Comunicação corporativa em transformação: as tendências que vão marcar o próximo ano

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Marketeer
30/12/2025
09:53
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Num contexto de saturação informativa, fragmentação das audiências e crescente desconfiança nas instituições, a comunicação corporativa prepara-se para um novo ciclo de profunda transformação. As tendências que começam agora a consolidar-se apontam para estratégias mais seletivas, tecnológicas e centradas na construção de relações de longo prazo com públicos cada vez mais exigentes.

De acordo com a análise publicada pela Merca2.0, que teve como base contributos de especialistas e relatórios internacionais do setor, a comunicação corporativa deixou de ser apenas um instrumento de visibilidade para se afirmar como um ativo estratégico essencial à reputação, à confiança e à sustentabilidade das organizações.

Conheça algumas das tendências da comunicação corporativa para o próximo ano

Comunidades próprias e espaços privados ganham protagonismo

Uma das mudanças mais relevantes prende-se com o abandono progressivo da lógica de comunicação massiva, sendo que, em vez de depender exclusivamente das grandes redes sociais, as marcas estão a apostar na criação de espaços próprios e privados, como newsletters especializadas, grupos fechados em aplicações de mensagens ou em plataformas de conteúdo como o Substack.

Este movimento responde à fadiga dos consumidores face ao excesso de mensagens comerciais e permite uma comunicação mais direta, personalizada e relevante, com a construção de comunidades ativas a passar a figurar como um eixo central das estratégias corporativas, reforçando o sentimento de pertença e a fidelização dos públicos.

Inteligência artificial: de ferramenta operacional a motor estratégico

A integração da inteligência artificial (IA) é outra tendência incontornável, numa altura em que cerca de três em cada quatro profissionais de comunicação e relações públicas já utilizam IA nas suas rotinas e que 90% reconhecem ganhos significativos de produtividade. Mas mais do que automatizar tarefas, a IA está a assumir um papel estratégico, com a análise avançada de dados próprios (first-party data), personalização de mensagens, antecipação de tendências de comportamento e apoio à tomada de decisões. No entanto, este uso mais sofisticado da tecnologia obriga a uma gestão ética e transparente, sob pena de comprometer a confiança dos consumidores.

Conteúdos híbridos e novas formas de storytelling

O próximo ano será também marcado pela consolidação de conteúdos híbridos, que cruzam formatos informativos, narrativos e audiovisuais. O storytelling corporativo evolui para modelos mais flexíveis, capazes de se adaptarem a diferentes canais e contextos, sem perder coerência nem autenticidade. Neste cenário, a qualidade do conteúdo sobrepõe-se à quantidade, com as marcas a apostarem em comunicar menos mas melhor, e privilegiando mensagens com valor informativo, social ou emocional claro.

Microinfluenciadores e credibilidade em foco

Outra tendência identificada na análise é o reforço do marketing de microinfluenciadores, vistos como mais credíveis e próximos das suas comunidades. Em vez de grandes campanhas com figuras altamente mediáticas, as empresas vão optar cada vez mais por vozes especializadas e alinhadas com os seus valores, capazes de gerar impacto real em nichos específicos. Esta abordagem reflete uma preocupação crescente com a autenticidade e com a coerência entre discurso e prática, num contexto em que a reputação corporativa é cada vez mais frágil e escrutinada.

Comunicação como prioridade estratégica

Os dados do relatório Approaching the Future 2025, citados pela Merca2.0, mostram que 59,5% das empresas investem mais em comunicação corporativa do que em outros ativos intangíveis, consolidando-a como uma prioridade estratégica. Perante um ambiente volátil e imprevisível, a comunicação deixa assim cada vez mais de ser um apoio tático para se tornar um elemento estrutural da gestão empresarial. O próximo ano exigirá, por isso, equipas mais preparadas, visão estratégica e uma capacidade acrescida de adaptação e inovação.




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