Uma nova instalação artística em Phoenix, no estado norte-americano do Arizona, está a captar a atenção (e a provocar reações) de todos os que passam pela movimentada Grand Avenue. Trata-se de um outdoor assinado pela artista californiana Karen Fiorito, que retrata o ex-presidente Donald Trump como o auto-intitulado “Swamp King”, ou seja, “Rei do Pântano”, numa composição repleta de sátira e crítica política.
A obra, instalada no dia 3 de Julho, faz parte do Grand Avenue Billboard Project, uma iniciativa colaborativa de arte pública que Fiorito desenvolve com a artista local Beatrice Moore, dona do espaço publicitário. Desde 2004, o painel tem servido de plataforma rotativa para arte de intervenção com forte conteúdo político e social.
Na imagem principal, Donald Trump aparece sem camisa, com uma coroa na cabeça e parcialmente submerso em lama. Na mão, segura um smartphone dourado e ao pescoço exibe uma corrente com a inscrição “shitcoin”. A cena é carregada de simbolismo: um Tesla Cybertruck grafitado com uma suástica, um contentor com a palavra “TARIFFS” (tarifas), um documento amassado que faz referência a cortes no Medicaid e no SNAP (programas sociais de apoio), e até um jacaré com boné MAGA, carinhosamente apelidado de “Alligator Alcatraz”.
O horizonte da imagem é obscurecido por um cogumelo nuclear, contribuindo para o ambiente distópico da composição. No verso do billboard, Trump surge a dizer: “Não tenho nada a ver com o Project 2025”, ao lado de uma lista dos pontos-chave deste controverso plano político republicano. A ironia está no contraste entre a negação e os factos expostos.
Fiorito não é nova neste tipo de linguagem artística. Já anteriormente retratou Trump como “marioneta de Putin” e Elon Musk como “Twitler” (um trocadilho entre Twitter e Hitler). A sua intenção, segundo a própria, é espelhar o bombardeamento sensorial da política moderna e usar a arte como forma de conforto para os indignados e de provocação para os poderosos.














