Num contexto em que as empresas procuram formas mais humanas, eficazes e autênticas de reforçar a coesão interna, a MaiaWildlife tem vindo a ganhar destaque ao transformar a natureza num espaço privilegiado de aprendizagem e conexão. Rita Guerra, Marketing & Customer Experience Manager da MaiaWildlife, defende que experiências imersivas em ambientes selvagens têm um impacto profundo na forma como as pessoas se relacionam, trabalham em equipa e redescobrem a empatia num mundo cada vez mais acelerado.
Por Sandra M. Pinto
Em entrevista exclusiva à Marketeer, Rita Guerra partilha a sua visão sobre como estas vivências vão muito além do tradicional team building, tornando-se verdadeiras jornadas emocionais que fortalecem relações, desbloqueiam confiança e criam aprendizagens duradouras,tanto no plano pessoal como profissional.
Quando e como nasceu a MaiaWildlife?
A MaiaWildlife nasceu do desejo de transformar paixões em experiências únicas. Henrique Maia, zoólogo português e fundador da empresa, sempre teve três grandes amores: a vida selvagem, as viagens e a fotografia. A sua primeira viagem a África foi reveladora — ficou maravilhado com a beleza dos animais, a cultura vibrante e a hospitalidade das pessoas, e percebeu que queria partilhar tudo isto com outros. Depois de anos de dedicação e preparação nos bastidores, em 2021 nasceu oficialmente a MaiaWildlife, uma empresa que oferece viagens que permitem viver a África de forma autêntica, inesquecível e transformadora.
Como surgiu a ideia de criar experiências imersivas na natureza focadas em fortalecer relações humanas e equipas?
A ideia surgiu ao percebermos que a vida moderna nos afasta daquilo que realmente importa: conexão com os outros e com a natureza. Henrique Maia viu nos safaris uma oportunidade de criar experiências imersivas, onde as pessoas não só observam a vida selvagem, mas também vivem momentos juntos, fortalecendo confiança, amizade e espírito de equipa. Transformámos assim cada viagem numa experiência emocional e memorável, que vai muito além do turismo convencional.
O que torna a MaiaWildlife diferente de outras empresas de experiências de grupo e safáris?
O que torna a MaiaWildlife única é a autenticidade e a conexão que criamos com cada participante. Em grupos pequenos, longe do turismo de massas, cada safari transforma-se numa experiência íntima e memorável. Os participantes rapidamente criam laços entre si e com a equipa, enquanto guias apaixonados e experientes partilham histórias da vida selvagem e tornam cada momento inesquecível. E o melhor? Tornamos estas aventuras acessíveis, provando que a magia da natureza não precisa de ser um luxo reservado a poucos.
De que forma os programas da MaiaWildlife ajudam os participantes a desenvolver laços de confiança e de colaboração, que possam ser aplicados depois no contexto profissional ou pessoal?
Os programas da MaiaWildlife ajudam os participantes a desenvolver laços de confiança e colaboração através de experiências partilhadas que exigem atenção, empatia e apoio mútuo. Estar juntos em ambientes naturais desafiadores, como a savana africana, permite que cada pessoa contribua para o
sucesso do grupo, seja ajudando a localizar animais, partilhando equipamentos, ou apoiando colegas em momentos inesperados. Ao mesmo tempo, as atividades na lodge — como refeições partilhadas, jogos universais e conversas informais — criam oportunidades de conexão genuína, onde os participantes aprendem a comunicar, ouvir e confiar uns nos outros, muitas vezes sem precisar de palavras. Essas experiências intensas e imersivas criam uma base de confiança, empatia e colaboração que os participantes levam para o contexto profissional ou pessoal. Ao regressar, muitos reconhecem que trabalhar em equipa ou relacionar-se com os outros se torna mais natural, porque já vivenciaram juntos situações que exigem atenção, partilha e respeito, transformando relações efémeras em laços duradouros.
Que mudanças mais significativas observa nos participantes ao longo da semana em que decorre o programa, especialmente quando começam como desconhecidos?
Quando os participantes chegam, muitos estão tímidos e observadores, ainda a avaliar o que os espera. Rapidamente, começa um processo natural de
exploração e partilha de expectativas — perguntam-se mutuamente o que querem ver, quais os animais ou experiências que mais lhes interessam. Essa
curiosidade inicial desencadeia conversas espontâneas, que são o primeiro passo para a formação de laços. Nos safaris, a emoção de ver a vida selvagem junta ainda mais as pessoas. É comum ver participantes a apoiar os outros, torcendo pelos animais que cada um quer encontrar, partilhando binóculos, câmaras e entusiasmo. Pequenos gestos de ajuda e partilha surgem naturalmente. Ao longo da semana, essas interações transformam-se em amizades genuínas. As pessoas começam a rir juntas, a partilhar histórias pessoais, a apoiar-se nos desafios da expedição e a celebrar cada descoberta. Ao fim do programa, muitos reconhecem que o que começou como um grupo de desconhecidos se tornou uma pequena comunidade, unida pela experiência e pelas memórias vividas em conjunto.
