Uma atualização recente no uniforme da Starbucks, que pretendia padronizar a imagem dos colaboradores em toda a América do Norte, acabou por gerar uma onda de contestação legal. Trabalhadores em Califórnia, Colorado e Illinois avançaram com queixas formais e processos judiciais, alegando que a nova política de vestuário os forçou a assumir custos que, segundo a legislação laboral de vários estados, deveriam ser suportados pela empresa.
As ações, apoiadas pelo sindicato Starbucks Workers United, colocam à prova se uma decisão de branding com alcance nacional pode resistir às leis regionais de proteção laboral, nomeadamente, no que diz respeito a despesas relacionadas com a função.
A nova política foi anunciada em abril e entrou em vigor a 12 de maio, impondo padrões mais restritivos para o vestuário. Os funcionários passaram a ser obrigados a usar camisolas pretas lisas sob o habitual avental verde, e calças apenas em caqui, preto ou ganga azul. Vestidos são permitidos, mas não podem subir mais de dez centímetros acima do joelho. O calçado tem de ser à prova de água e de cores neutras. Adicionalmente, foram proibidas tatuagens visíveis, piercings na língua e maquilhagem considerada “elaborada”.
A Starbucks ofereceu duas camisolas compatíveis com as novas regras a cada colaborador, enquadrando a mudança como uma forma de promover uma experiência mais coesa para o cliente.
No entanto, para muitos trabalhadores, isso revelou-se insuficiente. As calças e o calçado continuaram a ser uma responsabilidade do colaborador, com vários a reportarem gastos superiores a 100 dólares (cerca de 94 euros) para cumprir os novos requisitos. No estado do Colorado, queixosos afirmam que estes encargos reduziram o seu salário líquido a um valor abaixo do mínimo legal, tendo em conta ordenados base entre 15 e 22 euros por hora.
A Starbucks defende que o objetivo da política é garantir consistência na imagem da marca e recusa comentar processos legais em curso. No entanto, os críticos acusam a empresa de promover uma cultura corporativa que suprime a individualidade dos funcionários e impõe pressões financeiras desnecessárias a colaboradores que, na sua maioria, têm horários parciais e conciliam o trabalho com estudos ou responsabilidades familiares.














