A publicidade prepara-se para uma transformação profunda em 2026, impulsionada pela convergência entre criatividade, dados e inteligência artificial. A conclusão resulta da análise de tendências globais realizada pelo Brand Innovation Lab da Amazon Ads, que identifica oito fatores determinantes para a evolução do sector no próximo ano.
Uma das mudanças mais significativas passa pela integração efetiva entre insights do consumidor e criação publicitária. A separação tradicional entre análise e criatividade tende a desaparecer, dando lugar a campanhas desenvolvidas a partir de sinais reais da audiência. A lógica é simples: quando a criatividade nasce de necessidades, interesses e frustrações concretas dos consumidores, a comunicação torna-se mais relevante e menos intrusiva.
Este movimento está intimamente ligado à crescente importância da economia dos criadores. Em 2026, os criadores deixam de ser apenas veículos de mensagem para assumirem um papel estratégico na construção das marcas. As parcerias de longo prazo, assentes em comunidades fiéis e influência cultural, passam a ser centrais para marcas que procuram relevância e autenticidade num ecossistema cada vez mais fragmentado.
A inteligência artificial surge como outro eixo estruturante, sobretudo através da chamada IA agêntica. Com supervisão humana, estas ferramentas permitem automatizar processos complexos, reduzir tempos de produção e aumentar a eficiência das campanhas. O impacto faz-se sentir em todas as fases, da criação à ativação e otimização, libertando equipas para decisões mais estratégicas.
A personalização entra também numa nova dimensão com a combinação entre otimização criativa dinâmica e IA generativa. Os anúncios passam a adaptar-se automaticamente a cada utilizador, ajustando imagens, mensagens e produtos com base em dados de comportamento e histórico de compras. A promessa é uma comunicação altamente personalizada, entregue em escala e no momento certo.
Esta capacidade permite que a criatividade seja replicada e adaptada em múltiplos canais, mantendo coerência narrativa e consistência visual. As marcas ganham maior agilidade para testar, ajustar e escalar campanhas, com maior controlo sobre desempenho e segurança.
Também os modelos de investimento e avaliação estão a evoluir. Na televisão em streaming, a medição do sucesso deixa de se focar apenas em métricas como alcance ou notoriedade, passando a privilegiar resultados de negócio concretos, como vendas ou subscrições. Esta abordagem aproxima a TV dos modelos de performance típicos do digital.
A publicidade contextual conhece igualmente uma nova fase, potenciada pela análise inteligente de conteúdos audiovisuais. Em ambientes de streaming, os anúncios passam a relacionar-se diretamente com o contexto da cena ou do momento, criando experiências mais relevantes e integradas na narrativa, em vez de interrupções forçadas.
Por fim, a IA reforça o seu papel na otimização contínua do desempenho publicitário. A análise avançada de grandes volumes de dados permite identificar padrões, prever comportamentos e melhorar decisões em tempo real. Ao tornar estas ferramentas mais acessíveis, a tecnologia democratiza o acesso à análise sofisticada e acelera a tomada de decisões.














