O estudo “Clicar, fazer Scroll, Conectar – e Equilibrar”[1] publicado, esta quinta-feira, pela Fundação Vodafone e a organização não governamental (ONG) Save the Children destaca a necessidade urgente de abordagens mais coordenadas e inclusivas para melhorar o bem-estar digital das crianças na Europa. Após reunir evidências de especialistas e analisar os desafios que afetam o bem-estar infantil, esta investigação apresenta recomendações dirigidas a entidades públicas e privadas. A análise identifica um conjunto de fatores interligados que estão a comprometer o bem-estar das crianças em diversos países europeus. Entre os quais:
Lacunas que prejudicam o bem-estar digital das crianças
- Impacto do stress digital na saúde mental: Nos países da OCDE, 17% dos jovens de 15 anos sentem-se ansiosos sem os seus dispositivos e 10% relatam uso problemático das redes sociais, com uma percentagem mais elevada (14%) entre crianças de origem migrante.
- Lacunas nos sistemas educativos: Muitas crianças não compreendem como os seus dados são utilizados e os professores relatam formação insuficiente para lidar com os riscos digitais. Apenas 51% dos jovens de 15 anos conseguem alterar facilmente as definições de privacidade e 28% não comparam fontes quando pesquisam online.
- Grupos marginalizados com mais riscos online: Jovens LGBTQIA+, crianças com deficiência e crianças de classes desfavorecidas ou de áreas rurais enfrentam mais riscos online, incluindo assédio baseado na identidade, exclusão e desinformação. Estes grupos são frequentemente ignorados nas estratégias nacionais.
- Inteligência Artificial (IA) aumenta riscos online: O material de abuso sexual infantil gerado por IA está a crescer rapidamente, com mais de 20 000 imagens encontradas num único fórum da dark web num mês. Os incidentes de deepfake direcionados a crianças aumentaram 550% desde 2019.
- Regulamentação da EU não é aplicada de forma generalizada: Apesar de estruturas sólidas a nível da União Europeia, como o RGPD e a DSA, a aplicação varia de acordo com o País. Por exemplo, a exposição a mensagens de ódio varia de 4% dos jovens de 12 a 16 anos na Alemanha a 48% na Polónia. Em Espanha, 44% das crianças relatam encontrar raramente amabilidade online.
Medidas para melhorar o bem-estar digital das crianças
- Incorporar o bem-estar digital na educação: Dotar os educadores com as ferramentas necessárias para ensinar segurança digital, resiliência e empatia, bem como adotar abordagens escolares que incorporem o bem-estar na cultura, nas políticas e nas rotinas diárias da escola.
- Aumentar a participação das crianças: As crianças devem estar ativamente envolvidas na definição das políticas, programas e ferramentas digitais que as afetam.
- Promover a equidade e a inclusão: As estratégias devem ser inclusivas e responder às necessidades de todas as crianças, especialmente aquelas que enfrentam maiores riscos online, como meninas, jovens LGBTQIA+, crianças com deficiência e aquelas de comunidades rurais ou de contextos desfavorecidos.
- Reforçar as evidências e a avaliação: Os governos e as organizações devem investir em investigação e desenvolver sistemas robustos para monitorizar e avaliar o impacto das iniciativas de bem-estar digital.
- Alinhar as políticas nacionais: As estratégias nacionais devem estar alinhadas com as normas internacionais. Os governos devem também reforçar a aplicação da lei e garantir que as plataformas digitais sejam responsabilizadas pela proteção dos direitos e do bem-estar das crianças.
Um dos passos fundamentais já em curso é a parceria entre a Fundação Vodafone e a Save the Children, lançada em fevereiro. Esta colaboração inovadora une a experiência consolidada da Fundação Vodafone em educação digital inclusiva com o conhecimento especializado da Save the Children nas áreas de proteção, bem-estar e direitos das crianças. Juntas lançam agora um novo programa europeu, para crianças dos 9 aos 16 anos, focado no desenvolvimento de competências digitais e resiliência, para apoiar o bem-estar das gerações mais novas num mundo cada vez mais conectado.
Fundação Vodafone expande iniciativas que promovem bem-estar digital
As conclusões do estudo “Clicar, fazer Scroll, Conectar – e Equilibrar” já estão a moldar a próxima fase do programa Skills Upload Junior da Fundação Vodafone, que recomenda a adoção da estrutura SMILE (Segurança, Management/Gestão, Identidade, Literacia, Empatia) desenvolvida pela Save The Children. Esta estrutura oferece uma abordagem prática e acessível para educadores, decisores políticos e famílias, que procuram orientar os jovens na construção de uma relação equilibrada com o mundo digital.
Em Portugal, o programa DigitAll, integrado no “Skills Upload Junior” (SUJ), já chega a mais de 20 mil estudantes, por todo o País. A partir deste mês, o programa SUJ, já implementado em oito mercados europeus, incluindo Portugal, será enriquecido com novos módulos dedicados ao bem-estar digital, à resiliência e à empatia, todos alinhados com os princípios da estrutura SMILE. Estes conteúdos, desenvolvidos em colaboração com a Save the Children, representam uma expansão temática focada na promoção de competências socio emocionais. Entre os novos recursos, destacam-se:
- Planos de aula que abordam os riscos online (cyberbullying, desinformação e plataformas com design viciante), promovendo simultaneamente hábitos digitais saudáveis e competências de autorregulação emocional;
- Ferramentas práticas e formação especializada para que os professores integrem o bem-estar digital de forma contínua no ensino;
- Conteúdos inclusivos que refletem as experiências de crianças de diferentes origens, com especial cuidado para crianças com deficiência e de contextos vulneráveis.
Com esta iniciativa, a Fundação Vodafone e a Save the Children reafirmam o seu compromisso de construir um futuro digital mais seguros, empático e inclusivo para todas as crianças na Europa.
O estudo completo está disponível aqui, e o sumário executivo do mesmo em português aqui.














