O ano de 2025 marcou um ponto de viragem na relação entre os jornais e a inteligência artificial (IA), com as redações a integrarem uma tecnologia que durante anos foi encarada como inimiga ou uma ameaça futura. A conclusão é do balanço anual do Digiday, que identifica os momentos-chave que definiram a forma como a indústria editorial enfrentou – e tentou integrar – esta tecnologia.
Um dos sinais claros desta mudança foi o impacto direto da IA no tráfego digital, com os motores de busca a perderem protagonismo junto dos jornais, uma vez que as respostas automáticas geradas por inteligência artificial passaram a satisfazer grande parte das pesquisas dos utilizadores sem necessidade de clicarem nas notícias dos jornais.
Perante este cenário, o setor dividiu-se entre várias estratégias, com alguns grupos a optarem por negociar acordos de licenciamento de conteúdos com empresas de tecnologia — numa tentativa de garantir compensação financeira pela utilização dos seus conteúdos no treino e funcionamento de modelos de IA — e outros a escolherem um caminho de confronto, bloqueando rastreadores de IA, avançando com processos judiciais ou pressionando reguladores para a imposição de limites à utilização dos seus conteúdos.
Em paralelo, a IA começou também a ser integrada de forma ativa pelos próprios jornais, com várias empresas de media a lançarem em 2025 ferramentas baseadas em inteligência artificial para apoio à análise de tráfego, desenvolvimento de novos formatos, personalização de conteúdos e otimização de processos internos.
Em 2025 a IA deixou cada vez mais de ser vista exclusivamente como um risco para o jornalismo, passando a ser encarada como uma ferramenta inevitável, cujo impacto dependerá das regras, usos e limites que forem estabelecidos.














