Quando se fala do ambiente de trabalho, o conselho “seja você mesmo” pode ser, na verdade, um erro, de acordo com o psicólogo Tomas Chamorro-Premuzic, professor de psicologia empresarial na Universidade de Columbia.
Embora a autenticidade seja frequentemente promovida como uma característica desejável, Chamorro-Premuzic acredita que, para impulsionar a sua carreira, é mais eficaz dominar competências como o tato e o autocontrole. Ter uma alta inteligência emocional, definida como a capacidade de entender e gerir a si próprio e aos outros, é uma “moeda fundamental” no ambiente de trabalho, pois torna-o mais empregável e mais agradável de lidar, afirma o psicólogo, em declarações à CNBC.
As pessoas bem-sucedidas no trabalho sabem como combinar competências sociais, empatia e atenção à percepção dos outros. Este equilíbrio é abordado no mais recente livro de Chamorro-Premuzic, “Não Seja Você Mesmo: Porque a Autenticidade Está a Ser Supervalorizada (e O Que Fazer em Vez Disso)”, publicado em 7 de Outubro de 2025.
De acordo com Chamorro-Premuzic, estas são as três principais competências sociais que todos devem praticar no ambiente de trabalho para construir conexões sociais e desenvolver a sua carreira.
1. Estar recetivo ao feedback
As pessoas mais bem-sucedidas que o psicólogo conhece solicitam feedback honesto e crítico de outras pessoas, especialmente daqueles que estão em posição de avaliar o seu trabalho e que se sentem à vontade para lhe dizer o que precisa de ouvir, não o que quer ouvir, destaca a CNBC.
A maioria das pessoas tende a oferecer feedback positivo, em vez de observações sinceras, pelo que fazer as perguntas certas é fundamental. Em vez de perguntar “Como foi a minha apresentação?”, é mais eficaz perguntar: “O que poderia ter feito melhor? O que poderia ter feito de diferente? O que teria feito de diferente na minha situação?”
É crucial manter a compostura enquanto ouve críticas. Caso contrário, dificilmente voltará a receber feedback honesto no futuro. Encarar o feedback negativo de forma construtiva pode diminuir a diferença entre o quão bom pensa que é e o quão bom realmente é, acrescenta a CNBC.
2. Consciência social
Ser socialmente perspicaz pode trazer grandes benefícios para a sua carreira, refere Chamorro-Premuzic à CNBC. Quando lida com dinâmicas no ambiente de trabalho, um conselho importante é focar-se menos em si próprio e mais nos outros.
Ser capaz de identificar e responder aos sentimentos dos outros é um componente essencial da inteligência emocional. Pessoas socialmente conscientes são capazes de analisar uma situação interpessoal e ajustar o seu comportamento de forma a parecerem autênticas, sem perder a sua identidade.
Chamorro-Premuzic refere que a habilidade de “apresentação estratégica de si próprio” é crucial para o sucesso. Estar atento aos sentimentos e necessidades dos outros pode fazer toda a diferença, especialmente porque muitas pessoas estão mais centradas em si mesmas. Pensar nos outros dá-lhe uma vantagem considerável, diz a CNBC.
3. Adaptabilidade
É tentador focar-se apenas nos seus pontos fortes, mas aprender a lidar com o desconforto de adquirir novas competências ajudará a expandir os seus horizontes profissionais, explica Chamorro-Premuzic.
As pessoas bem-sucedidas estão dispostas a tentar coisas novas, mesmo que inicialmente não gostem delas. Muitas vezes, vemos traços como introversão, flexibilidade ou sociabilidade como permanentes, mas essa visão pode limitar o nosso crescimento. Superar a zona de conforto e tentar novas abordagens é fundamental para criar uma versão mais rica e diversificada de si mesmo.
Embora possa ser desconfortável sair da sua zona de conforto, Chamorro-Premuzic sublinha que isso irá, a longo prazo, abrir novas oportunidades para o seu desenvolvimento profissional, conforme é indicado pela CNBC.














