Associação Portuguesa de Imprensa aponta 2026 como ano decisivo para passar das intenções à ação no setor

Notícias
Rafael Ascensão
06/01/2026
10:50
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06/01/2026
10:50


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A Associação Portuguesa de Imprensa (APImprensa) faz um balanço positivo de um ano marcado por fortes exigências para o setor, mas sublinha que 2026 será determinante para transformar as medidas já anunciadas em soluções concretas no terreno. Num contexto de fragilidade económica da imprensa e de rápidas transformações tecnológicas, a APImprensa assume-se como um dos principais interlocutores institucionais do setor e reforça a ambição de desempenhar um papel ainda mais operacional no próximo ano.

Ao longo de 2025, a APImprensa “intensificou” o seu trabalho político-institucional, apresentando “propostas focadas na sustentabilidade da imprensa, muitas das quais passaram a integrar o debate público e inspiraram iniciativas governativas”, destaca Cláudia Maia, presidente da associação, que alerta, no entanto, que uma parte significativa dessas medidas continua por executar, penalizando sobretudo a imprensa local e regional.

Para o próximo ano, a grande prioridade está assim relacionada com a passagem do plano à implementação. “A APImprensa concentrará esforços na operacionalização dos incentivos já previstos na lei e na correção de bloqueios que continuam a penalizar sobretudo a imprensa local e regional, como a ausência de regulamentação de medidas aprovadas há vários anos”, diz a responsável

“Acresce uma aposta mais estruturada em projetos conjuntos de inovação – incluindo formação prática em inteligência artificial aplicada ao jornalismo e parcerias que permitam ganhos de escala – e no reforço do papel da Associação como entidade capaz de gerir iniciativas de interesse transversal ao setor, em benefício de todos os editores, associados ou não”, acrescenta.

Em 2026 o maior desafio “mantém-se estrutural”, passando o mesmo por “garantir viabilidade económica num mercado onde as receitas tradicionais continuam a diminuir, os custos não abrandam e a concorrência das grandes plataformas digitais se faz sem regras equivalentes”, aponta Cláudia Maia.

Já a apropriação e transformação de conteúdos jornalísticos por sistemas de inteligência artificial, sem transparência nem compensação justa, acarretam também novos riscos à sustentabilidade e à credibilidade da informação, entende a responsável.

Por outro lado, e em simultâneo, “agrava-se a desertificação informativa em parte significativa do território, num momento em que a comunicação institucional não escrutinada tende a substituir o jornalismo de proximidade, com impactos diretos na qualidade da democracia local”. Mas a oportunidade está precisamente em contrariar esta tendência, considera Cláudia Maia, uma vez que “há hoje maior consciência pública e europeia de que a informação jornalística é um bem público e de que o mercado, por si só, não assegura a sua sobrevivência”.

Para 2026, abre-se assim uma “janela de oportunidade” para avançar com modelos de financiamento mais estáveis, regras mais justas na distribuição de publicidade institucional, incentivos à subscrição e políticas eficazes de literacia mediática, afirma.

“Se forem acompanhadas de inovação editorial, cooperação entre editores e uma regulação europeia mais exigente face às plataformas digitais, estas medidas podem permitir não apenas resistir, mas reposicionar a imprensa como um pilar renovado da vida democrática”, conclui a responsável.




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