O acesso à internet é hoje um elemento essencial da vida moderna. No entanto, um novo ranking global revelou que nem todos os utilizadores pagam o mesmo pela conectividade. Segundo um relatório elaborado pela consultora We Are Social e divulgado pela Merca 2.0, os Emirados Árabes Unidos são atualmente o país onde o serviço de internet é mais caro, com um custo médio de 4,31 dólares por megabit por segundo (Mbps).
Logo a seguir surgem países como Gana (2,58 dólares por Mbps), Suíça (2,07), Quénia (1,54) e Marrocos (1,16). Austrália (1,05) e Alemanha (1,04) também aparecem no topo da lista, o que pode surpreender considerando a sua robustez económica e tecnológica. A classificação dos dez países com preços mais elevados inclui ainda a Nigéria (0,72), o Canadá (0,66) e o Paquistão (0,53 dólares por Mbps).
Os dados deixam claro que os preços altos nem sempre correspondem a um melhor serviço. Em alguns casos, como nos Emirados Árabes Unidos, apesar do investimento em infraestruturas modernas como a rede 5G, a escassa concorrência entre operadores e regulações restritivas contribuem para manter os preços inflacionados. De forma semelhante, países considerados desenvolvidos, como a Alemanha ou o Canadá, têm sido criticados por não conseguirem garantir uma distribuição mais equitativa e acessível do serviço.
Especialistas em telecomunicações alertam que a acessibilidade digital é hoje um dos principais indicadores de desenvolvimento, inclusão social e competitividade. A qualidade e o preço da internet afetam diretamente o acesso à educação, ao emprego, ao empreendedorismo e aos serviços públicos. Neste contexto, a discussão sobre os custos da conectividade vai muito além da tecnologia: envolve também questões de justiça social e de direitos fundamentais.
Organismos internacionais como a ONU têm vindo a sublinhar que o acesso à internet deve ser considerado um direito básico, e que os preços praticados devem ser proporcionais ao rendimento médio da população. Ainda assim, este ranking global evidencia que, em muitas partes do mundo, os consumidores continuam a pagar valores muito acima dos recomendados.














