Nos últimos anos, a figura do multimilionário deixou de estar associada apenas à acumulação de capital financeiro. Cada vez mais, a verdadeira fonte de poder reside na capacidade de influência. A riqueza continua a crescer, mas é a visibilidade pública, o acesso a centros de decisão e o controlo da informação que aceleram esse crescimento e consolidam posições de domínio à escala global.
Segundo um estudo da Oxfam apresentado durante o Fórum Económico Mundial em Davos, a fortuna global dos multimilionários atingiu cerca de 17 000 mil milhões de euros, representando um crescimento de até 16% face ao ano anterior e um aumento de 81% desde 2020.
Este aumento foi impulsionado não só por investimentos bem-sucedidos, mas também pela proximidade ao poder político, económico e mediático. A influência tornou-se um ativo estratégico: quem molda narrativas, antecipa decisões regulatórias ou condiciona a opinião pública ganha vantagens difíceis de replicar por outros atores do mercado.
Sectores emergentes como a inteligência artificial, a biotecnologia ou as plataformas digitais têm ampliado este fenómeno. Quem já detém grandes recursos financeiros encontra menos barreiras à entrada, maior capacidade de absorver riscos e acesso privilegiado à informação, transformando oportunidades em lucros de forma quase imediata. Assim, o capital inicial funciona como um multiplicador de novas oportunidades económicas.














