das suas práticas mais debatidas e também mais características: o controlo restrito sobre quem pode adquirir uma carteira Birkin. Um tribunal federal de São Francisco rejeitou, de forma definitiva, uma ação coletiva que acusava a marca francesa de violar a legislação Antitrust ao condicionar a compra das icónicas malas a um historial prévio de consumo elevado em outras categorias da marca.

A decisão foi proferida na quarta-feira, 17 de setembro, pelo juiz James Donato, que considerou que, mesmo que a Hermès privilegie clientes com maior volume de compras, tal não configura, por si só, uma infração à lei da concorrência. “Pode acontecer, como sugerem os queixosos, que a Hermès reserve a mala Birkin para os seus clientes que mais gastam, mas isso, por si só, não constitui uma violação da legislação Antitrust”, lê-se na sentença.

A queixa, apresentada por três consumidores da Califórnia, alegava que o sistema de vendas da Birkin funcionava como uma “lotaria oculta”, em que apenas clientes com um histórico de compras substancial teriam acesso à possibilidade de adquirir a desejada mala. Segundo os queixosos, esta prática criaria uma ilusão em torno do preço de venda a retalho da Birkin, escondendo um sistema de seleção não transparente e, alegadamente, anticompetitivo.

No entanto, a justiça norte-americana voltou a dar razão à Hermès. O juiz Donato já tinha, aliás, rejeitado uma versão anterior da ação, e reiterou agora que a marca tem o direito de definir a sua estratégia comercial como bem entender, mesmo que isso inclua fabricar poucas unidades e praticar preços elevados. “Se a Hermès decidir fabricar cinco malas Birkin por ano e cobrar um milhão por cada uma, pode fazê-lo”, declarou Donato numa audiência anterior.

Com esta nova vitória legal, a Hermès não só preserva a sua liberdade comercial como também reforça o valor simbólico da mala Birkin objeto de desejo global, sinónimo de exclusividade e escassez planeada. Produzidas artesanalmente e com preços que podem ascender a dezenas de milhares de euros, as Birkin não estão apenas no topo da cadeia de luxo: tornaram-se, ao longo dos anos, também num ativo de investimento.

Em julho de 2025, a primeira mala criada para a atriz Jane Birkin foi leiloada pela Sotheby’s, em Paris, por um valor recorde de 8,6 milhões de euros, dois anos após a morte daquela que foi apelidada de “a inglesa mais amada de França”.

A decisão do tribunal encerra a ação coletiva de forma definitiva, não podendo esta ser reapresentada. A Hermès, os seus advogados e os representantes dos queixosos não comentaram publicamente a decisão até ao momento.




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