A nova corrida ao ouro: bilionários apostam fortunas para viver até aos 150 anos

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Marketeer
09/09/2025
21:00
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Grandes nomes de Silicon Valley estão a investir fortemente na promessa de um futuro mais longo e, potencialmente, mais lucrativo. Segundo dados apurados pelo Wall Street Journal e analisados pela Exame, magnatas como Peter Thiel, Sam Altman, Jeff Bezos e Larry Page já canalizaram mais de 27 mil milhões de reais (cerca de 5 mil milhões de dólares) em startups e tecnologias focadas na longevidade humana. O objectivo? Viver até aos 150 anos ou mais e, no processo, transformar o envelhecimento num novo e altamente rentável sector da economia.

Este movimento está longe de ser apenas uma excentricidade de bilionários. Tal como destaca a Exame, trata-se de uma reconfiguração estratégica do próprio conceito de envelhecimento que passa de inevitabilidade biológica para oportunidade de negócio, posicionando a longevidade como um novo eixo de inovação, consumo e branding. A partir do momento em que viver mais se torna viável, o mercado para produtos, serviços e experiências que suportem essa promessa ganha uma nova escala.

Peter Thiel, cofundador do PayPal, é um dos nomes mais activos nesta área. Desde 2006, tem financiado dezenas de projectos ligados à biotecnologia e longevidade, incluindo a Methuselah Foundation, dedicada à engenharia de tecidos, e a Unity Biotechnology, que investiga o combate às células senescentes. Paralelamente, Thiel adopta práticas de biohacking pessoal como a dieta paleolítica, o uso de metformina e a criopreservação espelhando uma cultura onde o próprio corpo se torna um terreno de experimentação e investimento.

Na mesma linha, Sam Altman, CEO da OpenAI, apostou 180 milhões de dólares na Retro Biosciences, cuja missão é rejuvenescer células envelhecidas. Só em 2024, conforme reportado pela Exame com base em dados da Longevity.Technology, o sector dos biomarcadores arrecadou 2,65 mil milhões de dólares 84% desse valor concentrado nos Estados Unidos. Para muitos destes investidores, o retorno financeiro é apenas parte do pacote. A motivação é profundamente pessoal: viver mais, melhor e com mais controlo sobre o próprio destino biológico.

Jeff Bezos, por exemplo, investiu avultadas somas na Altos Labs, uma startup dedicada à reprogramação celular. A empresa já atraiu alguns dos mais prestigiados cientistas do mundo e visa literalmente “reverter” o envelhecimento ao nível molecular. Bezos também participa na Unity Biotechnology, demonstrando um compromisso consistente com o tema.

Os fundadores da Google também não ficam de fora. Larry Page criou a Calico Labs com um financiamento inicial de 1,5 mil milhões de dólares, enquanto Sergey Brin destinou cerca de 2 mil milhões a projetos de investigação neurológica, incluindo um foco especial no combate ao Parkinson, através da sua fundação ASAP.

Larry Ellison, fundador da Oracle, é outro protagonista desta corrida. A sua fundação médica já investiu mais de 370 milhões de dólares, com 80% alocados à investigação do envelhecimento. Aos 80 anos, mantém uma rotina intensa de exercício físico e dieta rigorosa, integrando ativamente a cultura dos biohackers  indivíduos que experimentam no próprio corpo práticas para otimizar a saúde e a longevidade.

No segmento das startups, Brian Armstrong, CEO da Coinbase, fundou a NewLimit em 2021, com foco em reprogramação epigenética. A empresa já angariou 170 milhões de dólares em rondas de investimento, sendo 110 milhões provenientes do próprio Armstrong. Esta aposta direta dos fundadores naquilo que consomem ou acreditam acrescenta uma camada de autenticidade e oportunidade de storytelling que os marketeers devem observar com atenção.

Outros nomes como Vinod Khosla, Mark Zuckerberg, Joe Lonsdale e Eric Schmidt também entram no jogo da longevidade, com investimentos em áreas que vão desde o microbioma intestinal à medicina de precisão. A Exame observa que este ecossistema vai muito além da saúde: está a consolidar-se como um novo estilo de vida, onde tecnologia, bem-estar e longevidade convergem numa narrativa de controlo, performance e juventude estendida.

Um caso à parte é o de Bryan Johnson, fundador do Project Blueprint. Aos 47 anos, Johnson gasta cerca de 2 milhões de dólares por ano em protocolos personalizados para reverter o envelhecimento do seu corpo. A certa altura, chegou mesmo a experimentar transfusões de sangue do próprio filho, embora tenha abandonado a prática por falta de resultados comprovados.

A sua empresa, Blueprint, comercializa produtos de bem-estar altamente personalizados e premium, como o “Longevity Mix”, uma bebida de 55 dólares, e o “Super Shrooms”, um substituto do café a 42 dólares. Em Março, Johnson anunciou a criação da sua própria “religião” — Don’t Die — como estratégia de comunicação e filosofia de vida, ao mesmo tempo que promove os seus produtos e documentário na Netflix. Segundo relata a Exame, esta fusão entre marca pessoal, produto e crença é um exemplo extremo mas revelador de como o branding da longevidade pode ir muito além da ciência.

Contudo, Johnson admite sentir-se dividido entre o papel de empresário e de visionário. “As pessoas veem o negócio e desvalorizam a dimensão filosófica”, afirmou à revista Wired. E conclui: “Não quero sacrificar a minha missão. Não vale a pena para mim.”

O que este movimento representa, no fundo, é uma mudança de paradigma não apenas na forma como olhamos para a medicina, mas também na forma como concebemos o futuro do consumo. O envelhecimento está a deixar de ser um problema a ser gerido e a tornar-se um mercado a ser explorado.

 




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