Existe algum momento ou experiência específica que costuma marcar de uma forma mais profunda os participantes e acelerar a criação de confiança e amizade?
Um dos momentos que mais marca os participantes é o ambiente vivido na lodge. O espaço é projetado para ser familiar, acolhedor e descontraído, onde todos se sentem à vontade para socializar, partilhar experiências. É comum ver pessoas a ir ao frigorífico buscar uma bebida, conversar à mesa de refeições, ou simplesmente sentar-se em conjunto a beira da piscina, pequenas interações que criam confiança e proximidade de forma natural.
A equipa da lodge também desempenha um papel fundamental: está sempre disponível para ajudar, orientar ou participar nas atividades, o que transmite segurança e conforto aos participantes. Além disso, momentos partilhados como histórias à volta da fogueira, observar juntos a vida selvagem nos safaris ou simplesmente rir de situações inesperadas ajudam a fortalecer rapidamente os laços.
Como é que pessoas de diferentes nacionalidades e com barreiras linguísticas conseguem conectar-se e formar equipas unidas em apenas 7 dias?
Mesmo com participantes de diferentes nacionalidades e línguas, a conexão acontece naturalmente. Momentos como ver o seu animal favorito na savana unem todos sem precisar de palavras. Na lodge, jogos universais e atividades em grupo ajudam a quebrar barreiras, enquanto a presença do Henrique Maia, fluente em português, inglês, francês, alemão e espanhol, garante que todos se sintam incluídos e compreendidos. Em apenas 7 dias, estas experiências constroem confiança, amizade e espírito de equipa.
Que elementos ou atividades são cruciais para transformar um grupo de indivíduos numa equipa coesa e motivada?
Existem alguns elementos-chave, bem fundamentados na psicologia de grupos, que ajudam a transformar indivíduos numa equipa coesa e motivada, e que estão presentes em todos os programas da MaiaWildlife.
1. Experiências partilhadas e desafios comuns: A psicologia mostra que enfrentar desafios juntos aumenta o sentimento de pertença e confiança. Nos safáris, isso acontece naturalmente — quer seja localizar um animal, coordenar atividades ou lidar com situações inesperadas, todos aprendem a colaborar e apoiar-se mutuamente.
2. Ambiente seguro e acolhedor: Um espaço onde as pessoas se sentem à vontade para expressar curiosidade, pedir ajuda ou participar ativa e informalmente permite que a comunicação e empatia floresçam. Na lodge, pequenas interações como refeições partilhadas, jogos ou momentos de convívio contribuem para essa segurança emocional.
3. Feedback positivo e celebração conjunta: A psicologia aponta que reconhecer esforços e conquistas fortalece a motivação e o vínculo. Nos programas, cada descoberta na natureza, cada fotografia ou avistamento especial é partilhado e celebrado pelo grupo, reforçando a sensação de equipa e realização comum.
4. Momentos de conexão emocional: Experiências que evocam emoções intensas — como o nascer do sol na savana ou observar leões em liberdade — criam memórias partilhadas, que são fundamentais para a coesão. A emoção ativa regiões do cérebro associadas à empatia e à ligação social, acelerando a formação de laços duradouros.
5. Diversão e informalidade: Atividades lúdicas, jogos universais e momentos de descontração ajudam a reduzir tensões, quebrar barreiras e
promover cooperação espontânea, essenciais para a formação de equipas motivadas e resilientes.
Em resumo, os elementos que tornam os programas tão eficazes são imersão na natureza, experiências partilhadas, emoção, apoio mútuo e momentos de diversão, todos alinhados com princípios psicológicos que reforçam confiança, comunicação e coesão.
Que papel a natureza e o ambiente imersivo desempenham neste processo de construção de equipas?
A natureza e o ambiente imersivo são essenciais na construção de equipas. Sair da rotina diária — de prazos, objetivos e pressão constante — permite que os participantes respirem, desconectem-se do stress e se reconectem uns com os outros. Estar rodeado pela savana e pela vida selvagem cria momentos partilhados de emoção e descoberta, fortalecendo naturalmente a confiança e os laços. A natureza sempre foi a nossa casa — e é precisamente por estarmos cada vez mais afastados dela que sentimos a sua falta. Experiências como esta permitem reencontrar este equilíbrio e viver a vida de forma mais plena e conectada.
