Jeff Bezos continua comprometido com o futuro do Washington Post, apesar da vaga de despedimentos que atingiu centenas de trabalhadores esta semana. A garantia foi deixada pelo editor executivo, Matt Murray, numa entrevista à CNN, poucas horas depois de terem sido anunciados cortes que afetaram cerca de um terço da estrutura do jornal, incluindo mais de 300 profissionais da redação.
Segundo Murray, o fundador da Amazon pretende que o jornal volte a afirmar-se como uma instituição “relevante e sustentável”, capaz de crescer num mercado mediático cada vez mais desafiante. O responsável editorial descreveu o momento como um “ponto de viragem” necessário para reposicionar o título financeiramente.
A dimensão dos despedimentos, contudo, gerou forte contestação interna. Vários jornalistas questionam a estratégia de redução de custos como motor de crescimento e admitem incerteza quanto ao futuro da publicação. O sindicato representativo dos trabalhadores declarou que, caso Bezos deixe de investir na missão histórica do jornal, este “merece uma nova liderança”.
Embora Bezos não tenha comentado publicamente as decisões recentes, fontes próximas da administração indicam que o empresário tem incentivado a gestão a inverter os prejuízos acumulados e a encontrar um modelo de negócio mais robusto.
Murray sublinhou que, do seu ponto de vista, o proprietário não interfere na linha editorial nem condiciona a cobertura jornalística. “Não dita conteúdos nem reage às nossas decisões editoriais. Isso é essencial para quem lidera uma redação”, afirmou.
O editor executivo também saiu em defesa do CEO e editor Will Lewis, escolhido por Bezos há dois anos para liderar a reestruturação. Segundo Murray, têm sido feitos esforços para diversificar receitas, apostar em tecnologia e reforçar o segmento das assinaturas digitais.














