A Interbrand divulgou esta semana o seu relatório anual Best Global Brands 2025, que avalia as 100 marcas mais valiosas do mundo. No total, estas marcas valem agora 3,6 biliões de dólares, mais 150 mil milhões do que em 2024. O crescimento de 4,4% reflete a resiliência das grandes empresas globais, num ano marcado por incertezas económicas e pela aceleração do impacto da inteligência artificial (IA) nos comportamentos de consumo.
Tal como no ano passado, o top 5 permanece inalterado: a Apple mantém-se como a marca mais valiosa do mundo, com um valor estimado de 470,9 mil milhões de dólares, apesar de ter registado uma descida de 4%. Seguem-se a Microsoft (388,5 mil milhões, +10%), Amazon (319,9 mil milhões, +7%), Google (317,1 mil milhões, +9%) e Samsung (90,5 mil milhões, -10%).
No entanto, o ranking de 2025 marca uma viragem clara no panorama das marcas globais, com uma forte presença de empresas tecnológicas e 12 novas entradas. Entre estas estão a BlackRock (31.º lugar), Booking.com (32.º), Qualcomm (39.º), GE Aerospace (44.º), Uniqlo (47.º) e Shopify (99.º), destacando-se pela capacidade de responder a novas exigências do mercado e de criar valor em sectores emergentes.
O grande destaque do ano vai para a NVIDIA, que registou o maior crescimento alguma vez observado no ranking: uma valorização de 116% face a 2024, passando do 36.º para o 15.º lugar. O desempenho extraordinário da marca reflecte a procura crescente por chips especializados em inteligência artificial, num contexto de rápida digitalização da economia. Também outras marcas do universo tecnológico registaram subidas significativas: o YouTube subiu 61% e ocupa agora a 13.ª posição; a Netflix valorizou-se 42% (28.º lugar); a Uber subiu 38% (64.º); e a Nintendo registou um crescimento de 35% (53.º). Já o Instagram registou um aumento de 27% e entrou pela primeira vez no top 10, ocupando agora o 8.º lugar. O desempenho positivo da Meta estende-se também ao Facebook (19.º lugar, +18%) e ao WhatsApp, incluído na lista “Brands to Watch”, que identifica marcas com forte potencial para integrar o ranking nos próximos anos.

Em contrapartida, marcas anteriormente bem posicionadas enfrentaram dificuldades. A Nike caiu 26% e saiu do top 20, passando do 14.º para o 23.º lugar, enquanto a Tesla perdeu 35% do seu valor de marca, descendo do 12.º para o 25.º lugar. Também a Intel (-42%), a Gucci (-35%) e a Nissan (-33%) registaram quedas acentuadas.
O relatório de 2025 centra-se no impacto da inteligência artificial na relação entre marcas e consumidores. Neste novo paradigma, a IA não representa um novo desafio para as marcas, mas acelera e agrava os já existentes. O relatório antecipa a fragmentação da jornada de compra tradicional, com os consumidores a delegarem cada vez mais decisões a agentes automatizados.
Este cenário levanta uma nova questão estratégica para as empresas: como manter a influência numa era em que a escolha humana direta se torna menos frequente? A Interbrand propõe uma métrica inovadora, o Role of Brand Index (RBI), que avalia até que ponto uma marca é ativamente escolhida por consumidores humanos e não apenas por algoritmos. Segundo a análise, um aumento de 1% no RBI está associado a uma valorização de 2,3% no preço das ações de uma empresa, sugerindo uma ligação direta entre relevância emocional e desempenho financeiro.

O relatório prevê o surgimento de uma divisão clara no mundo das marcas: de um lado, as marcas “descartáveis”, escolhidas por conveniência, preço ou algoritmo; do outro, as marcas “indispensáveis”, que mantêm significado, propósito e ligação direta com as pessoas.