Que aprendizagens adquiridas durante estas experiências podem ser aplicadas diretamente em ambientes corporativos para melhorar a colaboração e a liderança?
Nos programas da MaiaWildlife, os participantes desenvolvem soft skills essenciais, especialmente a empatia e a capacidade de ler situações sociais.
Durante os safáris, aprendem a perceber as necessidades dos colegas — por exemplo, garantir que todos têm boa visibilidade do animal, ajudar na captura de fotografias ou apoiar alguém que precise de orientação. Estas experiências práticas fortalecem atenção ao outro, colaboração e comunicação eficaz, competências diretamente transferíveis para o ambiente corporativo. Compreender sinais não-verbais, agir com empatia e apoiar os colegas contribui para equipas mais coesas, resilientes e produtivas, refletindo-se positivamente na performance e no clima organizacional.
De que forma as experiências de team building imersivas contribuem para o employer branding e retenção de talento?
Experiências de team building imersivas, como as da MaiaWildlife, têm um impacto direto no employer branding porque demonstram que a empresa
valoriza o bem-estar, a ligação entre colaboradores e o desenvolvimento de relações genuínas. Investir em experiências que combinam desafio, aprendizagem e diversão reforça a imagem da organização como inovadora, humana e atenta às necessidades da equipa. Além disso, estas experiências contribuem para a retenção de talento ao criar memórias partilhadas e um sentido de pertença profundo. Colaboradores que vivenciam momentos intensos de colaboração, apoio mútuo e partilha fora do escritório desenvolvem maior lealdade, motivação e conexão emocional com a
empresa, tornando-os mais comprometidos e satisfeitos a longo prazo.
Que conselhos daria às empresas que querem criar equipas mais fortes e motivadas através de experiências fora do contexto tradicional de escritório?
Para criar equipas mais fortes e motivadas, as empresas devem investir em experiências que vão além do ambiente tradicional de escritório, promovendo imersão, colaboração e desenvolvimento de soft skills. É essencial criar situações onde os colaboradores possam aprender a comunicar, apoiar-se mutuamente e partilhar decisões, tudo em contextos que estimulem a criatividade e a resolução de problemas de forma conjunta. Experiências fora do escritório, como programas de team building imersivos, permitem que os participantes fortaleçam a confiança, desenvolvam empatia e construam relações genuínas, fatores que têm impacto direto na motivação, no engajamento e na retenção de talento. O conselho central é: propor atividades que combinem desafio, diversão e partilha emocional, criando memórias duradoras e únicas coletivas que consolidem a coesão da equipa e traduzam-se em melhor colaboração no dia a dia profissional.
Que feedback ou histórias de sucesso de participantes mais a inspiraram a continuar com este trabalho?
O que mais nos inspira a continuar são as histórias de transformação que os participantes nos contam. Muitos chegam sozinhos, tímidos, e saem da viagem com amizades para a vida e uma confiança renovada. Famílias relatam que os safáris e os momentos na lodge criaram memórias inesquecíveis e fortaleceram os laços familiares, enquanto grupos de amigos descobrem novas formas de apoiar-se mutuamente e valorizar cada conquista. Além disso, o contacto com a natureza desperta uma atenção e empatia que vão além da viagem: muitos participantes dizem que voltaram mais conscientes, mais presentes e mais conectados com os outros e com o planeta. É esta combinação de emoção, ligação humana e descoberta que nos motiva a continuar a desenvolver experiências que transformam vidas.
Acredita que experiências transformadoras na natureza podem gerar mudanças duradouras na forma como pessoas trabalham juntas?
Sem dúvida. Experiências transformadoras na natureza criam momentos intensos de partilha, colaboração e empatia, que não se esquecem facilmente. Estar juntos em ambientes imersivos, enfrentar desafios, partilhar descobertas e celebrar pequenas vitórias fortalece a confiança, a comunicação e a coesão de grupo. O mais importante é que estas experiências ensinam como perceber e apoiar os outros, agir com atenção e valorizar diferentes perspetivas — competências que se traduzem diretamente para qualquer contexto profissional. Quando as pessoas vivem estas experiências, saem com relações mais fortes, equipas mais resilientes e uma forma de trabalhar mais colaborativa e consciente, muito para além da duração da viagem














