No coração de Lisboa, entre laranjeiras e mesas que convidam à partilha, o restaurante Treestory dá início a um dos eventos gastronómicos mais simbólicos do verão: o Festival Khachapuri. Durante um mês, o espaço transforma-se num verdadeiro templo da cozinha georgiana, onde o famoso pão recheado de queijo, em todas as suas formas, origens e significados, assume o papel principal.
A iniciativa não surge por acaso. Desde a sua abertura, há sete anos, o Treestory tornou-se uma referência incontornável na arte de preparar khachapuri, prato que muitos clientes, incluindo georgianos, descrevem como “mais autêntico do que na própria Geórgia”. A qualidade constante destas receitas, que combinam massa fresca, manteiga e queijos artesanais, moldadas pelas mãos experientes do chef da casa, criou uma verdadeira devoção à volta deste prato. Agora, o culto dá lugar à celebração.
O festival propõe uma viagem profunda a esta tradição. O menu habitual mantém os clássicos Imeruli, Megruli e Adjaruli, mas ganha novos capítulos com versões inéditas e inesperadas. Um dos destaques é o Adjaruli Titanik (35€), uma versão gigante em forma de barco, pensada para partilhar, com três gemas reluzentes no topo. Há também variações modernas, como o Adjaruli com espinafres e ovo (16€), ou uma ousada versão com trufas (22€), que alia o lado mais indulgente da tradição à sofisticação contemporânea.
Para quem procura conforto e partilha, o Triple Cheese King Khachapuri (24€) junta três queijos num formato generoso, ideal para mesas grandes e apetites colectivos.
A experiência é acompanhada por bebidas tradicionais que equilibram o sabor intenso e a untuosidade do khachapuri: limonadas georgianas (a partir de 5€/garrafa) e os emblemáticos vinhos âmbar Qvevri (a partir de 7€/taça), produzidos segundo uma técnica ancestral, onde o vinho fermenta em ânforas de barro enterradas, evocando as origens mais profundas da viticultura do Cáucaso.
Mais do que um prato, o khachapuri é um símbolo nacional. O nome junta as palavras “khacho” (queijo fresco) e “puri” (pão), numa receita que atravessa gerações e representa valores como hospitalidade, partilha e abundância.
Em 2019, foi incluído na lista de património cultural imaterial da Geórgia e, tal é a sua relevância, que serviu até de base a um índice económico informal, o Khachapuri Index, usado para medir o custo de vida no país com base no preço dos seus ingredientes.
As diferentes versões do prato reflectem a diversidade geográfica da Geórgia: do Imeruli, mais simples e fechado, ao Megruli, com queijo tanto no interior como por cima, passando pelo Penovani, de massa folhada e textura crocante. Mas é o Adjaruli que mais fascina: moldado como um barco, recheado com queijo derretido, manteiga e uma gema crua no centro, evocando o sol sobre o mar da região de Adjara.
Comê-lo é um verdadeiro ritual: mistura-se tudo à mão e mergulham-se pedaços da borda no centro. Uma experiência sensorial, simbólica e profundamente reconfortante.
Este verão, em Lisboa, fala-se georgiano à mesa. O Festival é um convite ao convívio, à descoberta e ao prazer de comer com as mãos, com tempo, com alma e com história.
Treestory
Morada: Rua Luciano Cordeiro,46ª
Contacto: 351 912 046 578
Site: https://www.treestory.pt/
Siga: @treestory_lisbon














