Como Tim Cook convenceu Trump a desistir (por agora) do iPhone “Made in USA”

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Marketeer
08/08/2025
13:00
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Numa jogada estratégica que equilibra diplomacia política e pragmatismo empresarial, Tim Cook conseguiu o impensável: afastar, ainda que temporariamente, a pressão de Donald Trump para que a Apple comece a fabricar iPhones em território norte-americano. O CEO da Apple apareceu ao lado do Presidente dos EUA na Casa Branca, a 6 de Agosto, para anunciar um investimento colossal de 600 mil milhões de dólares nos EUA ao longo dos próximos quatro anos, mas sem a prometida linha de montagem “made in USA”.

Apesar de o anúncio soar a uma grande mudança de rota, os especialistas apontam que o movimento é, na verdade, uma continuação da estratégia que a Apple já tem vindo a implementar, com foco no fortalecimento das suas parcerias com fornecedores americanos e em projetos tecnológicos de elevado valor acrescentado. Em vez de relocalizar a produção final dos iPhones, Cook apostou num pacote de medidas que permitem à Apple continuar a fabricar fora dos EUA, nomeadamente na China e Índia, enquanto investe pesadamente em solo americano para agradar à administração Trump.

“Vamos continuar a montar os dispositivos noutros países durante algum tempo”, declarou Tim Cook no Salão Oval. Trump, aparentemente satisfeito com o compromisso, respondeu: “Ele já faz muitos dos componentes cá. O resto está montado noutros sítios há anos por causa dos custos, mas acredito que o podemos convencer a trazer tudo de volta.”

Nos bastidores, o que está em jogo é muito mais do que uma fotografia entre CEO e Presidente. A Apple conseguiu, com este anúncio, escapar ilesa a uma nova ronda de tarifas sobre chips anunciada por Trump, que poderia duplicar o custo de produção de componentes essenciais. No imediato, a estratégia resultou: as acções da Apple subiram 5% no próprio dia e mais 3% no dia seguinte.

O investimento da Apple vai apoiar parcerias com fornecedores como a Corning (vidro para iPhones), a Coherent (tecnologia de reconhecimento facial), a Texas Instruments (chips) e a TSMC, que irá fabricar chips avançados numa nova fábrica no Arizona. A Apple será o maior cliente desta unidade.




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