“Gerar conteúdo já não chega: o futuro do marketing está na personalização com inteligência artificial”

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Sandra M. Pinto
22/07/2026
11:59
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22/07/2026
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“Gerar conteúdo já não chega: o futuro do marketing está na personalização com inteligência artificial”

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Apesar do crescente interesse pela inteligência artificial, a adoção efetiva por parte das empresas portuguesas continua a avançar a um ritmo lento. É neste contexto que a Elife lança a Comunidade AIhub em Portugal, uma iniciativa que pretende aproximar a tecnologia da realidade do negócio, com foco em casos concretos e resultados mensuráveis.

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Por Sandra M. Pinto

À frente do projeto está William Ferreira, head of operations CRM + AI, que defende uma abordagem menos teórica e mais orientada à implementação. Em entrevista, explica como a Elife quer posicionar-se como ponte entre a curiosidade e a aplicação prática da IA, e quais as oportunidades ainda por explorar no mercado nacional.

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Que papel pretende a Elife assumir neste contexto de baixa adoção de IA em Portugal?
A Elife não quer ser mais uma voz a falar sobre IA. Quer ser o lugar onde se aprende a usar IA a sério, com dados, com metodologia, com resultados mensuráveis. Portugal tem um problema de adoção, não de curiosidade: toda a gente quer saber, poucos sabem por onde começar. A Comunidade AIhub by Elife Portugal nasce para ocupar esse espaço, o de ponte entre a tecnologia e a prática empresarial.

Em que se diferencia de outras iniciativas de IA já existentes?
A maior parte das iniciativas de IA em Portugal são palestras isoladas ou conteúdo genérico traduzido de fora. A Comunidade AIhub nasce de uma empresa que usa IA todos os dias, em contexto real, com clientes reais. Não vamos falar de IA em abstrato, vamos mostrar o que construímos, o que funcionou e o que falhou. Essa diferença entre teoria e prática de terreno é o próprio ADN do projeto.

Como se traduz na prática o “combater a teoria vazia”?
Traduz-se em casos concretos, com números, não em slides de tendências. Cada sessão parte de um problema real de negócio e mostra o caminho até à solução com IA, incluindo os erros pelo caminho. Não há “a IA vai revolucionar o marketing” sem seguir com “e isto foi o que fizemos, isto custou, isto rendeu”. É esse compromisso com a demonstração, em vez da promessa, que define o hub.

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Que perfis pretendem atrair: técnicos, estratégicos ou híbridos?
Híbridos, sobretudo. A Comunidade AIhub não é para quem quer aprender a programar, nem só para quem quer discursar sobre estratégia. É para quem precisa de tomar decisões com IA no dia a dia: gestores de marketing, diretores de operações, equipas comerciais, empreendedores. O perfil ideal é alguém que sabe o problema do seu negócio e quer perceber como a IA o resolve, sem precisar de se tornar engenheiro para isso.

Que oportunidades ainda estão por explorar em marketing?
O marketing português já usa IA em geração de conteúdo e automatização básica, mas fica muito aquém em duas frentes: personalização real, ao nível do indivíduo e não do segmento, e simulação de decisão do consumidor antes de gastar orçamento em testes reais. É aí que ainda há terreno, e é aí que a Elife tem estado a investir mais.

Como pode o AIhub reduzir a barreira da falta de conhecimento interno?
A barreira não é falta de informação, é falta de tempo para filtrar o que é relevante e falta de alguém que já testou aquilo na prática. A Comunidade AIhub existe para encurtar essa curva de aprendizagem, com sessões recorrentes, casos partilhados entre membros e acesso direto a quem já implementou.

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Qual o papel das marcas: participantes ou cocriadoras?
Cocriadoras, esse é o objetivo desde o primeiro dia. Queremos marcas que tragam os seus próprios desafios para a mesa e que saiam com aprendizagens aplicáveis, não só com informação. O conhecimento vai fluir nos dois sentidos: a Elife traz metodologia, as marcas trazem os problemas reais do mercado português.

Que importância tem o espaço físico no Porto, num tema tão digital?
É onde a confiança se constrói. IA é um tema que gera tanto entusiasmo como desconfiança, e isso resolve-se com conversa direta, não com webinars. Ter uma morada fixa no Porto, onde está localizado o nosso escritório em Portugal, sinaliza compromisso a longo prazo e cria um ponto de encontro regular para uma comunidade que, de outra forma, ficaria dispersa por LinkedIn e newsletters.

Que impacto esperam gerar a curto e médio prazo?
A curto prazo, queremos que as empresas que passam pelo AIhub saiam com pelo menos uma aplicação concreta que possam implementar em semanas, não em anos. A médio prazo, o objetivo é que Portugal deixe de importar quase todos os casos de estudo de IA aplicada e comece a produzir os seus próprios, com dados e mercado nacionais.

Porque escolheram “Consumidores Sintéticos” para o primeiro evento?
Porque é o exemplo mais claro de como a IA muda a forma de tomar decisões, e não só a forma de executar tarefas. Simular milhares de respostas de consumidor antes de gastar orçamento em investigação tradicional é algo que já testámos com resultados reais, incluindo para marcas de referência no mercado português. É um tema que surpreende quem ainda vê IA só como ferramenta de produtividade.

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Como pretende a Elife medir o sucesso da comunidade?
Três indicadores: número de casos aplicados pelos próprios membros fora das sessões, taxa de retorno às sessões seguintes, e o número de empresas que passam de curiosidade para implementação efetiva de IA no seu negócio. Presença é fácil de medir, aplicação prática é o que realmente importa.

Este projeto é um primeiro passo para uma expansão maior? Que próximos desenvolvimentos podemos esperar?
Sim, a Comunidade AIhub é o ponto de partida, não o destino final. A ambição é crescer para formação estruturada, com parcerias com universidades. Mas o primeiro compromisso é fazer o Porto funcionar bem antes de pensar em escalar.






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