Opinião de João Caetano, Coordenador de e-commerce na PRIO Energy
O ano de 2026 marca uma nova fase de maturidade no e-commerce. O crescimento deixa de estar associado apenas à abertura de novos canais ou ao aumento da presença digital e passa a depender, sobretudo, da capacidade das empresas criarem experiências verdadeiramente relevantes, eficientes e integradas. Num contexto económico mais exigente e com consumidores cada vez mais informados e exigentes, a diferenciação constrói-se na interseção entre tecnologia, dados e propósito.
A evolução do e-commerce continuará fortemente ligada a uma abordagem omnicanal. A fronteira entre o físico e o digital é hoje praticamente inexistente, e os consumidores esperam uma jornada fluida, consistente e personalizada, independentemente do ponto de contacto. Neste contexto, o uso inteligente de dados assume um papel central: não apenas para compreender comportamentos passados, mas sobretudo para antecipar necessidades, reduzir fricções e apoiar decisões que melhorem, de forma concreta, a experiência do cliente.
Em 2026, a inteligência artificial estará ainda mais consolidada no e-commerce. No entanto, torna-se cada vez mais clara a distinção entre usar IA para acelerar a produção de conteúdos e usar IA para apoiar e melhorar decisões. Muitas organizações recorrem à IA para fazer mais rápido, para fazer mais (mais campanhas, mais conteúdos). Ainda assim, são poucas as que a utilizam para tomar decisões melhores, mais contextualizadas e com impacto real na vida do cliente.
Quando a IA é usada para apoiar a decisão, seja na personalização, na previsão de comportamento, na gestão de operações ou na priorização de investimentos, a relação com o cliente fortalece-se. Quando serve apenas para escalar volume e automatizar sem um propósito claro, o risco é evidente: a diferenciação dilui-se e a experiência torna-se indiferenciada.
A análise preditiva e os modelos de apoio à decisão ganham, por isso, um papel central em 2026. Num contexto de maior pressão sobre margens e recursos, a eficiência operacional deixa de ser apenas um objetivo financeiro e passa a ser um imperativo estratégico. Crescer de forma sustentável implica fazer mais e melhor, mas sobretudo fazer o que realmente importa, com foco no impacto e não apenas na escala.
Em 2026, o desafio não será apenas acompanhar a evolução do e-commerce. Será liderá-la, com visão estratégica, foco no cliente e uma utilização inteligente da tecnologia, não para substituir o pensamento crítico, mas para o potenciar.














