O que deveria ser um lançamento festivo transformou-se num episódio de puro caos digno de uma Black Friday. A Starbucks viu-se no centro de uma tempestade de consumo após o lançamento do copo de vidro em forma de urso com um gorro verde, vendido por cerca de 27,90 euros, e que esgotou em poucas horas, provocando filas, discussões e até um pedido público de desculpas.
Promovido durante semanas como o grande artigo colecionável do Natal de 2025, o copo chegou às lojas na manhã de 6 de novembro. Mas muitos fãs mal tiveram tempo de o ver nas prateleiras: em várias cafetarias, o produto esgotou antes mesmo da abertura oficial. Algumas lojas receberam apenas uma ou duas unidades, enquanto em outras surgiram acusações de que funcionários teriam comprado os copos antecipadamente, alimentando ainda mais a frustração.
Nas redes sociais, multiplicaram-se vídeos e relatos de clientes em filas desde a madrugada e confrontos à porta das lojas. O que seria uma campanha de marketing encantadora acabou por se transformar num símbolo do consumo levado ao extremo.
“O entusiasmo pelos nossos produtos excedeu até as nossas maiores expectativas”, afirmou a Starbucks em comunicado. “Compreendemos que muitos clientes estavam entusiasmados por adquirir o copo de vidro em forma de urso e pedimos desculpa pela deceção que isso possa ter causado.” A empresa acrescentou que enviou “mais copos deste tipo do que quase qualquer outro artigo desta época festiva”, mas não confirmou se haverá reposição.
Entretanto, o copo tornou-se um fenómeno de revenda online: no eBay o artigo de cerca de 28 euros já é negociado por valores entre 140 e mais de 930 euros.
O episódio não é inédito para a Starbucks, que já enfrentou situações semelhantes em campanhas como o “Red Cup Day” e durante a febre pelos copos Stanley. No entanto, o caso do copo de vidro em forma de urso expôs uma tendência cada vez mais evidente: a aposta da empresa em edições limitadas e produtos colecionáveis começa a pôr à prova a paciência dos clientes mais fiéis.
O copo de vidro em forma de urso pretendia ser fofo, colecionável e inofensivo. Em vez disso, tornou-se um espelho do hype contemporâneo e um lembrete de que, por vezes, até o café mais caro pode deixar um travo amargo.














